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Mapa cria novas normas para controle do cancro cítrico

Serviços sanitários e produtores têm 180 dias para se adaptarem às exigências.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabeleceu novas regras para o controle do cancro cítrico no Brasil. Esta praga quarentenária, sob controle oficial no país, provoca manchas em frutos como laranja e limão, comprometendo a comercialização.
Segundo a instrução normativa n° 37, publicada nesta terça-feira (6), no Diário Oficial da União, os estados e o Distrito Federal deverão adotar práticas para a erradicação das plantas infectadas e para o controle da bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, causadora do cancro. 

Na impossibilidade de adoção das medidas, os serviços de sanidade vegetal das unidades da Federação poderão estabelecer, junto com os agricultores, uma alternativa denominada Sistema de Mitigação de Risco. É um conjunto de práticas integradas para reduzir o risco associado à praga nos produtos comercializados. 

“As regras são o resultado de mais de dois anos de estudo, que mobilizaram especialistas e agentes envolvidos no controle da praga no país”, diz o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal do Mapa, Marcus Coelho.

A instrução normativa vai entra em vigor dentro de 180 dias. De acordo com o diretor do DSV, o prazo é necessário que os agricultores e os serviços estaduais de sanidade vegetal se preparem para a adequação às novas regras.
Confira aqui a instrução normativa.
Mais informações à imprensa:
Assessoria de comunicação social
imprensa@agricultura.gov.br

Governo chinês tenta acalmar população que teme vírus da gripe aviária

Oficiais da Organização Mundial de Saúde defendem que o H7N9 é uma infecção transmitida de aves para humanos 

Doença na China continua pontual e foi transmitida apenas para 
os seres humanos que tiveram contato próximo com aves
 
Autoridades de saúde da China estão se mobilizando para tentar acalmar temores de disseminação do vírus da gripe aviária H7N9 depois que três integrantes de uma família chinesa contraíram a doença. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está trabalhando com autoridades chinesas para investigar a família, mas oficiais da OMS ainda defendem que o H7N9 é uma infecção transmitida de aves para humanos, disse um porta-voz da organização em Pequim. Até o momento não houve "nenhuma evidência de transmissão sustentada de humano para humano", salientou o porta-voz, acrescentando que é natural que os casos de infecções gripais aumentem no inverno, quando o clima está mais frio.
Autoridades de saúde da província costeira de Zhejiang afirmaram na quarta, dia 29, ter confirmado três novos casos de infecção por H7N9 em Hangzhou em um "núcleo familiar", termo usado na saúde pública para definir um episódio de infecção de vários membros da família, de acordo com nota da Comissão de Saúde e Família de Zhejiang. O comunicado destacou que, antes do vírus, os pacientes tinham similar exposição ao ambiente e contato próximo uns com os outros. Mas não disse se os membros da família foram expostos a aves vivas antes de adoecer. Conforme o comunicado, oficiais de saúde estão investigando o assunto.
A preocupação sobre a propagação do vírus se intensificou na China à medida que o país se prepara para celebrar o Ano Novo Lunar na sexta, dia 31, um feriado no qual se espera que cidadãos chineses façam mais de 3 bilhões de viagens para ver membros da família.

As autoridades chinesas dizem que a doença na China continua pontual e foi transmitida apenas para os seres humanos que tiveram contato próximo com aves, mas estão aconselhando o público a cozinhar bem os alimentos e lavar as mãos com frequência.

O governo chinês fechou nos últimos dias mercados de aves vivas na província de Zhejiang, onde as infecções por H7N9 subiram para 49, incluindo 12 mortes, este ano, de acordo com a agência oficial de notícias Xinhua. Em nível nacional, foram registrados 110 casos no ano até o momento, de acordo com o jornal estatal Diário do Povo.

O total de casos na China continental desde que o vírus surgiu no país no ano passado até agora soma 254, de acordo com um registro mantido por autoridades de saúde de Hong Kong.

Hong Kong abateu cerca de 20 mil frangos e anunciou na terça, dia 28, a suspensão temporária das importações de aves vivas da China para ajudar a prevenir a propagação da doença lá. Enquanto isso, autoridades de Hong Kong apontaram que a cidade registrou a terceira morte relacionada com o H7N9 na quarta. Um homem de 75 anos morreu após contrair a doença em visita a um parente em Shenzhen, que vivia perto de um mercado de aves.

Controle da helicoverpa pode começar no campo, diz pesquisador da Embrapa

Crébio José Ávila destaca que o produtor precisa realizar o monitoramento desde os ovos, larvas, pupas e adultos

(Produtor precisa fazer o monitoramento)
 
O pesquisador e entomologista da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), e também integrante da Comissão Organizadora do 13º Siconbiol, Crébio José Ávila, destaca que o controle da helicoverpa pode começar no campo.
1 - Como o produtor identifica a lagarta de Helicoverpa armigera? Como ela se diferencia visualmente das outras lagartas? O produtor pode realizar essa identificação ou é somente em laboratório?

Crébio - O produtor pode identificar no campo. Tendo uma lupa de bolso, é suficiente para ele separar essas lagartas. As lagartas da subfamília Heliothinae possui três espécies que nos confundem. Uma é a Heliothis virescens, que é a lagarta-das-maçãs; a outra é a Helicoverpa zea, ou lagarta-da-espiga-do-milho; e a terceira é a Helicoverpa armigera. No caso de separar a Heliothis da Helicoverpa é muito fácil: basta olhar na inserção da base dos pelos, no quarto segmento da lagarta. Se houver espinho na base do pelo, é a Heliothis virescens. Se não tiver espinho na base do pelo, será Helicoverpa: Helicoverpa zea ou Helicoverpa armigera. No caso da Helicoverpa armigera, tem uma característica muito importante: no quarto segmento da lagarta - que é o primeiro segmento abdominal - existem algumas estruturas escurecidas no pelo, como se fosse o formato de cela. Outra característica é que ela possui grande quantidade de pelos brancos sobre o corpo da lagarta. Tem também um aspecto coriáceo, mais endurecido quando se passa o dedo sobre a lagarta. Mas a confirmação segura realmente é uma lupa de laboratório para fazer a triagem correta da identificação da espécie.

2 - Quais são as boas práticas agrícolas que o produtor rural deve adotar para evitar a proliferação de pragas?

Crébio - Para evitar qualquer tipo de praga, basicamente, o produtor deve adotar as práticas agrícolas, inseridas no Manejo Integrado de Pragas, o MIP. Uma das primeiras ações que deve ser fazer no MIP é o monitoramento das pragas, seja de ovos, lagartas ou adultos, para se ter subsídios para tomada de decisão para se realizar o controle no momento certo. Já a aplicação de inseticida ou produto biológico deve ser realizada somente quando for necessária para o controle ideal das pragas no tempo correto. Práticas, como por exemplo, uso de fungicidas devem ser evitadas, porque os fungicidas interferem no controle biológico, prejudicando o manejo de pragas.

3 - Quais têm sido as ações da Embrapa como um todo e parceiros em pesquisas para o controle da helicoverpa?

Crébio - O Ministério da Agricultura, incumbiu e envolveu a Embrapa para propor um estudo, um plano de ação emergencial do manejo dessa praga. Durante o mês de abril, reuniram-se em Brasília mais de 30 entomologistas e durante três dias foi preparado um plano emergencial para o manejo dessa praga em diferentes sistemas de cultivo do Brasil. Esse documento foi elaborado e está disponível no site da Embrapa para quem quiser consultar. É um documento orientador básico do manejo emergencial dessa praga. Depois a Embrapa mesmo fez ações de divulgação, de transferência de tecnologia como forma de workshop na Bahia, em Mato Grosso do Sul nós temos várias ações de transferência de tecnologia, várias palestras informando consultores e assistência técnica sobre como identificar a praga e o potencial de dano da praga. A Embrapa também está se organizando em pesquisa por meio de arranjo e de portfólio de projeto, para criar uma rede de pesquisa para desenvolver ações e soluções de manejo dessa praga.

4 - Como o agricultor deve realizar o processo de amostragem?

Crébio - Pode ser feita a amostragem de adulto, ovos, lagartas, pupas. São todas formas biológicas do inseto para se ter a informação do potencial de danos que esse inseto possa estar causando na área. No caso de adultos, podem ser usadas armadilhas luminosas na lavoura para coletar adulto, ou também podem ser instaladas armadilhas de feromônios. É o feromônio sexual da praga que vai atrair e capturar adultos. No caso da armadilha luminosa, ela coleta, além da helicoverpa, muitos outros adultos e fica até um pouco difícil fazer a triagem e separação. No caso da armadilha com feromônio, vai se capturar praticamente indivíduos helicoverpa e alguns indivíduos Heliothis que estão no meio, portanto é uma forma mais seletiva para coletar. No caso de ovos, lagartas e pupas, é preciso fazer inspeções visuais. No caso de ovos, olhar as plantas; no caso de lagartas, olhar as plantas ou usar o pano de batida; e pupas fazer amostragem no solo. O pano de batida é realmente o mais utilizado na parte área das plantas para avaliar lagartas.

5 - Até o momento, qual é a indicação de Manejo Integrado de Pragas para a H.armigera?

Crébio - Tem que se usar ações do Manejo Integrado de Pragas. O principal seria o monitoramento - ovos, larvas, pupas e adultos - e isso vai servir de subsídio para tomar decisão de táticas de controle. Hoje, já existe ação como Manejo Integrado de Pragas para helicoverpa o controle biológico, que pode ser natural ou aplicado. O primeiro ocorre naturalmente e, logicamente, pode-se favorecer esse controle biológico natural quando se usa inseticidas seletivos, quando se usa ações com que façam que esses indivíduos se multipliquem no ambiente naturalmente. Ou o controle biológico aplicado, em que se libera os inimigos naturais para o controle das formas da helicoverpa. Existe, por exemplo, uma vespinha do gênero Trichogramma, que coloca seu ovo no ovo da helicoverpa. Em vez de nascer uma lagartinha, vai nascer uma outra vespinha. Esse é um controle biológico muito importante. Existem também um grande número de parasitoides que parasitam as lagartas. Por exemplo, nessa safra 2013, na safrinha, 50% das lagartas coletadas na região de cascavel no Paraná estava parasitado por um parasitoide da família Tachinidae. Isso está evidenciando e mostrando o potencial que tem o controle. Existe controle também com ações de manejo integrado que é o controle cultural. Por exemplo, o calendário de plantio: se o produtor faz um plantio de forma concentrada e a janela de plantio seja mais estreita possível, é muito importante para reduzir a infestação da praga na cultura da soja, na cultura do algodão. O vazio sanitário também é muito importante, que é aquele período em que não se deve deixar plantas vegetando para não se constituir a ponte verde para o desenvolvimento da praga. O vazio sanitário é de extrema importância como estratégia de manejo. Existe também a possibilidade de controle de pupa com nematoide entomopatogênico. E, por último, a ferramenta emergencial que nós temos usado é o controle químico que funciona razoavelmente muito bem para helicoverpa se você aplica no momento certo e na dose correta.

6 - A helicoverpa realmente é resistente às plantas transgênicas que expressam a toxina Bt? 

Crébio - Isso não está muito conhecido ainda, essas informações para nossas condições brasileiras não estão esclarecidas, porque essa praga é relativamente nova em nossa região. A Bt funciona muito bem, no caso da soja, em um complexo de pragas, no caso da lagarta-da-soja, da falsa-medideira, broca-das-axilas. Mas, no caso de helicoverpa, existem alguns trabalhos já mostrando que ela tem, talvez não controle, mas ela tem uma supressão sobre a população de lagartas. Eu acredito, basicamente, que a soja Bt vai ser uma ferramenta importante também que vai contribuir para o manejo da helicoverpa. Se ela não der o controle satisfatório, esperado como observado com outras pragas, ela vai causar alguma supressão e vai contribuir de maneira positiva para o manejo.

7 - Qual a mensagem o senhor deixa para o produtor sobre o controle de pragas, especialmente em relação à helicoverpa?

Crébio - É que o produtor tem que ter consciência que estamos diante de um grande problema. Essa praga realmente tem um poder de destruição muito grande e nós temos que ter consciência disso para tomar as ações. A segunda mensagem é que somente nós vamos conseguir manejar essa praga se seguirmos os preceitos e filosofias do manejo integrado. O manejo integrado é o que vai garantir a produtividade do produtor e a sustentabilidade do agroecossistema.

Embrapa simula desenvolvimento de helicoverpa em cultivos preferenciais da praga

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros

(Praga está presente em mais de 10 Estados do país)
 
No início de 2013, a Helicoverpa armigera havia sido constatada em três Estados brasileiros. Atualmente, já está confirmado em mais de 10. É considerada uma praga exótica de importância econômica que demanda esforços de contenção, controle e pesquisa. Conforme os pesquisadores, já foram iniciadas ações pelas secretarias de Agricultura dos Estados onde a praga já foi notificada e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que consideram as estratégias de controle propostas pela Embrapa para ações emergenciais.

A Embrapa também identificou trabalhos desenvolvidos no exterior, em fase de aperfeiçoamento, necessários para conhecer melhor o comportamento e a dinâmica da praga no ambiente brasileiro e até oferecer futuras opções para ampliar a disponibilidade de alternativas para o controle do inseto, com menor impacto ambiental. Entre os trabalhos já desenvolvidos, a Embrapa Meio Ambiente disponibilizou, em junho, resultados de trabalhos do Laboratório de Quarentena “Costa Lima” (LQC), o único no Brasil credenciado pelo Mapa  para introduzir inimigos naturais e outros benéficos para o controle de pragas e outros fins científicos.

De acordo com a avaliação da equipe do LQC, as estratégias de manejo integrado de controle do inseto também devem estar fundamentadas em estudos prospectivos de estimativas das durações das fases imaturas de desenvolvimento da helicoverpa em localidades brasileiras, considerando o período de safra do cultivo atacado. É necessário determinar a provável quantidade de gerações da praga por ciclo das plantas hospedeiras preferenciais, bem como os períodos mais favoráveis à maior disponibilidade de ovos, lagartas, pupas (estas últimas enterradas no solo) e de mariposas (fase adulta), fundamentando a identificação da melhor estratégia de controle para cada fase de desenvolvimento do inseto.

– Dados disponibilizados para acesso público por instituições de pesquisa e de assistência técnica do Estado de São Paulo possibilitaram ao LQC ranquear os maiores produtores de milho, algodão, tomate, feijão e soja, como também identificar condições climáticas desses municípios – disse a pesquisadora da equipe da Embrapa Meio Ambiente, Maria Conceição Pessoa.

Entre os dez maiores produtores de cada cultivo, a pesquisadora Jeanne Marinho Prado, também da equipe do LQC, informa que foram identificados municípios com maior produção e número de cultivos hospedeiros principais do inseto, muitos dos quais com esses plantios durante a maior parte do ano em função dos seus diferentes períodos.

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros preferenciais, motivo pelo qual o trabalho do LQC priorizou estimar gerações de helicoverpa nessas áreas.

Na área sudoeste do Estado, Itapeva foi identificada como grande produtor de milho, tomate, algodão, soja e feijão. Maria Conceição explica que as características climáticas e de períodos de plantios dos cultivos foram utilizados para simular o potencial desenvolvimento da praga em soja, feijão, tomate, milho e algodão na região sudoeste do Estado, considerando as necessidades térmicas das diferentes fases do ciclo de desenvolvimento da praga já realizado pela equipe.

O mesmo método possibilitou identificar outra área de produção expressiva de soja ao norte do Estado, localizada na região de Barretos, pertencente a um dos grandes polos agroindustriais do estado, bem como outras áreas produtoras de cultivos hospedeiros preferenciais da praga, tais como aquelas pertencentes à regional de Orlândia.

– Outras potenciais contribuições do LQC seriam a busca exploratória na fauna nativa brasileira (bioprospecção) ou introdução de insetos ou microrganismos exóticos para pesquisa de potenciais bioagentes de controle, visando subsidiar ações para planos de manejo integrado do inseto – salienta o pesquisador Luiz Alexandre de Sá.

Helicoverpa armigera no Manejo Integrado de Pragas de Milho


    O cultivo de milho pode ser atacado por diferentes espécies de inseto desde o plantio até próximo à colheita. No entanto, algumas espécies merecem maior atenção por parte dos agricultores devido ao local de ataque. É o caso, por exemplo, das espécies que atacam as partes reprodutivas da planta, como o complexo de insetos denominados “lagartas”. A espécie mais tradicional e reconhecida como a mais importante é a lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea. No entanto, nas espigas é também possível ser encontrada a lagarta-pequena, Dichomeris famulata, a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda e a broca da cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis. À exceção da H. zea e D. famulata, que são intimamente associadas à espiga, as outras espécies podem ocorrer em outras partes da planta, como folhas e colmos.

    O controle tradicional das espécies que atacam as espigas é dificultado pela localização das lagartas, geralmente protegidas dentro da espiga, sob as palhas. Quando o controle é através da pulverização com produtos químicos, além da baixa eficiência, há sempre o risco de eliminação de agentes de controle biológico e contaminação ambiental. Além do mais, a pulverização depende da disponibilidade de equipamentos apropriados que possibilitem a aplicação sobre plantas de tamanho elevado, incluindo, além da aplicação tratorizada, a aplicação via água de irrigação ou até mesmo a aplicação aérea. Tais equipamentos não são disponíveis para grande parte dos agricultores brasileiros e, portanto, nesta situação a pulverização não é feita. A ausência de inseticidas permite ao longo do tempo, a colonização de insetos benéficos específicos que acabam por reduzir a população da praga a níveis insuficientes para causar danos econômicos. É o caso, por exemplo, do parasitóide de ovos do gênero Trichogramma que pode atingir taxas de parasitismo acima de 70% em ovos de H. zea (“lagarta-da-espiga”). Outros agentes de controle biológico, também importantes e complementares, incluem a tesourinha, Doru luteipes e o percevejo Orius. Ambos são normalmente encontrados na espiga do milho.

    Recentemente, uma nova espécie de praga foi identificada no Brasil atacando entre outras espécies vegetais, o milho, a soja e o algodão, notadamente no Oeste da Bahia com grande severidade, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos. A espécie em questão, conhecida cientificamente como Helicoverpa armigera é muito próxima da lagarta-da-espiga, H. zea, não sendo ambas facilmente separadas visualmente. É uma espécie muito severa em países da Ásia, África e Austrália. Tem como hospedeiro, além dos cultivos já mencionados, o sorgo granífero; painço; girassol; cereais de Inverno, como trigo, aveia, cevada e triticale; linhaça; grão de bico; feijão; e culturas hortícolas, como cerejas, tomate, pepino e frutas cítricas. 

    O que torna a praga importante e severa é o fato de possuir alta mobilidade, polifagia e alta taxa de reprodução. Um problema agravante ao manejo da praga tem sido também o desenvolvimento da resistência aos inseticidas, já documentado na literatura, especialmente em relação a piretróides sintéticos, embora já haja registro de resistência a outros grupos de inseticidas, como carbamatos e organofosforados. 

    Como a espécie H. zea, os ovos de H. armigera são geralmente postos sobre o “cabelo” do milho. Ao eclodir as larvas consomem os grãos em desenvolvimento e, além deste dano direto, é comum ocorrer infecções bacterianas secundárias. As larvas também podem se alimentar das folhas do cartucho, das folhas mais desenvolvidas e do pendão.

    O ciclo de vida do inseto é em torno de um mês, o que permite a existência de várias gerações anuais e contínuas especialmente nas áreas mais quentes. Ocorrem seis estágios larvais e a larva quando completamente desenvolvida chega a 35-40 mm de comprimento. A pupa é marrom escura, com 14-18 mm de comprimento, com superfície lisa, arredondada, tanto anterior como posteriormente, com dois espinhos paralelos na ponta posterior.

MANEJO DA PRAGA

    A fase de ovo é crucial no ciclo de vida de H. armigera uma vez que alta taxa de mortalidade é verificada nesta fase. A literatura mundial tem relatado acima de 88% de mortalidade de ovos de H. armigera, principalmente nos primeiros três dias de oviposição. Esta taxa de mortalidade pode chegar a 95% de mortalidade, considerando-se a fase de ovo e os primeiros estágios larvais. O principal agente de controle biológico para liberação em nível de campo para o controle de ovos de diversas espécies de Lepidoptera é o Trichogramma, um inseto diminuto, porém com alta eficiência no controle das pragas. Além desta eficiência, já existe disponibilidade comercial em diferentes países, incluindo o Brasil. A liberação deste agente de controle biológico deve estar associada com armadilha contendo feromônio sexual que, ao ser utilizado no campo, serve para detectar a chegada da mariposa na área alvo e indicar a época de liberação. A armadilha, bem como o feromônio sexual, já está disponível no mercado internacional.

    O correto manejo das pragas de milho necessariamente deve considerar a possibilidade de liberação de Trichogramma tanto para o controle da lagarta-do-cartucho, como para o controle do complexo de Helicoverpa. O alto índice de parasitismo natural de ovos da “lagarta-da-espiga” indica a adaptação da espécie no agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera. Na realidade, muito se tem pesquisado no Brasil mostrando a importância dos agentes de controle biológico das diferentes espécies de insetos fitófagos associados ao milho. Tanto em áreas de produção onde se utiliza o milho convencional, como em áreas onde há utilização de milho Bt a importância de insetos (parasitóides e predadores) e de microrganismos como tática essencial no manejo integrado não pode deve negligenciada. 


    A introdução de uma nova espécie de praga no sistema agrícola brasileiro mostra a importância de se ter rotineiramente o Manejo Integrado como princípio fundamental, de tal modo que o produtor possa rapidamente adequar medidas que também sejam eficientes, econômicas e ambientalmente adequadas para reduzir a população da nova praga a níveis não econômicos.  Obviamente, as demais espécies de insetos fitófagos não devem ser negligenciadas por conta do aparecimento de novas pragas. Todo o conhecimento gerado pelas Instituições de Pesquisa deve ser normalmente entendido e utilizado para reduzir a probabilidade de haver prejuízos aos produtores e à sociedade como um todo.

Embrapa defende Manejo Integrado de Pragas e uso de inimigos naturais para combater Helicoverpa

Chefe da Embrapa Milho e Sorgo, Antônio Álvaro Corsetti Purcino, aconselha a utilização de feromônios para atrair as lagartas durante monitoramento

(Documento da Embrapa para controlar a Helicoverpa está disponível na internet)
 
O chefe da Embrapa Milho e Sorgo, Antônio Álvaro Corsetti Purcino, afirmou nesta sexta, dia 30, que o monitoramento é um dos passos principais para combater a Helicoverpa armigera, que tem causado prejuízos bilionários nas plantações de soja, milho e algodão, e afetado outras 17 culturas, como a do tomate e a do pimentão. Ele defende o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e a utilização de inimigos naturais nas lavouras.

– Estamos distribuindo um boletim técnico que trata do manejo integrado em lavouras e faz recomendações de como o produtor pode controlar a Helicoverpa, utilizando também cultivares transgênicas eficientes e inseticidas eficientes – diz Purcino.
 
Leia o documento oficial da Embrapa com ações emergenciais contra Helicoverpa

Purcino alerta para a necessidade de os agricultores realizarem inspeções nas lavouras com mais frequência, utilizando feromônios liberados pelo Ministério da Agricultura, um composto químico que atrai a lagarta através de um odor. De acordo com o especialista, o tratamento deve iniciar após a detecção do nível básico de infestação, que é de três mariposas por metro quadrado de voo à noite.

– Quando atinge esse nível de infestação, você deve usar técnicas de controle – aconselha o chefe da Embrapa Milho e Sorgo.

Purcino ressalta que um dos problemas atuais é que as lavouras infectadas estão muito fechadas, com espaçamentos pequenos entre as plantas.

– É difícil que a aplicação do veneno atinja a praga nesse estágio porque a lagarta fica protegida dentros dos frutos [na vagem da soja, no algodão ou na espiga do milho]. O inseticida, usado por pulverização ou por via aérea, não consegue atingir a praga, que precisa receber uma certa quantia mínima de agrotóxico para ser controlada. O aparecimento da mariposa no campo deve ser sempre monitorado.

A Helicoverpa armigera é resistente a vários inseticidas e se alimenta de cerca de 20 culturas no Brasil. O especialista alerta que é necessário não só utilizar o agrotóxico, mas aplicá-lo com as técnicas corretas.

Mais oito Estados brasileiros são reconhecidos como áreas livres da febre aftosa

Ministro da Agricultura reconheceu o norte do Pará como zona livre da doença nesse domingo, dia 18. Próximos Estados serão reconhecidos nos próximos dias

(Norte do Pará foi reconhecido como zona livre da febre aftosa nesse domingo, dia 18)
 
O ministro da Agricultura, Antônio Andrade, assinou nesse domingo, dia 18, em Paragominas (PA), uma Instrução Normativa reconhecendo o norte do Pará como zona livre de aftosa, integrando totalmente o Estado à área de segurança sanitária contra a doença, porque o centro-sul já estava certificado. Andrade também anunciou que mais sete Estados brasileiros receberão o mesmo reconhecimento por meio de Instruções Normativas que serão assinadas nos próximos dias. São eles Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.

Com a inclusão das áreas, 99% do rebanho de bovinos e búfalos e 78% do território nacional passam a ser livres da doença. Anteriormente, 89% do rebanho eram imunes e 60% do território eram livres da febre.

Após o reconhecimento pelo Ministério da Agricultura, o próximo passo é enviar pleito à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) solicitando o aval internacional para as novas áreas. A solicitação será feita em outubro e a expectativa é que o certificado da OIE seja obtido em maio de 2014. O objetivo do Brasil é obter da entidade o status de país livre da doença até 2015.

Para isso, é preciso esforço para imunizar os rebanhos do Amapá, de Roraima e de parte do Amazonas. As três áreas ainda são consideradas de alto risco. Antônio Andrade disse que o governo intensificará o trabalho para que os três locais alcancem reconhecimento.

– Quando esses Estados forem certificados pela OIE, 78% do território nacional serão reconhecidos internacionalmente como livres de febre aftosa, diminuindo as restrições de trânsito interno e possibilitando a abertura de vários mercados ainda inacessíveis para os produtos dessa zona – explicou.

De acordo com Guilherme Marques, diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, os municípios do Amazonas que ainda não foram certificados devem evoluir para área de médio risco nos próximos dias. O norte do Pará e os outros Estados prestes a serem declarados livres de febre aftosa também eram considerados de médio risco para a doença até esse domingo.

Já são certificados como áreas livres da doença com vacinação os seguintes Estados: Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

As áreas certificadas incluem ainda o Distrito Federal e os municípios de Guajará e Boca do Acre, no Amazonas, todos reconhecidos como livres de aftosa com vacinação. Santa Catarina é a única área no Brasil considerada livre da doença sem necessidade de vacinação, desde 2007.

Para combater o problema da aftosa, o governo criou em 1992 o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção Contra a Febre Aftosa. A doença causa febre e aparecimento de aftas na boca e nos pés de bovinos, búfalos, caprinos, ovinos e suínos. Ela é causada por um vírus e é contagiosa. O último foco de aftosa no Brasil foi detectado em 2006 em Mato Grosso do Sul e no Paraná.

Culturas de inverno apresentam bom desenvolvimento no Rio Grande do Sul

Trigo não foi prejudicado pelas recentes geadas e apresenta bom aspecto sanitário

(Trigo não foi prejudicada pelas recentes geadas no Ri Grande do Sul e apresenta bom aspecto sanitário)
 
As culturas de inverno - trigo, canola e cevada - apresentam bom desenvolvimento no Rio Grande do Sul.

Conforme informações da Emater/RS-Ascar, as condições climáticas dos últimos dias foram favoráveis às lavouras de trigo, apesar de períodos de temperaturas mais elevadas que ocasionaram os primeiros focos de ferrugem.

De maneira geral, a cultura do trigo apresenta bom aspecto sanitário, não sendo prejudicada pelas recentes geadas, ao contrário do ocorrido no Paraná, onde a redução na safra está estimada, segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em cerca de 30% devido ao fenômeno climático.

Com a redução de oferta de trigo no mercado em nível nacional por conta dos prejuízos no Paraná, os preços vêm reagindo de forma intensa nos últimos dias, com a saca de 60 quilos cotada entre R$ 30,00 e R$ 37,00. A média para o Estado ficou em R$ 34,55, o que corresponde a um aumento de 3,26% na semana. Em relação ao ano passado, a vantagem chega a 27,54%.

As lavouras de canola, que estão em sua grande maioria nas fases de desenvolvimento vegetativo e floração, também apresentam boa evolução e tendência de bom potencial produtivo. No momento, a atividade dos produtores concentra-se nas práticas culturais necessárias, como aplicação de nitrogênio em cobertura. A sanidade das plantas é boa, não havendo problemas com pragas e doenças. O atual valor de referência é de R$ 59,00 por saca.

Beneficiada pelas condições climáticas, a cevada é outra cultura de inverno que está com bom potencial produtivo. As lavouras encontram-se nas fases de desenvolvimento vegetativo e elongação, sem problemas com pragas e doenças. Os produtores dedicam-se, atualmente, à aplicação de nitrogênio em cobertura e de fungicida. O excesso de precipitações ocorridas no último período preocupa os agricultores pela possibilidade da instalação de doenças nas lavouras. O preço referencial da cevada mantém-se em R$ 510,00 por tonelada.

Inverno é o momento ideal para tratar a verminose no rebanho, alerta veterinária

Controle nesta época do ano evita maiores perdas no rebanho 

(Aproveitar o inverno para tratar a verminose é uma estratégia eficiente)
 
Durante o inverno, uma das preocupações mais constantes dos produtores está no manejo sanitário e alimentar dos animais. Alguns cuidados básicos precisam ser tomados para evitar as perdas no rebanho e a manutenção da produção.

De acordo com a veterinária Sandra Carneiro, este é o momento ideal para se fazer um manejo correto contra as verminoses, já que, devido ao frio e à seca, os vermes encontram-se dentro do animal.

– Desta forma, evita-se a contaminação do ambiente na época de calor, quebrando o ciclo. É uma forma estratégica de controle.

Outra questão que precisa ser levada em consideração é o cuidado com os animais mais novos. O produtor Rubens Catenacci, especialista na produção de bezerros, ressalta a importância do manejo sanitário adequado desde o nascimento dos bezerros.

– Cumprimos o calendário à risca, pois estes animais tem menos imunidade do que os animais mais erados, tornando o cuidado redobrado até mesmo quando começa os nascimentos dos nossos bezerros. Por isso é importante utilizar bons produtos, pois são eles que farão a diferença na saúde do rebanho – enfatiza Rubens.

Segundo Sandra, o maior desafio é justamente lidar com essa baixa imunidade dos animais, que diminui em média aos quatro meses.

– Recomenda-se fazer uma vermifugação e a vacina do carbúnculo nesta época, para que o bezerro chegue à desmama sem verminoses e protegido das doenças.

Gripe aviária H7N9 mata 44 pessoas na China

Número de pessoas infectadas com o vírus no país chega a 134

(H7N9 foi identificado na China foi em fevereiro)
 
A gripe aviária H7N9 matou 44 pessoas na China. No último dia 9, foi confirmado mais um caso de infecção na província de Guangdong, no Sul do país, que elevou para 134 o número total de pessoas infectadas com o vírus no país.

A primeira vez que o H7N9 foi identificado na China foi em fevereiro. Ao longo dos meses, os especialistas não tinham certeza se era possível ocorrer a transmissão do vírus entre pessoas. Mas um artigo, publicado na revista British Medical Journal, revelou a existência de um caso de contágio entre duas pessoas. Ambas morreram.

Instituto gaúcho poderá oferecer exames de disenteria suína

Desde 2012, especialistas registram novos casos de disenteria em algumas granjas; suspeita é de que uma nova cepa esteja atingindo animais que não estão imunes

(Disenteria provoca muitos prejuízos à suinocultura)
 
O Fundesa (Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul) comunicou que irá custear um treinamento para que pesquisadores do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), na Universidade Federal de Minas Gerais, se habilitem a realizar exames que detectem a disenteria em suínos. Conforme o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, trata-se de uma doença importante para o rebanho suíno, e é necessário ter um laboratório oficial no Estado para a realização dos testes.

A disenteria provoca muitos prejuízos à suinocultura. A doença, causada pela bactéria Brachspyra, foi detectada pela primeira vez no Brasil em 1978. Após diversos trabalhos de desinfecção e tratamentos nas granjas, a ocorrência foi reduzida. Porém, desde o ano passado, especialistas têm registrado novos casos de disenteria em algumas granjas. A suspeita é de que uma nova cepa esteja atingindo animais que não têm imunidade contra a doença. A patologia pode provocar perda de até cem gramas por dia na conversão alimentar.

– Trata-se de uma bactéria de difícil isolamento e cultura – explica a pesquisadora do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), Fabiana Mayer.

Segundo Kerber, a recomendação nos casos da doença é a realização da despopulação da granja e vazio sanitário.

– Isso demonstra a importância de adotar todos os cuidados relacionados à biossegurança nas granjas pois trata-se de uma doença que deve ser muito bem controlada – afirma. 

Helicoverpa pode ter sido implantada no Brasil por concorrentes internacionais

Abin e Polícia Federal estariam investigando suspeita de bioterrorismo

(Lagarta agressiva já foi encontrada em 12 Estados brasileiros)
 
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Federal estariam investigando uma suspeita de bioterrorismo envolvendo a lagarta Helicoverpa armígera. A informação recebida é de que proeminentes pesquisadores brasileiros já teriam sido questionados por agentes da Abin sobre o assunto. 

A suspeita baseia-se em dois fatos: a lagarta apareceu muito recentemente e já causou grandes prejuízos, pois o país não estava preparado para combatê-la; analistas internacionais apontam que até o final desta década o Brasil se tornará o maior produtor mundial de alimentos. A ação de bioterrorismo teria sido feita por competidores estrangeiros.

A lagarta é responsável por um prejuízo de R$ 1,7 bilhão na safra de algodão da Bahia e já foi registrada nas lavouras de soja e algodão de outros 11 Estados. Em maio, o secretário de Agricultura da Bahia (Seagri), Eduardo Salles, já havia falado sobre essa possível investigação de bioterrorismo em um encontro com produtores e secretários de municípios afetados pela infestação da helicoverpa.

Através de sua assessoria de imprensa em Brasília, a Polícia Federal nega que esteja investigando o caso.

 

Más tecnología para controlar malezas


Con el objetivo ofrecer nuevas alternativas para mantener a raya malezas difíciles, como rama negra, viola y verdolaga, entre otras, la empresa Bayer presentó el herbicida Percutor, en el marco del 9º Encuentro Nacional de Monitoreo y Control de Plagas, Malezas y Enfermedades, que se realizó en Córdoba. El producto tiene una residualidad de 90 días y puede aplicarse para barbechos que van a soja o maíz.

Pesquisa da Embrapa busca soluções para combater Helicoverpa armigera

Além de atacar lavouras de algodão, milho e soja, a praga tem sido identificada em frutos de tomate, pimentão e quiabo, em diversas regiões do país

(Manejo inapropriado, com uso abusivo de agrotóxicos, foi um dos fatores que contribuíram para a crescente incidência da praga)
 
As lagartas do gênero Helicoverpa vêm provocando prejuízos significativos em várias culturas agrícolas em diferentes regiões brasileiras. Até pouco tempo, a Helicoverpa zea era a principal representante da subfamília Heliothinae e tida como praga secundária na horticultura. Ela ataca principalmente a ponta da espiga do milho, a maçã do algodoeiro ou os frutos do tomateiro, porém, sem causar perdas na produção, haja vista, a ação efetiva de inimigos naturais. Em algumas situações, como final da safra de milho ou do algodão a praga se deslocava das lavouras velhas e restos culturais para os cultivos de hortaliças, principalmente de tomateiro, ocasionando o broqueamento de frutos já em fase avançada de desenvolvimento.

>> Confira o Manejo Integrado de Pragas (MIP) Emergencial da Helicoverpa, elaborado pela Embrapa
No entanto, recentemente foi confirmada a ocorrência de Helicoverpa armigera no país. Os primeiros focos dessa nova praga foram registrados em 2011 no oeste baiano, com altas infestações em lavouras de algodoeiro, soja, feijão e milho. Agora, essa praga já pode ser encontrada em várias localidades de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e do Distrito Federal, atacando inclusive frutos de tomate, pimentão e quiabo.

A armigera preocupa a cadeia produtiva do tomateiro em seus diferentes segmentos (tomate tutorado para mesa, tomate rasteiro para processamento industrial e produção orgânica), uma vez que se mostra muito mais agressiva que H. zea (lagarta-da-espiga do milho) e as lagartas do complexo Spodoptera (lagarta militar) é polífaga (se alimenta de diversas espécies vegetais cultivadas e silvestres), pode se adaptar a diferentes condições ambientais e não é facilmente controlada com inseticidas químicos sintéticos.

A distinção entre H. armigera e H. zea, com base tanto nas mariposas adultas como nas lagartas, é muito difícil a olho nu e requer conhecimentos muito específicos de suas estruturas reprodutivas para confirmação da espécie. No momento, o uso de ferramentas de biologia molecular mostra-se indispensável para tal tarefa.

Com o objetivo de desenvolver ações conjuntas, com base na cadeia de produtos mais vulneráveis à H. armigera, pesquisadores da área de entomologia de algumas Unidades da Embrapa formaram uma linha de frente para o enfrentamento do problema. As Unidades Hortaliças (Brasília-DF), Cerrados (Planaltina-DF), Soja (Londrina-PR) e Algodão (Campina Grande-PB) estão atuando de forma integrada e com a perspectiva de identificar pontos em comum, visando o compartilhamento de estratégias e experiências de manejo da praga-alvo nas respectivas culturas trabalhadas pelas unidades nas diversas regiões brasileiras.

As discussões tiveram como base o documento "Ações emergenciais propostas pela Embrapa para o manejo integrado da Helicoverpa spp.", formulado a partir do encontro entre entomologistas da empresa de pesquisa e representantes de produtores e instituições ligadas ao setor produtivo.

A Embrapa considera que o aumento das populações de lagartas do gênero Helicoverpa, principalmente o crescimento abusivo reportado na Bahia, e consequentes prejuízos aos sistemas de produção foram ocasionados por um processo cumulativo de práticas de cultivo inadequadas. O plantio sucessivo de espécies vegetais hospedeiras (milho, soja e algodão) em áreas muito extensas e contíguas, junto com um manejo inapropriado com uso abusivo dos agrotóxicos (http://www.embrapa.br/alerta-helicoverpa/), associado a condições climáticas favoráveis estão entre as principais causas desse desequilíbrio ecológico. Isso também parece ocorrer em várias outras regiões onde tal praga agora chama a atenção de produtores e consultores técnicos.

O grupo de pesquisadores da Embrapa, que vem acompanhando e articulando ações relacionadas ao enfrentamento da H. armigera, esteve reunido nos dias 12 e 13 de junho para a troca de experiências e a proposição de táticas de controle desta praga dentro da filosofia do manejo integrado de pragas (MIP), as quais poderão respaldar em breve os trabalhos de elaboração de um programa nacional de manejo da Helicoverpa.

Com relação ao desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, o pesquisador Miguel Michereff Filho informou que uma das primeiras ações envolveu o levantamento da situação da tomaticultura na região do Distrito Federal e de Goiás. Os resultados não foram nem um pouco animadores, principalmente para os produtores de tomate de mesa.

– Como nesse setor qualquer dano reduz o valor de venda, a infestação vem provocando grandes prejuízos, que podem ser atribuídos, em boa parte, à falta de informações técnico-científicas e de manejo adequado desta nova praga por cerca de 80% dos produtores – registrou Miguel.

No Brasil, ainda não há inseticidas registrados para a H. armigera na cultura do tomateiro, o que torna a convivência e o manejo desta praga ainda mais crítica para as próximas safras, principalmente em Goiás. Apesar disso, há grande expectativa no desenvolvimento tecnológico na área de controle biológico, envolvendo o emprego da vespinha parasitoide de ovos (Trichograma spp.), de inseticidas biológicos a base da bactéria Bacillus thuringiensis (produtos com mistura das subespécies kurstaki e azawai) ou à base de vírus que matam lagartas, os quais poderão ser utilizados tanto na produção convencional como na orgânica. Portanto, o uso de inseticidas seletivos em favor dos inimigos naturais será indispensável para o sucesso no controle da praga. Outro grande reforço para a implementação das táticas de controle é o monitoramento de adultos (mariposas machos) de H. armigera pelo emprego de armadilhas iscadas com feromônio sexual sintético (produto ainda não registrado no Brasil).

A nova tecnologia reduzirá as dificuldades encontradas pelos produtores com o uso de armadilhas luminosas (fontes de energia elétrica no campo, influência da lua cheia na atração das mariposas e confusão na identificação dos insetos descamados) e permitirá que medidas de controle (inseticidas químicos, biológicos e parasitoides de ovos) sejam utilizadas de forma mais efetiva contra a praga. Soluções técnicas existem e o problema gerado pela H. armigera na agricultura brasileira poderá ser resolvido nos próximos anos, desde que haja o empenho de toda a sociedade.