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Os Mirins - Baile de Candieiro

 
Camisa branca lenço colorado
E uma bota nova e calça de riscado
Pelos cabelos muita brilhantina
Que tem bate coxa no salão da esquina

E vou chegando meio ressabiado
Pelo lusco-fusco desse candieiro
E no entreveiro busco a tal morena
Por quem me deixei assim enfeitiçado

E já nos tocamos pro meio do baile
E mais uma volta e uma volta e meia
Toca mais um xote mais uma vaneira
Que eu mostro o meu valor

E eu me apeio pelo seu cangote
E o seu perfume me deixando tonto
Mais uma volteada que eu não abro mão
De quem é o meu amor

(Ah, meu candieiro
Se apagas teu lume agora
Eu pego esta flor de morena
Encilho o meu pingo e me vou mundo afora)

Jairo Lambari Fernandes - Romance de Flor e Luna


Quando um dia Rosaflor chegou no rancho
Pequeno mundo num fundão de corredor
Enxergou um pingo baio encilhado
E um gaúcho com um gateado no fiador
Mariano Luna domador seguia os ventos
Trazendo mansos pra cambiar pelas estradas
E Rosaflor filha mais moça do seu Nico
Lavava roupa junto às pedras da aguada
Rosaflor num riso manso e buenas noite
Entrou no rancho com seus olhos de querer
 

Mariano Luna e suas pilchas já puídas
Disse a moça um outro buenas sem dizer, sem dizer

Mariano Luna que tinha lua nos olhos
Entregou esse clarão aos olhos dela
E apagou a luz extrema que continha
Da outra lua que apontava na janela
A lavadeira pouco sabia das luas
E ainda menos dos olhares que elas têm
E descobriu então nos olhos do andante
Que de amores nem as flores sabem bem
Que de amores nem as flores sabem bem


O domador que só sabia desses campos
Sabia pouco do azul que vem das flores
Mas descobriu depois de léguas de estradas
Que há muito tempo não cuidava seus amores
De flor e luna se enfeitou o rancho tosco
Pequeno mundo num fundão de corredor
Que sem saber ficou mais claro e mais silente
Depois que lua debruçou-se sobre a flor
Ficou a estrada sem ninguém pra ir embora
E risos largos diferentes do normal
Um baio manso pastando pelo potreiro
E bombachas limpas pendurada no varal, no varal

Porca Véia - Gaiteiro Por Demais



Troquei meu cavalo baio, e uns arreios que eu tinha
Por uma cordeona velha, só pra tocar pras prendinhas
Cresci carpindo mandioca, dormindo pelas tafonas
Hoje eu lido no teclado, da minha velha cordeona


E ninguém acreditava
Que eu fosse virar gaiteiro
Hoje eu vivo encilhado
Num balanco bem campeiro


Gaiteiro, OH! Gaiteiro por demais eu sou!
Gaiteiro, OH! Aonde o vento vai eu vou!


O meu pai sempre dizia: -Oh, guri vai estudar!
Pois Depois que eu me for, quem vai te sustentar
Meu velho fica tranquilo, teu filho hoje e um taita
Pois ganho a vida com honra, abraçado na minha gaita


O meu pia desde pequeno, conhece bem o meu toque
Já me pediu uma gaita, em vez de bola ou bodoque
Quero que cresça tocando, por este Rio Grande inteiro
Vou lhe deixar de herança, a tradição de gaiteiro

Luiz Marenco - Todo o Meu Canto



Meu canto veio do tempo
tem futuro e tem passado
e o compromisso firmado
com as verdades do presente
o meu cantar é consciente
tem a palavra dos campos
e a voz de outros tantos
que conhecem terra e gente.


Meu canto abre porteiras
por onde ele cruzar
e pode desincilhar
em qualquer galpão fronteiro
pois é sempre verdadeiro
tem raiz, cerno e semente
e recebeu de minha gente
a alma de ser campeiro.


Só sei cantar do meu jeito
e se isso for defeito, mil perdões!
É que aprendi ser eu mesmo
vivendo meu próprio tempo
sem respeitar convenções...


Meu canto veio da terra
pois nasceu do coração
qual fruto que a emoção
concebe sem perceber
Pois só no vale o saber
com luz da inspiração
Pois a arte é floração
e ânsia de transceder...


Pois todo aquele que canta
já nasce com a obrigação
de cumprir uma missão
que pague o merecimento.
Pois quem trás no pensamento
seu destino firmado
sabe que Deus faz costado aos homens de sentimento.