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Ministério Público quer suspender registro de agrotóxico com carbendazim no Brasil

Fungicida é usado para pulverização de culturas de citrus, grãos e tratamento de sementes é proibido nos Estados Unidos

(Fundecitrus suspendeu uso da substância após o embargo pelos Estados Unidos de 20 carregamentos de suco concentrado com níveis de carbendazim acima do máximo tolerado)
 
O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) entrou com ação na Justiça para suspender o registro de agrotóxicos formulados com carbendazim no Brasil. Segundo o MPF, a proibição do uso do fungicida deve ser adotada até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua o processo de reavaliação da toxicidade do princípio ativo, "considerado nocivo à saúde humana por diversos estudos científicos".

O fungicida é registrado no Ministério da Agricultura para pulverização das culturas de citros, algodão, feijão, soja e trigo, além do tratamento de sementes de algodão, feijão, milho e soja. No caso dos citros, o uso do produto para controle da pinta preta foi suspenso no início do ano passado pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por produtores e indústrias, após o embargo pelos Estados Unidos de 20 carregamentos de suco concentrado com níveis de carbendazim acima do máximo tolerado pelas autoridades norte-americanas.

O MPF/DF, ao defender a suspensão do carbendazim, argumenta que o fungicida é proibido nos Estados Unidos e faz parte do programa de revisão de substâncias da União Europeia.

– Aqui, a última avaliação do ingrediente foi realizada pela Anvisa em 2002. Desde então, centenas de novas pesquisas apontaram riscos na ingestão do produto, que pode causar danos aos sistemas endócrino, hepático e reprodutor – diz o MPF.

Na ação, o MPF cita que o uso do carbendazim é associado a doenças de pele, problemas no fígado, diminuição da produção de espermatozoides, infertilidade, malformações fetais, distúrbios hormonais e câncer.

Segundo o MPF/DF, a própria Anvisa reconhece a necessidade de reavaliar os riscos da substância, mas informou que só fará a análise depois de concluir a reavaliação de outros 14 ingredientes ativos, previstos na Resolução RDC 10/2008, mas não há data prevista para o término dos trabalhos.

– A inércia da autarquia coloca em risco a saúde da população brasileira – dizem os procuradores, que defendem o princípio da precaução.

– Para que a saúde seja efetivamente tutelada, devem ser aplicadas pelo Estado, de acordo com as suas capacidades, medidas preventivas onde existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis. Não será utilizada a falta de certeza científica total como razão para o adiamento de medidas eficazes diz na ação o procurador da Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.

Embrapa simula desenvolvimento de helicoverpa em cultivos preferenciais da praga

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros

(Praga está presente em mais de 10 Estados do país)
 
No início de 2013, a Helicoverpa armigera havia sido constatada em três Estados brasileiros. Atualmente, já está confirmado em mais de 10. É considerada uma praga exótica de importância econômica que demanda esforços de contenção, controle e pesquisa. Conforme os pesquisadores, já foram iniciadas ações pelas secretarias de Agricultura dos Estados onde a praga já foi notificada e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que consideram as estratégias de controle propostas pela Embrapa para ações emergenciais.

A Embrapa também identificou trabalhos desenvolvidos no exterior, em fase de aperfeiçoamento, necessários para conhecer melhor o comportamento e a dinâmica da praga no ambiente brasileiro e até oferecer futuras opções para ampliar a disponibilidade de alternativas para o controle do inseto, com menor impacto ambiental. Entre os trabalhos já desenvolvidos, a Embrapa Meio Ambiente disponibilizou, em junho, resultados de trabalhos do Laboratório de Quarentena “Costa Lima” (LQC), o único no Brasil credenciado pelo Mapa  para introduzir inimigos naturais e outros benéficos para o controle de pragas e outros fins científicos.

De acordo com a avaliação da equipe do LQC, as estratégias de manejo integrado de controle do inseto também devem estar fundamentadas em estudos prospectivos de estimativas das durações das fases imaturas de desenvolvimento da helicoverpa em localidades brasileiras, considerando o período de safra do cultivo atacado. É necessário determinar a provável quantidade de gerações da praga por ciclo das plantas hospedeiras preferenciais, bem como os períodos mais favoráveis à maior disponibilidade de ovos, lagartas, pupas (estas últimas enterradas no solo) e de mariposas (fase adulta), fundamentando a identificação da melhor estratégia de controle para cada fase de desenvolvimento do inseto.

– Dados disponibilizados para acesso público por instituições de pesquisa e de assistência técnica do Estado de São Paulo possibilitaram ao LQC ranquear os maiores produtores de milho, algodão, tomate, feijão e soja, como também identificar condições climáticas desses municípios – disse a pesquisadora da equipe da Embrapa Meio Ambiente, Maria Conceição Pessoa.

Entre os dez maiores produtores de cada cultivo, a pesquisadora Jeanne Marinho Prado, também da equipe do LQC, informa que foram identificados municípios com maior produção e número de cultivos hospedeiros principais do inseto, muitos dos quais com esses plantios durante a maior parte do ano em função dos seus diferentes períodos.

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros preferenciais, motivo pelo qual o trabalho do LQC priorizou estimar gerações de helicoverpa nessas áreas.

Na área sudoeste do Estado, Itapeva foi identificada como grande produtor de milho, tomate, algodão, soja e feijão. Maria Conceição explica que as características climáticas e de períodos de plantios dos cultivos foram utilizados para simular o potencial desenvolvimento da praga em soja, feijão, tomate, milho e algodão na região sudoeste do Estado, considerando as necessidades térmicas das diferentes fases do ciclo de desenvolvimento da praga já realizado pela equipe.

O mesmo método possibilitou identificar outra área de produção expressiva de soja ao norte do Estado, localizada na região de Barretos, pertencente a um dos grandes polos agroindustriais do estado, bem como outras áreas produtoras de cultivos hospedeiros preferenciais da praga, tais como aquelas pertencentes à regional de Orlândia.

– Outras potenciais contribuições do LQC seriam a busca exploratória na fauna nativa brasileira (bioprospecção) ou introdução de insetos ou microrganismos exóticos para pesquisa de potenciais bioagentes de controle, visando subsidiar ações para planos de manejo integrado do inseto – salienta o pesquisador Luiz Alexandre de Sá.

Produtores de algodão aguardam definição sobre preço mínimo

Setor ainda tem esperanças de que governo reajuste valor para R$ 61,50 a arroba

(Produtores consideram baixo preço mínimo na faixa de R$ 50 a arroba)
 
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Pinesso, disse nesta segunda-feira que o setor ainda tem esperanças de que o governo federal reajuste o preço mínimo de garantia do algodão para R$ 61,50 a arroba, para cobrir os custos de produção e incentivar a retomada do plantio, que recuou 36% na safra passada. O novo preço mínimo do algodão continua indefinido, pois o governo não confirmou se o Conselho Monetário Nacional (CMN) de fato aprovou os novos valores na reunião realizada no dia 22 de agosto.

Pinesso afirmou que os produtores consideram baixo um preço mínimo na faixa de R$ 50 a arroba e que o setor espera não depender do apoio do governo para dar sustentação aos preços. Segundo ele, o reajuste do preço mínimo é importante para dar tranquilidade para continuar-se a investir na cultura. O executivo lembra que o preço mínimo não é reajustado há dez anos e que, no período, o custo de produção do algodão saltou de R$ 3,2 mil o hectare para R$ 6.150 o hectare.

Além da definição do preço mínimo, outra preocupação dos produtores diz respeito à liberação de novos agrotóxicos para o controle de pragas, como a lagarta helicoverpa armigera. A lagarta provocou prejuízos estimados em R$ 1,5 bilhão na Bahia e de R$ 10,7 bilhões em nível nacional na última safra. Pinesso explicou que o Ministério da Agricultura aprovou emergência sanitária e permitiu a importação de produto não registrado no Brasil (benzoato de emamectina) para controle da lagarta, mas os agricultores foram impedidos de fazer as aplicações nas lavouras por uma ação do Ministério Público da Bahia. Para acelerar a liberação dos defensivos, uma frente parlamentar vai propor ao Ministério da Agricultura a edição de um decreto.

Helicoverpa armigera no Manejo Integrado de Pragas de Milho


    O cultivo de milho pode ser atacado por diferentes espécies de inseto desde o plantio até próximo à colheita. No entanto, algumas espécies merecem maior atenção por parte dos agricultores devido ao local de ataque. É o caso, por exemplo, das espécies que atacam as partes reprodutivas da planta, como o complexo de insetos denominados “lagartas”. A espécie mais tradicional e reconhecida como a mais importante é a lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea. No entanto, nas espigas é também possível ser encontrada a lagarta-pequena, Dichomeris famulata, a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda e a broca da cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis. À exceção da H. zea e D. famulata, que são intimamente associadas à espiga, as outras espécies podem ocorrer em outras partes da planta, como folhas e colmos.

    O controle tradicional das espécies que atacam as espigas é dificultado pela localização das lagartas, geralmente protegidas dentro da espiga, sob as palhas. Quando o controle é através da pulverização com produtos químicos, além da baixa eficiência, há sempre o risco de eliminação de agentes de controle biológico e contaminação ambiental. Além do mais, a pulverização depende da disponibilidade de equipamentos apropriados que possibilitem a aplicação sobre plantas de tamanho elevado, incluindo, além da aplicação tratorizada, a aplicação via água de irrigação ou até mesmo a aplicação aérea. Tais equipamentos não são disponíveis para grande parte dos agricultores brasileiros e, portanto, nesta situação a pulverização não é feita. A ausência de inseticidas permite ao longo do tempo, a colonização de insetos benéficos específicos que acabam por reduzir a população da praga a níveis insuficientes para causar danos econômicos. É o caso, por exemplo, do parasitóide de ovos do gênero Trichogramma que pode atingir taxas de parasitismo acima de 70% em ovos de H. zea (“lagarta-da-espiga”). Outros agentes de controle biológico, também importantes e complementares, incluem a tesourinha, Doru luteipes e o percevejo Orius. Ambos são normalmente encontrados na espiga do milho.

    Recentemente, uma nova espécie de praga foi identificada no Brasil atacando entre outras espécies vegetais, o milho, a soja e o algodão, notadamente no Oeste da Bahia com grande severidade, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos. A espécie em questão, conhecida cientificamente como Helicoverpa armigera é muito próxima da lagarta-da-espiga, H. zea, não sendo ambas facilmente separadas visualmente. É uma espécie muito severa em países da Ásia, África e Austrália. Tem como hospedeiro, além dos cultivos já mencionados, o sorgo granífero; painço; girassol; cereais de Inverno, como trigo, aveia, cevada e triticale; linhaça; grão de bico; feijão; e culturas hortícolas, como cerejas, tomate, pepino e frutas cítricas. 

    O que torna a praga importante e severa é o fato de possuir alta mobilidade, polifagia e alta taxa de reprodução. Um problema agravante ao manejo da praga tem sido também o desenvolvimento da resistência aos inseticidas, já documentado na literatura, especialmente em relação a piretróides sintéticos, embora já haja registro de resistência a outros grupos de inseticidas, como carbamatos e organofosforados. 

    Como a espécie H. zea, os ovos de H. armigera são geralmente postos sobre o “cabelo” do milho. Ao eclodir as larvas consomem os grãos em desenvolvimento e, além deste dano direto, é comum ocorrer infecções bacterianas secundárias. As larvas também podem se alimentar das folhas do cartucho, das folhas mais desenvolvidas e do pendão.

    O ciclo de vida do inseto é em torno de um mês, o que permite a existência de várias gerações anuais e contínuas especialmente nas áreas mais quentes. Ocorrem seis estágios larvais e a larva quando completamente desenvolvida chega a 35-40 mm de comprimento. A pupa é marrom escura, com 14-18 mm de comprimento, com superfície lisa, arredondada, tanto anterior como posteriormente, com dois espinhos paralelos na ponta posterior.

MANEJO DA PRAGA

    A fase de ovo é crucial no ciclo de vida de H. armigera uma vez que alta taxa de mortalidade é verificada nesta fase. A literatura mundial tem relatado acima de 88% de mortalidade de ovos de H. armigera, principalmente nos primeiros três dias de oviposição. Esta taxa de mortalidade pode chegar a 95% de mortalidade, considerando-se a fase de ovo e os primeiros estágios larvais. O principal agente de controle biológico para liberação em nível de campo para o controle de ovos de diversas espécies de Lepidoptera é o Trichogramma, um inseto diminuto, porém com alta eficiência no controle das pragas. Além desta eficiência, já existe disponibilidade comercial em diferentes países, incluindo o Brasil. A liberação deste agente de controle biológico deve estar associada com armadilha contendo feromônio sexual que, ao ser utilizado no campo, serve para detectar a chegada da mariposa na área alvo e indicar a época de liberação. A armadilha, bem como o feromônio sexual, já está disponível no mercado internacional.

    O correto manejo das pragas de milho necessariamente deve considerar a possibilidade de liberação de Trichogramma tanto para o controle da lagarta-do-cartucho, como para o controle do complexo de Helicoverpa. O alto índice de parasitismo natural de ovos da “lagarta-da-espiga” indica a adaptação da espécie no agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera. Na realidade, muito se tem pesquisado no Brasil mostrando a importância dos agentes de controle biológico das diferentes espécies de insetos fitófagos associados ao milho. Tanto em áreas de produção onde se utiliza o milho convencional, como em áreas onde há utilização de milho Bt a importância de insetos (parasitóides e predadores) e de microrganismos como tática essencial no manejo integrado não pode deve negligenciada. 


    A introdução de uma nova espécie de praga no sistema agrícola brasileiro mostra a importância de se ter rotineiramente o Manejo Integrado como princípio fundamental, de tal modo que o produtor possa rapidamente adequar medidas que também sejam eficientes, econômicas e ambientalmente adequadas para reduzir a população da nova praga a níveis não econômicos.  Obviamente, as demais espécies de insetos fitófagos não devem ser negligenciadas por conta do aparecimento de novas pragas. Todo o conhecimento gerado pelas Instituições de Pesquisa deve ser normalmente entendido e utilizado para reduzir a probabilidade de haver prejuízos aos produtores e à sociedade como um todo.

Governo prevê recorde para valor da produção agrícola em 2013

Número será 10,8% maior em relação ao ano passado e deve atingir R$ 275,89 bilhões, impulsionado pela colheita recorde de soja

(Produtos que mais colaboraram para o crescimento foi soja, cana e milho)
 
O valor bruto da produção (VBP) dos principais produtos agrícolas deve crescer neste ano 10,8% (R$ 26,8 bilhões) e atingir o recorde de R$ 275,89 bilhões, impulsionado pela colheita da safra recorde de soja.

Os cálculos da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos do Ministério da Agricultura projetam crescimento de 18,5% (R$ 13,037 bilhões) na renda da soja, para R$ 81,898 bilhões. A soja responde por 30% do VPB das lavouras.

Os cálculos levam em conta a estimativa de safra divulgada na véspera pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os levantamentos de preços recebidos pelos produtores feitos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

O estudo mostra que o segundo produto com maior participação no VBP agrícola é a cana-de-açúcar (17%). O Ministério da Agricultura prevê crescimento de 8,9% na renda da cana, para R$ 48,029 bilhões.

O milho ocupa o terceiro lugar, com participação de 13% no VBP. A projeção para o faturamento do milho é de crescimento de 10,5%, para R$ 36,846 bilhões.

Apesar das reclamações dos citricultores de queda na renda e da pressão dos altos estoques de passagem de suco de laranja sobre os preços, o Ministério da Agricultura prevê aumento de 46,1% no VBP da laranja, para R$ 20,637 bilhões. Para a banana, a estimativa de faturamento no ano é de R$ 10,3 bilhões, valor 10,8% superior ao do ano passado.

Entre os cereais, o arroz e o trigo apresentam perspectiva de aumento da renda dos produtores neste ano.

No caso do arroz, a estimativa é de aumento de 8,6% no faturamento, para R$ 8,072 bilhões. O trigo, cujos preços estão em patamares historicamente altos, por causa dos problemas climáticos que provocaram quebra de safra e perda de qualidade nas safras brasileira e argentina, deve ter aumento de 31% na renda, para R$ 4,165 bilhões.

Mesmo com a retração de preços nos últimos dois meses, o tomate aparece dentre os principais produtos. A estimativa do Ministério da Agricultura é de aumento de 76,7% na renda dos produtores, para R$ 10,882 bilhões. Entre os hortifrutigranjeiros também se destaca a batata-inglesa, com projeção de aumento de 35,9% na renda dos produtores, para R$ 3,577 bilhões.

Queda no faturamento
Quanto ao algodão, as previsões são de queda de 30,6% no faturamento, para R$ 8,125 bilhões, provocado pela queda de produção com a redução da área plantada. O café, cujos preços vêm sendo pressionados desde o início do ano, deve ter uma retração na renda de 27,6%, para R$ 14,059 bilhões. Os preços do café estão em queda por causa da percepção dos importadores de que o estoque remanescente e a safra atual serão suficientes para atender a demanda mundial pelo produto brasileiro.

Governo divulga Zoneamento Agrícola de Risco Climático para algodão, mamona, sorgo e melancia

Zoneamento é necessário para identificar os municípios aptos e os períodos de semeadura com menor risco climático para o cultivo das culturas nos Estados brasileiros

(Levantamento para melancia inclui Bahia, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul)
 
O zoneamento de risco climático para as culturas de algodão, mamona, sorgo granífero e melancia foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) de segunda, dia 15, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A orientação vale para a safra 2013/2014.

O estudo para a cultura de algodão abrange 11 Estados (Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Paraná, Rondônia, São Paulo e Tocantins) e o Distrito Federal. Dependo do clima e da duração do ciclo, a precipitação pluvial deve ser de 700 milímetros a 1300 milímetros para o desenvolvimento do algodoeiro.

Em relação à mamona, o zoneamento refere-se aos Estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. A faixa de temperatura ideal para a cultura situa-se entre 20ºC a 30ºC.

O levantamento para melancia inclui Bahia, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Os elementos climáticos de maior relevância para o cultivo da fruta em regime de sequeiro são temperatura, umidade relativa do ar, pluviosidade e fotoperíodo.

Quanto ao sorgo, além do Distrito Federal, foram analisados os estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins. Boa parte dos materiais genéticos do sorgo requer temperaturas superiores a 21°C para um bom desenvolvimento, não suportando, normalmente, abaixo de 16°C. Temperaturas acima de 38°C também reduzem a produtividade.

O zoneamento agrícola é necessário para identificar os municípios aptos e os períodos de semeadura com menor risco climático para o cultivo das culturas nos Estados brasileiros. O levantamento é o principal instrumento utilizado pelo crédito e seguro rural, sendo utilizado para a seleção das áreas com maior aptidão para o cultivo de cada cultura e variedade, diminuindo os riscos devido a problemas climáticos.

Helicoverpa pode ter sido implantada no Brasil por concorrentes internacionais

Abin e Polícia Federal estariam investigando suspeita de bioterrorismo

(Lagarta agressiva já foi encontrada em 12 Estados brasileiros)
 
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Federal estariam investigando uma suspeita de bioterrorismo envolvendo a lagarta Helicoverpa armígera. A informação recebida é de que proeminentes pesquisadores brasileiros já teriam sido questionados por agentes da Abin sobre o assunto. 

A suspeita baseia-se em dois fatos: a lagarta apareceu muito recentemente e já causou grandes prejuízos, pois o país não estava preparado para combatê-la; analistas internacionais apontam que até o final desta década o Brasil se tornará o maior produtor mundial de alimentos. A ação de bioterrorismo teria sido feita por competidores estrangeiros.

A lagarta é responsável por um prejuízo de R$ 1,7 bilhão na safra de algodão da Bahia e já foi registrada nas lavouras de soja e algodão de outros 11 Estados. Em maio, o secretário de Agricultura da Bahia (Seagri), Eduardo Salles, já havia falado sobre essa possível investigação de bioterrorismo em um encontro com produtores e secretários de municípios afetados pela infestação da helicoverpa.

Através de sua assessoria de imprensa em Brasília, a Polícia Federal nega que esteja investigando o caso.

 

SLC Agrícola e Mitsui buscam joint venture para commodities

Empreendimento iniciará atividades com a operação de área desenvolvida em São Desidério, na Bahia, pertencente à Agrícola Xingu

A SLC Agrícola informou que, no último dia 3, assinou um documento com a trading japonesa Mitsui & Co. Ltd., com a intenção de constituir uma joint venture para desenvolver atividades de produção e comercialização de commodities agrícolas.

Conforme fato relevante, a joint venture, na qual a participação da SLC Agrícola será de 50,1%, iniciará suas atividades com a operação de área desenvolvida em São Desidério, na Bahia, pertencente à Agrícola Xingu. A área passará a ser denominada Fazenda Paladino, que irá plantar 21.902 hectares na safra 2013/2014, sendo 10.045 hectares de algodão e 11.857 hectares de soja.

A Agrícola Xingu é a produtora agrícola do Grupo Multigrain, subsidiária da Mitsui criada no Brasil, e detém três fazendas em três Estados, cobrindo 116 mil hectares, tendo foco em soja, algodão e milho.

"A SLC Agrícola e a Mitsui estão alinhadas no sentido de buscar um plano de expansão para joint venture nos próximos anos", diz o comunicado. A SLC acrescenta que a transação será ainda submetida à apreciação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Além disso, segundo a SLC, a efetivação da transação está sujeita a estudos técnicos, jurídicos e financeiros, à negociação satisfatória dos documentos definitivos e ao cumprimento de formalidades legais e regulatórias aplicáveis. 

Pesquisa da Embrapa busca soluções para combater Helicoverpa armigera

Além de atacar lavouras de algodão, milho e soja, a praga tem sido identificada em frutos de tomate, pimentão e quiabo, em diversas regiões do país

(Manejo inapropriado, com uso abusivo de agrotóxicos, foi um dos fatores que contribuíram para a crescente incidência da praga)
 
As lagartas do gênero Helicoverpa vêm provocando prejuízos significativos em várias culturas agrícolas em diferentes regiões brasileiras. Até pouco tempo, a Helicoverpa zea era a principal representante da subfamília Heliothinae e tida como praga secundária na horticultura. Ela ataca principalmente a ponta da espiga do milho, a maçã do algodoeiro ou os frutos do tomateiro, porém, sem causar perdas na produção, haja vista, a ação efetiva de inimigos naturais. Em algumas situações, como final da safra de milho ou do algodão a praga se deslocava das lavouras velhas e restos culturais para os cultivos de hortaliças, principalmente de tomateiro, ocasionando o broqueamento de frutos já em fase avançada de desenvolvimento.

>> Confira o Manejo Integrado de Pragas (MIP) Emergencial da Helicoverpa, elaborado pela Embrapa
No entanto, recentemente foi confirmada a ocorrência de Helicoverpa armigera no país. Os primeiros focos dessa nova praga foram registrados em 2011 no oeste baiano, com altas infestações em lavouras de algodoeiro, soja, feijão e milho. Agora, essa praga já pode ser encontrada em várias localidades de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e do Distrito Federal, atacando inclusive frutos de tomate, pimentão e quiabo.

A armigera preocupa a cadeia produtiva do tomateiro em seus diferentes segmentos (tomate tutorado para mesa, tomate rasteiro para processamento industrial e produção orgânica), uma vez que se mostra muito mais agressiva que H. zea (lagarta-da-espiga do milho) e as lagartas do complexo Spodoptera (lagarta militar) é polífaga (se alimenta de diversas espécies vegetais cultivadas e silvestres), pode se adaptar a diferentes condições ambientais e não é facilmente controlada com inseticidas químicos sintéticos.

A distinção entre H. armigera e H. zea, com base tanto nas mariposas adultas como nas lagartas, é muito difícil a olho nu e requer conhecimentos muito específicos de suas estruturas reprodutivas para confirmação da espécie. No momento, o uso de ferramentas de biologia molecular mostra-se indispensável para tal tarefa.

Com o objetivo de desenvolver ações conjuntas, com base na cadeia de produtos mais vulneráveis à H. armigera, pesquisadores da área de entomologia de algumas Unidades da Embrapa formaram uma linha de frente para o enfrentamento do problema. As Unidades Hortaliças (Brasília-DF), Cerrados (Planaltina-DF), Soja (Londrina-PR) e Algodão (Campina Grande-PB) estão atuando de forma integrada e com a perspectiva de identificar pontos em comum, visando o compartilhamento de estratégias e experiências de manejo da praga-alvo nas respectivas culturas trabalhadas pelas unidades nas diversas regiões brasileiras.

As discussões tiveram como base o documento "Ações emergenciais propostas pela Embrapa para o manejo integrado da Helicoverpa spp.", formulado a partir do encontro entre entomologistas da empresa de pesquisa e representantes de produtores e instituições ligadas ao setor produtivo.

A Embrapa considera que o aumento das populações de lagartas do gênero Helicoverpa, principalmente o crescimento abusivo reportado na Bahia, e consequentes prejuízos aos sistemas de produção foram ocasionados por um processo cumulativo de práticas de cultivo inadequadas. O plantio sucessivo de espécies vegetais hospedeiras (milho, soja e algodão) em áreas muito extensas e contíguas, junto com um manejo inapropriado com uso abusivo dos agrotóxicos (http://www.embrapa.br/alerta-helicoverpa/), associado a condições climáticas favoráveis estão entre as principais causas desse desequilíbrio ecológico. Isso também parece ocorrer em várias outras regiões onde tal praga agora chama a atenção de produtores e consultores técnicos.

O grupo de pesquisadores da Embrapa, que vem acompanhando e articulando ações relacionadas ao enfrentamento da H. armigera, esteve reunido nos dias 12 e 13 de junho para a troca de experiências e a proposição de táticas de controle desta praga dentro da filosofia do manejo integrado de pragas (MIP), as quais poderão respaldar em breve os trabalhos de elaboração de um programa nacional de manejo da Helicoverpa.

Com relação ao desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, o pesquisador Miguel Michereff Filho informou que uma das primeiras ações envolveu o levantamento da situação da tomaticultura na região do Distrito Federal e de Goiás. Os resultados não foram nem um pouco animadores, principalmente para os produtores de tomate de mesa.

– Como nesse setor qualquer dano reduz o valor de venda, a infestação vem provocando grandes prejuízos, que podem ser atribuídos, em boa parte, à falta de informações técnico-científicas e de manejo adequado desta nova praga por cerca de 80% dos produtores – registrou Miguel.

No Brasil, ainda não há inseticidas registrados para a H. armigera na cultura do tomateiro, o que torna a convivência e o manejo desta praga ainda mais crítica para as próximas safras, principalmente em Goiás. Apesar disso, há grande expectativa no desenvolvimento tecnológico na área de controle biológico, envolvendo o emprego da vespinha parasitoide de ovos (Trichograma spp.), de inseticidas biológicos a base da bactéria Bacillus thuringiensis (produtos com mistura das subespécies kurstaki e azawai) ou à base de vírus que matam lagartas, os quais poderão ser utilizados tanto na produção convencional como na orgânica. Portanto, o uso de inseticidas seletivos em favor dos inimigos naturais será indispensável para o sucesso no controle da praga. Outro grande reforço para a implementação das táticas de controle é o monitoramento de adultos (mariposas machos) de H. armigera pelo emprego de armadilhas iscadas com feromônio sexual sintético (produto ainda não registrado no Brasil).

A nova tecnologia reduzirá as dificuldades encontradas pelos produtores com o uso de armadilhas luminosas (fontes de energia elétrica no campo, influência da lua cheia na atração das mariposas e confusão na identificação dos insetos descamados) e permitirá que medidas de controle (inseticidas químicos, biológicos e parasitoides de ovos) sejam utilizadas de forma mais efetiva contra a praga. Soluções técnicas existem e o problema gerado pela H. armigera na agricultura brasileira poderá ser resolvido nos próximos anos, desde que haja o empenho de toda a sociedade.

Un objetivo de todos: ser sustentable y producir más


(Pablo Vaquero. Vice de Monsanto)

Aumentar la productividad, utilizando menos recursos, es uno de los objetivos a lograr por la agricultura de hoy. Y también forma parte de las metas que se plantean las empresas en su trabajo de cara al futuro.
Por eso, esos datos también formaron parte de la presentación de su balance de sustentabilidad que hizo Monsanto esta semana, en Buenos Aires.

Allí, la compañía destacó que, a cinco años de haber establecido los objetivos que pretendía alcanzar en materia de agricultura sustentable, se lograron importantes progresos en los tres pilares de producir más, conservar más y mejorar la calidad de vida.

A nivel mundial, la empresa precisó que más de 2,7 millones de pequeños productores adoptaron la biotecnología, lo que les permitió mejorar su productividad y generar ingresos adicionales por casi 5.500 millones de dólares.

“Producimos más, conservando los recursos claves para la producción”, resumió el informe presentado esta semana por Pablo Vaquero, vice de Monsanto para Latinoamerica Sur (Argentina, Uruguay, Paraguay, Bolivia y Chile), en un hotel porteño. Entre los detalles, mencionó que se logró en los últimos 5 años un avance en la productividad que permitó mejorar los rindes de distintos cultivos: 13% en maíz, 10% en soja, 31% en algodón y 21% en colza, en promedio a nivel mundial.

“Gracias a la biotecnología, al mejoramiento génetico y a las prácticas agronómicas, conservamos más los recursos naturales por unidad producida. En este sentido, mejoramos 4% en maíz, 15% en soja y 19% en algodón”, indicó Vaquero.

En el evento, el ejecutivo destacó la necesidad de un correcto uso de los agroquímicos y detalló que la compañía apoya uno de las iniciativas solidarias que considera más útiles del sector agropecuario: la “Chocleada”, que consiste en la cosecha manual de una hectárea de maíz donada por un productor, por parte de voluntarios, y que permitió cosechar 184.260 platos de comida.

Retração de compradores desvaloriza algodão em pluma

Indicador Cepea/Esalq com pagamento em oito dias registrou queda de 1% entre 7 e 14 de maio

(Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma registrou queda de 1% entre 7 e 14 de maio)
 
O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma com pagamento em oito dias registrou queda de 1% entre 7 e 14 de maio, fechando a R$ 1,9771/libra-peso (lp) nessa terça, dia 14. Segundo pesquisadores do Cepea, a retração de compradores e a postura mais flexível de comerciantes empurraram o Indicador para baixo de R$ 2,00/lp no início de maio.

No entanto, cotonicultores se mantêm firmes nos preços pedidos e isso tem limitado as quedas nos últimos dias. Segundo dados da Conab divulgados na quinta, dia 9, a área cultivada com algodão em pluma na safra 2012/2013 teria totalizado 886,7 mil hectares, 36,4% a menos que na temporada anterior.

A produtividade média deve ser de 1.422 kg/hectare (ha), contra 1.347 kg/ha na safra 2011/2012, avanço de 5,6%. A produção nacional de pluma deve diminuir 32,8%, limitando-se a 1,3 milhão de toneladas.

CEPEA