Crébio José Ávila destaca que o produtor precisa realizar o monitoramento desde os ovos, larvas, pupas e adultos
(Produtor precisa fazer o monitoramento)
O pesquisador e entomologista da Embrapa Agropecuária Oeste
(Dourados, MS), e também integrante da Comissão Organizadora do 13º
Siconbiol, Crébio José Ávila, destaca que o controle da helicoverpa pode
começar no campo.
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- Como o produtor identifica a lagarta de Helicoverpa armigera? Como
ela se diferencia visualmente das outras lagartas? O produtor pode
realizar essa identificação ou é somente em laboratório?
Crébio - O produtor pode identificar no campo. Tendo
uma lupa de bolso, é suficiente para ele separar essas lagartas. As
lagartas da subfamília Heliothinae possui três espécies que nos
confundem. Uma é a Heliothis virescens, que é a lagarta-das-maçãs; a
outra é a Helicoverpa zea, ou lagarta-da-espiga-do-milho; e a terceira é
a Helicoverpa armigera. No caso de separar a Heliothis da Helicoverpa é
muito fácil: basta olhar na inserção da base dos pelos, no quarto
segmento da lagarta. Se houver espinho na base do pelo, é a Heliothis
virescens. Se não tiver espinho na base do pelo, será Helicoverpa:
Helicoverpa zea ou Helicoverpa armigera. No caso da Helicoverpa
armigera, tem uma característica muito importante: no quarto segmento da
lagarta - que é o primeiro segmento abdominal - existem algumas
estruturas escurecidas no pelo, como se fosse o formato de cela. Outra
característica é que ela possui grande quantidade de pelos brancos sobre
o corpo da lagarta. Tem também um aspecto coriáceo, mais endurecido
quando se passa o dedo sobre a lagarta. Mas a confirmação segura
realmente é uma lupa de laboratório para fazer a triagem correta da
identificação da espécie.
2 - Quais são as boas práticas agrícolas que o produtor rural deve adotar para evitar a proliferação de pragas?
Crébio - Para evitar qualquer tipo de praga,
basicamente, o produtor deve adotar as práticas agrícolas, inseridas no
Manejo Integrado de Pragas, o MIP. Uma das primeiras ações que deve ser
fazer no MIP é o monitoramento das pragas, seja de ovos, lagartas ou
adultos, para se ter subsídios para tomada de decisão para se realizar o
controle no momento certo. Já a aplicação de inseticida ou produto
biológico deve ser realizada somente quando for necessária para o
controle ideal das pragas no tempo correto. Práticas, como por exemplo,
uso de fungicidas devem ser evitadas, porque os fungicidas interferem no
controle biológico, prejudicando o manejo de pragas.
3 - Quais têm sido as ações da Embrapa como um todo e parceiros em pesquisas para o controle da helicoverpa?
Crébio - O Ministério da Agricultura, incumbiu e
envolveu a Embrapa para propor um estudo, um plano de ação emergencial
do manejo dessa praga. Durante o mês de abril, reuniram-se em Brasília
mais de 30 entomologistas e durante três dias foi preparado um plano
emergencial para o manejo dessa praga em diferentes sistemas de cultivo
do Brasil. Esse documento foi elaborado e está disponível no site da Embrapa
para quem quiser consultar. É um documento orientador básico do manejo
emergencial dessa praga. Depois a Embrapa mesmo fez ações de divulgação,
de transferência de tecnologia como forma de workshop na Bahia, em Mato
Grosso do Sul nós temos várias ações de transferência de tecnologia,
várias palestras informando consultores e assistência técnica sobre como
identificar a praga e o potencial de dano da praga. A Embrapa também
está se organizando em pesquisa por meio de arranjo e de portfólio de
projeto, para criar uma rede de pesquisa para desenvolver ações e
soluções de manejo dessa praga.
4 - Como o agricultor deve realizar o processo de amostragem?
Crébio - Pode ser feita a amostragem de adulto,
ovos, lagartas, pupas. São todas formas biológicas do inseto para se ter
a informação do potencial de danos que esse inseto possa estar causando
na área. No caso de adultos, podem ser usadas armadilhas luminosas na
lavoura para coletar adulto, ou também podem ser instaladas armadilhas
de feromônios. É o feromônio sexual da praga que vai atrair e capturar
adultos. No caso da armadilha luminosa, ela coleta, além da helicoverpa,
muitos outros adultos e fica até um pouco difícil fazer a triagem e
separação. No caso da armadilha com feromônio, vai se capturar
praticamente indivíduos helicoverpa e alguns indivíduos Heliothis que
estão no meio, portanto é uma forma mais seletiva para coletar. No caso
de ovos, lagartas e pupas, é preciso fazer inspeções visuais. No caso de
ovos, olhar as plantas; no caso de lagartas, olhar as plantas ou usar o
pano de batida; e pupas fazer amostragem no solo. O pano de batida é
realmente o mais utilizado na parte área das plantas para avaliar
lagartas.
5 - Até o momento, qual é a indicação de Manejo Integrado de Pragas para a H.armigera?
Crébio - Tem que se usar ações do Manejo Integrado
de Pragas. O principal seria o monitoramento - ovos, larvas, pupas e
adultos - e isso vai servir de subsídio para tomar decisão de táticas de
controle. Hoje, já existe ação como Manejo Integrado de Pragas para
helicoverpa o controle biológico, que pode ser natural ou aplicado. O
primeiro ocorre naturalmente e, logicamente, pode-se favorecer esse
controle biológico natural quando se usa inseticidas seletivos, quando
se usa ações com que façam que esses indivíduos se multipliquem no
ambiente naturalmente. Ou o controle biológico aplicado, em que se
libera os inimigos naturais para o controle das formas da helicoverpa.
Existe, por exemplo, uma vespinha do gênero Trichogramma, que coloca seu
ovo no ovo da helicoverpa. Em vez de nascer uma lagartinha, vai nascer
uma outra vespinha. Esse é um controle biológico muito importante.
Existem também um grande número de parasitoides que parasitam as
lagartas. Por exemplo, nessa safra 2013, na safrinha, 50% das lagartas
coletadas na região de cascavel no Paraná estava parasitado por um
parasitoide da família Tachinidae. Isso está evidenciando e mostrando o
potencial que tem o controle. Existe controle também com ações de manejo
integrado que é o controle cultural. Por exemplo, o calendário de
plantio: se o produtor faz um plantio de forma concentrada e a janela de
plantio seja mais estreita possível, é muito importante para reduzir a
infestação da praga na cultura da soja, na cultura do algodão. O vazio
sanitário também é muito importante, que é aquele período em que não se
deve deixar plantas vegetando para não se constituir a ponte verde para o
desenvolvimento da praga. O vazio sanitário é de extrema
importância como estratégia de manejo. Existe também a possibilidade de
controle de pupa com nematoide entomopatogênico. E, por último, a
ferramenta emergencial que nós temos usado é o controle químico que
funciona razoavelmente muito bem para helicoverpa se você aplica no
momento certo e na dose correta.
6 - A helicoverpa realmente é resistente às plantas transgênicas que expressam a toxina Bt?
Crébio - Isso não está muito conhecido ainda, essas
informações para nossas condições brasileiras não estão esclarecidas,
porque essa praga é relativamente nova em nossa região. A Bt funciona
muito bem, no caso da soja, em um complexo de pragas, no caso da
lagarta-da-soja, da falsa-medideira, broca-das-axilas. Mas, no caso de
helicoverpa, existem alguns trabalhos já mostrando que ela tem, talvez
não controle, mas ela tem uma supressão sobre a população de lagartas.
Eu acredito, basicamente, que a soja Bt vai ser uma ferramenta
importante também que vai contribuir para o manejo da helicoverpa. Se
ela não der o controle satisfatório, esperado como observado com outras
pragas, ela vai causar alguma supressão e vai contribuir de maneira
positiva para o manejo.
7 - Qual a mensagem o senhor deixa para o produtor sobre o controle de pragas, especialmente em relação à helicoverpa?
Crébio - É que o produtor tem que ter consciência
que estamos diante de um grande problema. Essa praga realmente tem um
poder de destruição muito grande e nós temos que ter consciência disso
para tomar as ações. A segunda mensagem é que somente nós vamos
conseguir manejar essa praga se seguirmos os preceitos e filosofias do
manejo integrado. O manejo integrado é o que vai garantir a
produtividade do produtor e a sustentabilidade do agroecossistema.