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Frota de máquinas agrícolas está renovada?

Com linhas de financiamento para investimento a juros fixos, por meio do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), as vendas médias anuais de tratores no Brasil dobraram, de uma média de 18,8 mil unidades nos anos 1990, para 38,7 mil entre 2000 e 2016. Da mesma forma, as vendas de colheitadeiras também dobraram, passando de uma média anual de 2,2 mil unidades nos anos 1990, para 4,5 mil entre 2000 e 2016.
Desde o lançamento do Moderfrota, no ano 2000, foram vendidos 659 mil tratores e 77 mil colheitadeiras no Brasil. Diante destes números robustos, poderíamos imaginar que nossa frota de máquinas está renovada e bem dimensionada para atender à crescente demanda por alimentos produzidos no Brasil. Será verdade? Não. A frota nacional de máquinas agrícolas segue necessitando de renovação. No mesmo período, ocorreu aumento expressivo de 54% na área plantada com grãos no país, com a incorporação de mais de 20 milhões de hectares — taxa média anual de incremento de 2,6%. A produção de grãos deu um extraordinário salto de 150%, ultrapassando a casa de 200 milhões de toneladas, com taxa média de incremento de 5,7% ao ano.
Mesmo que as vendas de máquinas agrícolas tenham dobrado com o programa de financiamento, a expansão ainda mais acelerada de áreas de cultivos e os ganhos tecnológicos que puxam a produtividade para cima não permitiram que a renovação das máquinas se concretizasse. Da frota atual de 1,266 milhão de tratores, 44% têm mais de 20 anos de uso. São mais de 560 mil unidades que necessitam ser repostos apenas para manter a frota economicamente viável. No caso das colheitadeiras, a situação parece ainda pior. Das 162 mil máquinas no país, quase metade (49%) têm mais de 20 anos de uso.
No Plano Safra 2016/2017, foram alocados R$ 5,05 bilhões para o Moderfrota. Os agricultores voltaram a investir e, até 31 de janeiro, já haviam tomado 94% destes recursos. Mas ainda temos mais cinco meses até o novo Plano Safra 2017/2018. O programa, então, recebeu mais R$ 2,5 bilhões de reforço. Mesmo assim, o próprio governo afirma que a expectativa é de que os R$ 7,55 bilhões sejam tomados até abril, o que exigiria, portanto, mais dinheiro. O Ministério da Agricultura já afirmou que poderá haver novo remanejamento, de mais R$ 1,5 bilhão. Em recente reunião com executivos do setor, um representante do ministério afirmou que a demanda considerada para o Moderfrota no Plano Safra 2017/2018 é da ordem de R$ 11 bilhões. Se confirmados, os recursos permitirão manter o patamar mínimo de vendas necessárias para, pelo menos, manter a frota. Mas será preciso muito mais do que isso nos próximos anos, se quisermos renová-la!
Carlos Cogo é consultor em agronegócio, especializado em análises,tendências e estatísticas dos mercados agrícolas
carloscogo.com.br

Crédito para agricultura empresarial cresce 35,5%

Foram contratados R$ 23,7 bilhões no período de julho e agosto

(Pronamp disponibilizou 1,94 bilhão)
 
Os financiamentos para a agricultura empresarial na aplicação entre julho e gosto de 2013 somaram R$ 23,7 bilhões, um aumento de 35,5% em relação ao mesmo período da safra anterior, que foi de R$ 17,5 bilhões.

Os produtores rurais contrataram R$ 18,5 bilhões pelas modalidades de custeio e comercialização e R$ 5,2 bilhões pela de investimento.

Para o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller, os resultados do crédito rural divulgado nesta quarta, dia 18, confirma o forte acesso do setor diante dos recursos de financiamento de custeio e lembrou que no próximo dia 26 deste mês será realizada em Mato Grosso a abertura oficial do plantio nacional de soja.

– A soja é um grande potencial no agronegócio brasileiro. A expectativa para esta safra é ultrapassar 88 milhões de toneladas, 7% a mais do que a anterior – ressaltou o secretário.

Entre as linhas de crédito para custeio e comercialização, destaque para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), com total de empréstimos de R$ 1,94 bilhão – alta de 44,3% sobre os meses de julho e agosto do ano passado.

Em relação aos investimentos, o Programa de Sustentação de Investimento – PSI-BK, que financia máquinas e equipamentos, foi onde se observou maiores níveis de aplicação nesses dois primeiros meses do Plano Safra. Foram aplicados no âmbito desse Programa R$ 1,9 bilhão, 49,6% a mais do que o volume observado em igual período do ano passado.

Relatório da OCDE diz que Brasil é um dos países que menos protege a agricultura

Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura diz que os próximos levantamentos devem refletir o aumento do montante de recursos destinado ao campo neste ano

(Geller ressaltou que no atual Plano Safra o governo elevou em 18% os recursos do crédito rural)
 
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, disse nesta quarta, dia 18, que os próximos levantamentos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, na sigla em inglês) devem refletir o aumento do montante de recursos destinado ao campo pelo governo neste ano, para equalizar taxas de juros e para sustentar preços e garantir a renda dos produtores rurais.

A declaração foi dada em comentário sobre pesquisa da OCDE relativa ao ano passado, divulgada nesta quarta, mostrando que o Brasil é um dos países que menos protege a agricultura, com apoio financeiro equivalente a 5% da receita bruta dos produtores, nível correspondente a um terço da média mundial. Geller ressaltou que no atual Plano Safra o governo elevou em 18% os recursos do crédito rural, destinado à agricultura empresarial e familiar, para R$ 158 bilhões.

O secretário afirmou que nesta safra o governo deve gastar cerca de R$ 15 bilhões para apoiar o campo, por meio da equalização das taxas de juros, que variam de 3,5% a 5,5% no caso da agricultura empresarial, além de assegurar a sustentação de preços de produtos importantes como o milho e o café. Ele lembra que o governo já realizou viabilizou o escoamento de mais de oito milhões de toneladas de milho e está realizando leilões de contratos de opção de venda para sinalizar com a retirada do mercado de até três milhões de sacas de café.

Relatório da OCDE

Segundo o relatório divulgado mais cedo, o chamado nível de apoio ao produtor (PSE, na sigla em inglês) ficou estável entre 2010 e 2012. Nos últimos 10 anos, o índice brasileiro oscilou pouco, entre 5% e 7%.

Essa relativa estabilidade vista no país contrasta com o aumento do apoio observado no restante do planeta. Segundo a mesma pesquisa, na média mundial governos aumentaram o apoio aos produtores de 15% da receita bruta em 2011 para 17% no ano passado.

– O Brasil oferece um nível relativamente baixo de apoio e proteção à agricultura, o que reflete sua posição como um exportador competitivo e sua política de comércio exterior relativamente aberta – diz o documento divulgado nesta manhã em Paris, na França.

Apesar de o indicador brasileiro estar bem abaixo da média mundial, a entidade destaca que o governo executa "uma ampla gama" de medidas de apoio ao campo. A OCDE cita como exemplos o "extensivo apoio para estabilização de preços e a intervenção no sistema de crédito para oferecer linhas aos agricultores com taxas preferenciais e refinanciamento de dívidas".

A entidade afirma que 78% do apoio oferecido agricultor no Brasil é dado via política de preços ou subsídios. Segundo a OCDE, essa estratégia oferece aos produtores brasileiros "garantia de preços mínimos e crédito subsidiado". O documento destaca que esse tipo de financiamento com parte do juro custeado pelos cofres públicos continua a crescer no Brasil. 

TCU deve concluir em breve avaliação de dívidas agrícolas de produtores do Rio Grande do Sul

Segundo a senadora Ana Amélia Lemos, trabalho de análise das dívidas dos produtores e dos valores considerados elevados será finalizado em outubro

(Soluções para resolver endividamentos foram debatidas em audiência pública)
 
Lideranças de entidades rurais, parlamentares, prefeitos e vereadores reuniram-se na sexta, dia 9, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, para discutir soluções ao endividamento rural na região Sul. O debate foi promovido pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, por iniciativa da senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS).

Durante a audiência, Ana Amélia, informou a notícia antecipada a ela pelo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, de que o órgão deverá concluir em breve a auditoria para revisão dos contratos de financiamentos agrícolas em situação de inadimplência. O trabalho de análise das dívidas dos produtores e dos valores considerados elevados, em função da alta da inflação do passado e de renegociações, será finalizado em outubro.

– Vamos aguardar o término da auditoria do Tribunal de Contas e trabalhar em conjunto entre os parlamentares para colocar ponto final no endividamento, que se arrasta desde os anos 90 e cria enorme segurança para os produtores, ainda mais nos Estados onde ocorrem problemas climáticos, como é o caso do Rio Grande do Sul – disse a senadora.

A parlamentar considerou dramáticos alguns relatos feitos na audiência pública e lembrou de outros problemas como a logística cara e deficiente, além da elevação do dólar, que apesar de beneficiar as exportações, afeta o aumento do custo de produção em função da dependência da importação de insumos e defensivos agrícolas.

– Mesmo que hoje tenhamos uma excelente safra, com previsão de crescimento na próxima, o que é um alento muito grande, ainda não estará resolvido o problema do endividamento agropecuário – destacou a senadora.

Juros subsidiados
Entre as reivindicações dos agricultores gaúchos, listadas pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja do RS (Aprosoja-RS), Ireneu Orth, durante a audiência pública, está o oferecimento pelos bancos credores da possibilidade de renegociação de contratos inadimplentes mediante a aplicação de taxas de juros subsidiadas e com prazos longos, acima de 20 anos.

Orth considerou também fundamental o estabelecimento de um mecanismo pelo governo federal que evite a elevação especulativa de preços de insumos utilizados na produção agrícola — tais como fertilizantes, defensivos e sementes — em razão da valorização sazonal das cotações internacionais de determinadas commodities como é o caso, por exemplo, da soja.

Já o economista da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, tentou retirar dos produtores rurais o rótulo frequentemente a eles associado no Brasil de maus pagadores.

Baseando-se em dados do Banco Central, Antônio da Luz demonstrou que entre os empréstimos bancários, sejam destinados a pessoas físicas ou jurídicas, os financiamentos agrícolas são os que apresentam as menores taxas de inadimplência.

– Os produtores rurais são bons pagadores, em primeiro lugar porque a escolha é sempre estar em dia. O produtor precisa estar em dia, porque senão ele interrompe um ciclo que é curto entre pegar o dinheiro, plantar, colher e pagar. Porque logo ele precisa do dinheiro de novo — explicou.

Crédito rural privado
Antônio da Luz ainda destacou o fato de a quase totalidade dos recursos destinados ao crédito rural no Brasil se originarem de economias privadas que são captadas pelos bancos e depositadas no Banco Central na forma de depósito compulsório.

Segundo ele, do montante de recursos que o governo federal anunciou, por exemplo, para o Plano Safra de 2011/2012, de cerca de R$ 107 bilhões, apenas R$ 3,6  bilhões originaram-se efetivamente de suas receitas. Ele observou que somente as receitas tributárias que o governo obtém do custo de produção de soja, milho, trigo e arroz no Rio Grande do Sul, totalizam mais de R$ 3 bilhões, valor suficiente para cobrir todo o efetivamente desembolsado pelo Tesouro Nacional no financiamento da atividade agropecuária no país em 2012.

Operacionalização
Márcio Langer, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, reclamou das dificuldades de operacionalização pelos bancos tanto de renegociações de dívidas quanto da concessão de novos empréstimos. Segundo ele, os bancos de fábricas de equipamentos agrícolas, como tratores e colheitadeiras, são os que oferecem atendimento de pior qualidade no caso de propostas de renegociações.

Logística
O presidente da Federação dos Produtores de Arroz do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, reclamou da falta de uma estrutura logística adequada de transportes no país. Segundo ele, no caso da rizicultura, esse é um gargalo importante que obstaculiza o desenvolvimento da atividade.

Protesto
Ao final da audiência pública, Glauco Mascarenhas, pecuarista de Dourados (MS), concitou os produtores gaúchos a aderirem ao movimento "Semana da Dependência" criado em seu estado. A campanha pretende ser um boicote do setor produtivo a ser realizado no mês de setembro, mediante a suspensão dos fornecimentos aos consumidores de uma série de produtos agrícolas. A finalidade do protesto será forçar o governo federal a reduzir os custos de produção e impedir a demarcação de terras indígenas.

Médios produtores rurais contratam R$ 11,6 bilhões na safra 2012/2013

Empréstimos destinados a custeio e comercialização ampliaram 66,2%, somando R$ 5,02 bilhões

(Limites de financiamento de custeio por produtor passaram de R$ 500 mil para R$ 600 mil)
 
Os financiamentos para médios produtores somaram R$ 11,36 bilhões durante a safra 2012/2013, segundo dados divulgados nesta terça, 23, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os números constam no Plano Agrícola e Pecuário (PAP) do período. Os recursos fazem parte dos contratos feitos pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

Os produtores rurais adquiriram 59,2% dos recursos previstos pelo PAP 2012/2013. Os empréstimos destinados a custeio e comercialização ampliaram 66,2%, somando R$ 5,02 bilhões, enquanto os de investimento apresentaram alta de 32,1%, totalizando R$ 3,01 bilhões.

Os limites de financiamento de custeio por produtor passaram de R$ 500 mil para R$ 600 mil, um aumento de 20% em relação à safra anterior, e referente aos de investimento, de R$ 300 mil para R$ 350 mil. Por meio de nota, o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, destacou que o incentivo financeiro consolida a capacidade de produção do médio produtor.

– Essas ações contribuem de forma relevante para consolidar e expandir a capacidade produtiva e a competitividade da agropecuária brasileira, mantendo a posição do país no mercado agrícola internacional. O objetivo é promover o desenvolvimento das atividades rurais dos médios produtores e proporcionar o aumento da renda e da geração de empregos no campo – disse.

Para a safra 2013/2014, o secretário ressaltou a expansão de 18,4% de recursos disponibilizados. Os médios produtores poderão contratar até R$ 13,2 bilhões em financiamentos.

– Com melhores juros para a safra atual, 4,5%, o médio produtor terá melhoria nas condições de acesso, que passa a desfrutar de menor taxa de juros e maior limite de financiamento – comentou.

Crédito para agricultura empresarial cresce 31,2% e atinge R$ 122,6 bilhões

Montante ficou 6,4% acima do valor programado pelo governo

(Linhas do crédito rural, incluindo a agricultura familiar, atingiram R$ 139,712 bilhões)
 
As liberações de crédito rural para a agricultura empresarial na safra 2012/2013, que começou em julho do ano passado e terminou em junho deste ano, atingiram R$ 122,683 bilhões. O montante liberado cresceu 31,2% em relação a safra anterior e ficou 6,4% acima do valor programado pelo governo no lançamento do Plano Safra Agrícola e Pecuário, que previa financiamentos da ordem de R$ 115,25 bilhões.

Os dados divulgados nesta segunda, dia 22, pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura mostram que o total liberado nas diversas linhas do crédito rural, incluindo a agricultura familiar, atingiu R$ 139,712 bilhões, valor 31,3% superior ao registrado na safra 2011/2012. No caso da agricultura familiar os financiamentos somaram R$ 17,029 bilhões, que corresponderam a 94,6% dos R$ 18 bilhões previstos para a safra 2012/2013.

Rio Grande do Sul disponibiliza R$ 2,7 bilhões para o Plano Safra 2013/2014

Recursos devem ser empregados na qualificação da agroindústria gaúcha, compra de alimentos e crédito rural

(Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, marcou presença na solenidade)
 
Foi lançado nesta quinta, dia 18, o Plano Safra do Rio Grande do Sul 2013/14. O projeto tem como prioridade ações de inclusão social e produtiva nas áreas rurais com extrema pobreza e ofertará R$ 2,7 bilhões para ações que vão da produção à comercialização.

Entre as principais novidades anunciadas na região do Alto da Serra do Botucaraí, estão o Bolsa Juventude, voltado a jovens das áreas rural e urbana, o programa de prevenção ao câncer de pele em áreas rurais, que vai distribuir protetor solar a 100 mil jovens agricultores, o apoio à implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que prevê remuneração de serviços para inclusão de estabelecimentos no CAR conforme o novo Código Florestal, e deve atender 60 mil famílias.

Acompanhado do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, o governador Tarso Genro disse que o Plano Safra gaúcho vai priorizar as políticas voltadas ao combate à pobreza no campo. Ele garantiu que o programa mantém e reforça todos os programas anteriores, com atenção especial ao produtor que leva diretamente o seu produto para vender na cidade.

– Esse é um elemento muito importante e eficaz para apanhar aquelas comunidades agrícolas que estão, ou nos intervalos do Safra nacional, ou endividadas e não puderam aderir aos programas do Governo Federal. Ele completa, organiza e cria um sistema de proteção social culminando com impulso produtivo.

Além de ressaltar as conquistas dos pequenos produtores gaúchos com a implementação do Plano Safra no Estado, o governador afirmou que espera participação dos produtores rurais na elaboração do próximo programa.

– Queremos crescer com justiça social, com desenvolvimento de políticas que agreguem renda e melhore a situação dos pobres.

Recursos
Dos R$ 2,7 bilhões à disposição dos agricultores, R$ 2,145 bi são para custeio, investimento e comercialização. O Banrisul é uma das principais instituições financeiras envolvidas no Plano, oferecendo R$ 800 milhões do total para custeio. Badesul e BRDE completam os valores para este ano agrícola. Também estão previstos R$ 528 milhões de recursos orçamentários dos governos estadual e federal.

Governo anuncia R$ 7 bilhões de investimentos no primeiro Plano Safra Semiárido

O foco é a agricultura familiar – que está em 95% de 1,6 milhão de estabelecimentos agropecuários dos municípios

(Com medidas que facilitam o acesso ao crédito, a ideia do governo é aumentar o acesso aos programas de compras públicas)
 
Foi anunciada nesta quinta, dia 4, uma série de medidas especiais para o fortalecimento da produção agrícola e pecuária e convivência com a estiagem. Segundo o governo, o objetivo do Plano Safra Semiárido é garantir segurança, impulsionando sistemas de produção adaptados à realidade do clima da região. O foco é a agricultura familiar – que está em 95% de 1,6 milhão de estabelecimentos agropecuários dos municípios. A presidente Dilma Rousseff exaltou as iniciativas:

– Começamos a construir hoje uma política permanente para mudarmos estruturalmente a nossa capacidade de conviver com a seca.

Uma das principais medida do Plano Safra do Semiárido é a suspensão das execuções das dívidas dos produtores da região até o fim do ano que vem. No total, serão investidos R$ 7 bilhões para o Plano Safra do Semiárido, através de ações estruturantes. Deste valor, são R$ 4 bilhões para a agricultura familiar e R$ 3 bilhões para médios e grandes produtores.

Com medidas que facilitam o acesso ao crédito, a ideia do governo é aumentar o acesso aos programas de compras públicas, fazendo aumentar os preços de garantia de importantes produtos da região. O Plano Safra do Semiárido ainda cria uma nova modalidade para o Programa de Aquisição de Alimentos na região e apresenta novidades nos seguros para a agricultura familiar, como exaltou o ministro Pepe Vargas.

– Queremos um desenvolvimento rural sustentável, durável e pleno.

Dilma afirmou é necessário aprender a "conviver" com a seca do Semiárido. De acordo com ela, é fundamental uma ação conjunta das diversas esferas do poder para lidar com essa situação.

– A seca pode ser perfeitamente controlada e, portanto, nós podemos com ela conviver. Para isso é preciso determinação e vontade política e ação conjunta. Aqui houve ação conjunta.

Citando a atual seca que atinge alguns Estados do Nordeste brasileiro, a pior dos últimos 50 anos, a presidente afirmou que era necessária uma "ação emergencial" para enfrentá-la. Ela ressaltou, no entanto, a necessidade de serem criadas estruturas políticas para esse enfrentamento.

– Essa é uma das maiores secas dos últimos 50 ou 100 anos. Essas ações emergenciais são importantes, mas é possível estruturar uma política de combate às questões que nunca foram enfrentadas. Temos que ter um plano para criar agroindústria no Semiárido. Vamos assegurar um padrão de produção à altura dessa região – emendou.

Medidas do Plano Safra Semiárido:
Crédito
As taxas de juros serão especiais para o Semiárido. Para as operações de custeio, os juros serão de 1% a 3% ao ano (para as demais regiões, os juros são de 1,5% a 3,5%); para os contratos de investimento na região, os juros vão de 1% a 1,5% ao ano (as taxas para o resto do país ficam entre 1% e 2%).  Estas operações permitirão acesso à assistência técnica. Para os agricultores que pagarem em dia as parcelas, a assistência técnica será gratuita.  A linha B do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf B) que tem rebate de 25%, ampliará para 40% para o Semiárido.

Compras públicas

Será destinado R$ 1,5 bilhão para compras públicas da agricultura familiar na região na safra de 2013/2014. Desse total, R$ 650 milhões serão para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e R$ 700 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).  A partir de agora, o programa ganha uma nova modalidade, que vai permitir que agricultores familiares comprem alimentação animal, e também agricultores familiares que tenham excedente de forragem animal possam comercializá-la. Para a alimentação animal serão R$ 100 milhões e R$ 50 milhões para distribuição gratuita de sementes e mudas, bem como a ampliação do limite de venda por agricultor para R$ 8 mil/ano.

PGPAF
O Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), que abrange 49 produtos, terá uma ação específica para itens importantes para a região. Os produtos caprino/ovino que tinham um preço de garantia de R$ 8,64/kg passam a ter um preço de R$ 9,94/kg. Outros produtos fundamentais para a região também terão seus valores ampliados. A mandioca terá o valor de R$ 188 por tonelada (era de R$ 161,41 na safra 2012/2013) e o leite, terá aumento de 16%, passando de R$ 0,86 para R$1 o litro.

Garantia-Safra
O  Garantia-Safra beneficiará 1,2 milhão de agricultores na safra 2013/2014. Na safra 2012/2013, 971.117 agricultores familiares de 1.114 municípios aderiram ao programa. Os recursos para os pagamentos são do Fundo Garantia-Safra, que tem aporte da União, dos Estados, dos municípios e dos agricultores.

SEAF
Os agricultores do Semiárido terão uma redução do custo do Seguro da Agricultura Familiar (SEAF). Os que contratavam operações de custeio e que tinham sua operação coberta pelo Seguro da Agricultura Familiar, antes pagavam 2% e agora passam a pagar 1%. Com isso, o governo pretende estimular os agricultores a procurarem maior proteção contra perdas climáticas.

Ater
A Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) será disponibilizada a 347 mil agricultores familiares da região na safra 2013/2014. Serão contratadas entidades que prestam serviços de Ater específicos para o Semiárido.

Fomento
Trinta mil famílias receberão fomento no valor de R$ 3 mil (não reembolsável) e assistência técnica especial para estruturar o sistema de produção de convivência com o semiárido. Isto vai estimular que o produtor produza alimentos para os animais nos períodos de chuva, e que consiga armazenar para períodos de estiagem.

Linha Emergencial de Crédito
Para ampliar o apoio aos agricultores familiares do semiárido, o governo federal anuncia o aporte de R$ 400 milhões para a linha emergencial de crédito do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), executada pelo Banco do Nordeste. Com o novo recurso, a linha de crédito vai somar R$ 3,15 bilhões. Objetivo é auxiliar os agricultores familiares, produtores rurais e empreendedores prejudicados pela estiagem.

Irrigação
Foi anunciado apoio à agricultura irrigada no Semiárido por meio da redução das taxas de juros, com objetivo de expandir a produção nos perímetros irrigados e os investimentos privados em irrigação na região. 

Produtores rurais comemoram o anúncio do Plano Safra, mas temem endividamento no campo

Acesso fácil ao crédito e limite alto de financiamento preocupa produtor

(Quanto mais baixo os juros, mais facilidade o produtor tem para investir)

Na Serra Gaúcha, o anúncio do Plano Safra, histórico em termos de investimentos, animou os participantes do 28º Seminário Cooplantio, que acontece em Gramado, até quarta, dia 5. Apesar do entusiasmo da notícia, alguns produtores rurais temem um endividamento no campo, por conta do acesso mais fácil ao crédito com juros mais baixos e limites de financiamento mais altos.

O produtor de grãos em Santo Augusto, no noroeste do Rio Grande do Sul, Jorge Sperotto, comemorou o anúncio, mas acredita que o governo deveria investir melhor no setor de infra-estrutura e logística.

– Nós, produtores, precisamos ser organizados. É um dinheiro fácil, que deve ser pago mesmo com juros baratos. A má qualidade dos portos e o transporte ocasionam um custo muito alto e isso reflete no preço do produto final – diz Sperotto.

O investimento de R$ 25 bilhões para a construção de novos armazéns, com juros de 3,5% agradou a engenheira agrônoma Fernanda Falcão, que planta soja no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso. Ela conta que no ano passado precisou aumentar os silos da propriedade e pagou 5,5% de juros no financiamento.

– Quanto mais baixo esse juros, mais facilidade o produtor tem para conseguir investir e construir silos e armazéns em sua propriedade, isso é um beneficio para o produtor possuir uma boa gestão e melhorar os preços das commodities – acredita Fernanda.

A indústria de sementes também deve se beneficiar com os novos investimentos do governo federal, anunciados nesta terça, dia 4. Para Leandro Pasquali, diretor de marketing de uma empresa de sementes híbridas, com atuação no Mercosul, o aumento da capacidade de armazenamento para 65 milhões de toneladas garantem mais estabilidade para as atividades dos agricultores.

– Isso vai acarretar numa diminuição no próprio custo de produção por unidade, fazendo com que o produtor tenha um custo unitário melhor, tornando cada vez mais competitivo, tanto para negociar no mercado interno, quanto no externo. Inclusive, em algumas commodities como o arroz, que já ta quase se tornando uma commoditie, de mercado externo – ressalta Pasquali.

Plano Safra: total de recursos é 18% maior que o da última temporada

Governo federal vai disponibilizar R$ 25 bilhões para a construção de novos armazéns privados

(Plano Safra estimulará aumento da capacidade de armazenagem pública e privada)
 
O total de recursos do Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014 será 18% maior que o total disponível na temporada anterior, valor recorde já disponibilizado pelo governo federal. O novo Plano Safra foi anunciado nesta terça, dia 4, pela presidente Dilma Rousseff, pelo ministro da Agricultura, Antônio Andrade, e pela presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD-TO).
 

Conforme já antecipado. Desse total, R$ 97,6 bilhões serão destinados a financiamentos de custeio e comercialização e R$ 38,4 bilhões aos programas de investimento.

– Em todos os planos desde 2011, venho dizendo que, se os recursos forem gastos em todas as áreas previstas, não faltará recursos. Vamos complementar. Não olhamos para a agricultura como problema, mas como solução. Por isso, gastem e terão mais – disse a presidente, que enfatizou em seu discurso que o Brasil tem hoje uma das agriculturas mais produtivas, eficientes e competitivas do mundo.

Armazenagem

O grande destaque do lançamento do plano foram os R$ 25 bilhões destinados à logística e construção de novos armazéns privados no país nos próximos cinco anos. O ministro da Agricultura já havia adiantado, durante a Bahia Farm Show, que o novo plano daria prioridade à armazenagem. Do total de recursos destinados ao setor de armazenagem, R$ 5 bilhões serão liberados na temporada 2013/2014. O prazo para pagamento será de até 15 anos. O governo ainda investirá R$ 500 milhões para modernizar e dobrar a capacidade de armazenagem da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

– É um valor que corresponde a mais ou menos 65 milhões de toneladas. Nos vamos suprir toda a deficiência de armazenagem e colocar nos armazéns uma capacidade de safra igual a capacidade de producão – acrescentou o ministro.

A presidente Dilma também destacou a importância do investimento.

– Armazenagem é crucial. Temos condições de ter uma política agrícola com capacidade de armazenamento. Temos um setor privado dinâmico interessado na expansão do agronegócio e, de outro lado, temos os recursos que o Estado brasileiro tem condições de oferecer. Estão dadas as condições para que o setor privado se junte ao público e construa armazéns – apontou a presidente.

Redução de juros

Dos R$ 136 bilhões previstos para a nova safra, R$ 115,6 bilhões serão disponibilizados com taxas de juros controladas, o que representa um crescimento de 23% sobre os R$ 93,9 bilhões previstos na temporada 2012/2013. A taxa de juros anual média é de 5,5%, mas, para modalidades específicas, serão menores: 3,5% para programas voltados à aquisição de máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação e estruturas de armazenagem; 4,5% ao médio produtor rural; e 5% para práticas sustentáveis.

Pelo Programa de Sustentação de Investimento (PSI-BK), para o financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas, serão R$ 6 bilhões, enquanto que, para a agricultura irrigada, R$ 400 milhões.

Cooperativismo

Para o cooperativismo, R$ 5,3 bilhões estarão disponíveis pelos programas de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop) e do e Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro). Também foram reduzidos os juros para capital de giro das cooperativas, de 9% para 6,5% ao ano.

Assistência Técnica e Extensão Rural

Durante a cerimônia, Antônio Andrade e Kátia Abreu destacaram a criação do Serviço Nacional de Assist~encia Técnica e Extensão Rural. O novo órgão servirá para qualificar as políticas de assistência técnica e extensão rural no país.

– A criação desse serviço é um marco significativo para o aumento da produção, da produtividade e do bem-estar do produtor brasileiro – disse o ministro da Agricultura, que citou ainda oPrograma Inova Agro, que tem o objetivo de impulsionar a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro por meio da inovação tecnológica.

Plano Safra do Semiárido

A presidente antecipou algumas medidas que fazem parte do Plano Safra do Semiárido, a ser lançado na próxima semana. O plano terá quatro pontos principais. O governo vai suspender a execussão de dívidas contratadas junto ao Banco do Nordeste (BNB) e demais instituições financeiras, até dezembro de 2014. Também irá conceder desconto de até 85% para liquidação das operações de crédito rural contratadas até 2006 com valor de até R$ 35 mil por mutuário com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) ou do Orçamento Geral da União.

– O Brasil pode e deve começar a fazer planos safra regionais. Nós vamos começar pelo Nordeste. Nos cabe agir para melhorar o impacto. Ele [o plano] complementa todas as ações da segurança hídrica que o governo federal tem tomado. A segurança hídrica tem que combinar com a segurança produtiva que pode e deve ser fornecida pelo plano safra – acrescentou.

O governo também deve lançar uma linha para composição de dívidas contratadas até 2006 cujo valor original era de até R$ 20 mil em até dez anos com recursos do FNE. A quarta medida será renegociar operações contratadas a partir de 2007 e que estavam inadimplentes em dezembro de 2011, para pagamento em até dez anos, com três anos de carência.

Médio produtor

O médio produtor também ganhou destaque no novo Plano Safra. Foram disponibilizados
R$ 13,2 bilhões pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) para custeio, comercialização e investimento. O valor é 18,4% superior ao previsto na safra 2012/2013. Os limites de empréstimo para custeio passaram de R$ 500 mil para R$ 600 mil, enquanto os de investimento subiram de R$ 300 mil para R$ 350 mil.

Agricultura familiar

Dilma anunciou que, na quinta, dia 6, será lançado o Plano Safra da Agricultura Familiar e acrescentou que, a partir do plano de safra atual, os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário irão atuar integrados. Ela citou como exemplo a Agência Nacional de Assistência Técnica (Anater), que será vinculada à Embrapa, mas atenderá aos dois ministérios.

Custeio

Já o limite de financiamento de custeio, por produtor, foi ampliado de R$ 800 mil para R$ 1 milhão. O financiamento destinado à modalidade de comercialização passou de R$ 1,6 milhão para R$ 2 milhões. Além desse crescimento, o contrato de custeio pode ser ampliado em até 45%, dependendo das condições de contratação ou de uso de determinadas práticas agropecuárias, como a adesão ao seguro agrícola ou a mecanismos de proteção de preços, a utilização do Sistema Plantio Direto, a comprovação de reservas legais e áreas de preservação permanente na propriedade e a adoção do sistema de identificação de origem.

Laboratórios Nacionais Agropecuários

Os seis Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagros) devem ser ampliados, com recursos de R$ 120 milhões. O objetivo é garantir que as unidades sejam capazes de produzir diagnósticos mais rápidos e precisos sobre a qualidade dos produtos agropecuários produzidos e exportados pelo país.

– A concorrência do mercado internacional é crescente e extremamente agressiva e não nos permite ter lacunas ou insuficiência na nossa política de sanidade. Quanto mais transparente, firme e segura for a nossa sanidade agropecuária, melhor para os produtores e exportadores brasileiros. Com isso, evitamos constrangimentos que não têm a menor razão de ser nesta etapa do desenvolvimento do país – afirmou Dilma.

Quanto ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (o Sisbi-POA), será criada uma coordenação que garantirá a consolidação do sistema, facilitando o acesso dos estados e municípios ao Programa.

– Outra grande preocupação da defesa agropecuária será com a tipificação das carcaças bovinas, incentivando os produtores na melhoria e padronização da carne – explicou Antônio Andrade.

Rede de inovação tecnológica

Dilma também anunciou que o governo está criando uma rede de educação profissional e de inovação tecnológica, que envolve as universidades federais, as escolas técnicas, a Embrapa e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), gerido pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

– Iremos dar um grande reforço na formação técnica e profissional.

Seguro Rural e Programa ABC

O governo ainda elevou os valores da subvenção ao prêmio do seguro rural. Com isso, o valor passa de R$ 400 milhões para R$ 700 milhões. Desse total, 75% serão aplicados em regiões e produtos agrícolas prioritários, com subsídio de 60% do custo da importância segurada.

O novo Plano Safra contempla ainda o Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), que financia tecnologias que aumentam a produtividade com menor impacto ambiental. Os recursos do Programa ABC passaram de R$ 3,4 bilhões para R$ 4,5 bilhões. A expectativa é de que mais de 96 mil produtores sejam beneficiados.