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Câmara dos Estados Unidos aprova lei de financiamento do setor agrícola

Expectativa é de que o Senado aprove a nova lei agrícola em breve

Reforma substitui o sistema de pagamentos diretos de subsídios 
aos agricultores por um sistema mais amplo de auxílio
 
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou com 251 votos a favor e 166 contra a lei de financiamento do setor agrícola para os próximos cinco anos. Essa reforma, que é a primeira grande reforma do financiamento agrícola desde 2008, substitui o sistema de pagamentos diretos de subsídios aos agricultores por um sistema mais amplo de auxílio na forma de seguros para as safras. Os recursos para a concessão de assistência alimentar para a população mais pobre serão reduzidos.

Muitos deputados do Partido Republicano votaram contra o projeto, que reduz os recursos para os cupons de compra de alimentos pelos mais pobres em US$ 8 bilhões. Um projeto anterior, aprovado em novembro, reduzia o programa de alívio à pobreza em US$ 40 bilhões. A expectativa é de que o Senado aprove a nova lei agrícola em breve.

Produção mundial de laranjas deve aumentar 5% em 2013/2014

Safra brasileira de laranja, a maior do mundo, deve crescer 8% no período, impulsionada por elevada produtividade e clima favorável, prevê USDA

Produção brasileira de laranja será de 17,75 milhões de toneladas
 
A produção mundial de laranja na safra 2013/2014 deve apresentar crescimento de 5% em relação ao período anterior. O volume deve alcançar 51,77 milhões de toneladas em comparação com 49,40 milhões de toneladas em 2012/2013. Os dados fazem parte de relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na sexta, dia 24.

Conforme os técnicos do USDA, o aumento da produção no Brasil, China e União Europeia (UE) mais do que compensa a queda nos Estados Unidos. No período, o comércio de laranja deve alcançar nível recorde, "com forte demanda e aumento da oferta", diz o USDA.

A produção brasileira de laranja, a maior do mundo, deve aumentar 8% em 2013/2014, para 17,75 milhões de ton, em comparação com 16,36 milhões de ton no período anterior, impulsionada por elevada produtividade e clima favorável. Segundo o USDA, praticamente todo o aumento na oferta será utilizado para processamento, cujo volume aumentará de 10,91 milhões de ton para 12,24 milhões de ton, no período. O consumo in natura se manterá praticamente estável, de 5,45 milhões de ton para 5,50 milhões de ton.

A safra dos Estados Unidos deve diminuir 11%, para 6,71 milhões de ton, em comparação com 7,57 milhões de ton em 2012/2013. Na Flórida, onde cerca de 95% das laranjas são utilizadas para processamento de suco, o clima seco e a doença greening nos pomares provocam a queda na produção.

Na Califórnia, onde a maioria das laranjas é consumida in natura, a produção deve cair 5%, como resultado do congelamento das frutas em dezembro. Com isso, parte do produto será processado, enquanto a exportação deve cair 6%, com a redução da oferta.

A produção da UE deve subir cerca de 10%, de 5,88 milhões de ton para 6,60 milhões de ton, por causa do clima favorável. A importação de laranja na região deve aumentar ligeiramente, com África do Sul e Egito como principais fornecedores. No fim do ano passado, observa o USDA, a importação do produto da África do Sul foi proibida, em virtude da constatação da doença mancha-preta dos citros.

O USDA estima que a produção de laranja da China deve aumentar 10%, de 7,00 milhões de ton em 2012/2013 para 7,60 milhões de ton em 2013/14, "mantendo o ritmo de crescimento do consumo in natura e do processamento". Os chineses devem manter a posição de maiores consumidores de laranja in natura, representando 20% do total mundial.

– Com o objetivo de expandir a produção, novas variedades estão sendo introduzidas na China, tanto para colheita precoce, como tardia – informou o USDA.

Suco

O relatório mostra, ainda, que a produção global de suco de laranja em 2013/2014 está projetada em 2,02 milhões de ton, um aumento de 6% em relação ao ano-safra anterior (1,91 milhão de ton). O crescimento do processamento brasileiro mais do que compensará o declínio na produção de Estados Unidos e México, principalmente. A exportação (1,52 milhão de ton) e o consumo (1,95 milhão de ton) globais devem se manter estáveis no período, enquanto os estoques (454 mil ton) caem para os níveis mais baixos em pelo menos quatro anos.

A produção brasileira deve crescer 18%, para 1,16 milhão ante 981 mil ton em 2012/2013, com melhora no rendimento. De acordo com o USDA, a exportação brasileira (1,22 milhão de ton) deve superar a produção, "para atender a demanda na UE e nos Estados Unidos". Com isso, o estoque do Brasil deve cair, acompanhando o aumento do ritmo dos embarques.

De acordo com os dados do USDA, a produção de suco de laranja pelos Estados Unidos deve diminuir cerca de 12%, para 550 mil ton, por causa de perdas pela doença greening na Flórida. O consumo e a exportação do país estão em baixa, enquanto os estoques permanecem estáveis nos últimos três anos.

Legisladores pedem ao USDA suspensão de regra de rotulagem de carnes

Adiamento daria a produtores de gado canadenses um alívio temporário das polêmicas mudanças impostas pela norma

Regra exige que a carne seja rotulada com informações sobre os países onde o animal nasceu, foi criado e abatido
 
Legisladores norte-americanos pediram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que suspenda a adoção a uma contestada regra de rotulagem de carnes até que a Organização Mundial do Comércio (OMC) decida sobre a disputa comercial entre EUA, Canadá e México. O adiamento daria a produtores de gado canadenses um alívio temporário das polêmicas mudanças impostas pela norma.

Uma breve seção inserida dentro do Orçamento aprovado pelo Congresso dos EUA destacou que a economia norte-americana pode sofrer um golpe de US$ 2 bilhões se Canadá e México cumprirem suas ameaças de retaliação em uma disputa a respeito da norma de rotulagem de país de origem (conhecida como regra COOL). O projeto recomendava que o Departamento de Agricultura adiasse a implementação da norma até que a OMC se posicione sobre o assunto.

A regra - uma versão alterada da norma que a OMC considerou em 2012 discriminatória contra gado do Canadá e México - entrou em vigor em novembro passado. Produtores de gado bovino e de suínos estimam que a COOL tenha lhes custado cerca de US$ 1 bilhão por ano desde que os requisitos de rotulagem obrigatória apareceram na lei agrícola (Farm Bill) dos EUA em 2008. Eles afirmam que a versão alterada é ainda mais onerosa, pois exige que a carne vendida em território norte-americano seja rotulada com informações sobre os países onde o animal nasceu, foi criado e abatido.

Canadá e México levaram a luta contra a regra alterada à OMC novamente, e em setembro passado, a organização estabeleceu um painel de conformidade que deve divulgar a sua conclusão ainda este ano. De acordo com as notas explicativas no orçamento norte-americano de US$ 1,012 trilhão, se Canadá e México vencerem a luta da OMC, os EUA "sofrerão o impacto econômico de aproximadamente US$ 2 bilhões em ações de retaliação que afetam empregos e indústrias agrícolas e não-agrícolas em todo o país".
A passagem de texto aponta ainda que "é altamente recomendável que o USDA não force o aumento dos custos para a indústria e os consumidores e que o departamento adie a implementação e aplicação da regra final até que a OMC tenha concluído todas as decisões".

O Departamento de Agricultura não é obrigado a seguir a recomendação, de acordo com Brian Rell,  porta-voz do representante Robert Aderholt, republicano do Alabama que preside o painel de agricultura da Comissão de Finanças da Câmara. Mas ele afirmou que o tom do trecho sobre a COOL no projeto de lei era "muito contundente".

– Quem sentirá o peso de uma abordagem agressiva à COOL será o assalariado médio – disse Rell.
Ele não quis comentar o que aconteceria se o Departamento de Agricultura se recusasse a aceitar a recomendação.

O ministro da Agricultura do Canadá, Gerry Ritz, disse que Ottawa saúda o número crescente de legisladores norte-americanos que reconhecem os efeitos nocivos da norma para a economia dos EUA.

Mas, em comunicado enviado por e-mail, o ministro pediu que Washington corrija a regra de "uma vez por todas", por meio da próxima da Farm Bill e renovou a ameaça de retaliação "para alcançar uma resolução justa". Ottawa havia publicado uma lista de produtos dos EUA para os quais poderia direcionar tributos punitivos, incluindo carne, batatas, frutas, queijo e chocolate, mas disse que suspenderia a ação até receber uma decisão da OMC em favor do Canadá.

O Canadá foi o quinto maior exportador de gado e carne bovina do mundo em 2012. Cerca de 85% do seu comércio de carne bovina foi com os EUA, de acordo com dados da Associação Canadense de Pecuaristas.

Farm Bill 

Legisladores estão perto de uma solução para a maior das controvérsias  que ainda atrasam o progresso de um novo projeto de lei agrícola de cinco anos (Farm Bill), disse um dos principais negociadores na quinta-feira.

Collin Peterson, de Minnesota, líder democrata na Comissão de Agricultura da Câmara dos Representantes, disse que ele e o presidente da Câmara, John Boehner (Republicanos, Ohio), conversaram na quarta, dia 15, e esperavam chegar a um acerto sobre os contornos de uma solução conciliatória para encerrar o impasse de como remodelar o apoio do governo para a indústria de laticínios.

– Dada a nossa discussão de ontem, pelo que entendi, provavelmente será algo de que nenhum de nós irá gostar, mas que ambos poderão aceitar – apontou Peterson.

Um dos quatro legisladores trabalhando para fundir as propostas de lei agrícola aprovadas na Câmara e no Senado, Peterson afirmou que a proposta conciliatória não incluiria um programa controverso de "gestão da oferta", que despertou a oposição de Boehner e poderia reduzir a assistência federal a propriedades que produzirem mais de leite em períodos de excesso de oferta. Em vez disso, ocorreriam alguns ajustes em um novo programa aprovado pelas duas Casas que enviaria a produtores de leite pagamentos em momentos de necessidade, com base em uma fórmula que pondera o preço do leite e o custo de suas despesas. Para estimular o mercado a produzir menos em períodos de superávit, seria possível alterar os pagamentos, disse Peterson.

– A proposta está enviando o tipo certo de sinais ao mercado, mas não tenho certeza de que é forte o suficiente – avaliou Peterson.

Ele advertiu que precisava ver detalhes finais antes de confirmar o apoio ao novo texto. O democrata vinha trabalhando ao longo de janeiro com o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Frank Lucas (Republicanos, Oklahoma), e com Boehner para resolver as profundas diferenças entre os parlamentares sobre a questão.

– O presidente da Câmara agradece a Lucas por dar continuidade a seu trabalho duro sobre essa questão e espera que encontremos uma maneira de seguir em frente – afirmou o porta-voz de Boehner, Michael Steel, na quinta, dia 16.

Peterson disse que o avanço sobre a disputa em torno dos laticínios ocorreu durante sua discussão com Boehner na quarta.

– Eu disse: 'Você e eu estamos saindo prejudicados, você sabia disso?' Ele disse 'não', então nós discutimos o assunto. Ele claramente quer que isso se resolva – salientou Peterson.

O democrata afirmou que os negociadores ainda estavam discutindo divergências em um punhado de outras questões, mas esperavam finalizar o projeto de lei na próxima semana.

A Câmara poderia aprovar a nova legislação em uma janela estreita em janeiro, quando retorna do recesso da próxima semana, afirmou Peterson. A Câmara terá apenas algumas sessões antes de os republicanos partirem para o seu retiro anual.

A última Farm Bill expirou em setembro, mas legisladores ressaltaram que não haverá consequências graves com o retorno a leis de décadas atrás se a nova legislação for aprovada este mês.

Projeto Organics Brasil fecha 2013 com US$ 110 milhões em exportações

Estimativa é de que o mercado global tenha faturado US$ 60 bilhões em 2013

Crescimento foi em torno de 10%
 
O ano de 2013 foi estável para o setor de orgânicos em nível mundial, com crescimento em torno de 10%, com um bom ambiente de negócios para os produtos brasileiros. O Projeto Organics Brasil, que reúne 74 empresas exportadoras, fechou o ano de 2013 com geração de US$ 130 milhões em negócios.

A estimativa é de que o mercado global tenha faturado US$ 60 bilhões em 2013, com a adoção de medidas importantes para o setor, como os convênios de equivalências de certificações entre os mercados europeu e americano e, a partir de 2014, entre o Japão e os Estados Unidos. O Brasil está em negociação para um convênio de equivalência com o Mercado Comum Europeu, que potencializará os negócios em curto prazo.
– Temos a meta quantitativa de atingir 100 empresas brasileiras no mercado internacional em 2014.

Sabemos que quantidade não representa qualidade, e neste caso, vamos dar maior foco no valor agregado. O Brasil já é conhecido por ter produtos de qualidade, porém ainda tem a imagem de fornecedor de matéria prima. Vamos investir no branding dos produtos, promover interesse em inovar e melhorar o nível de empreendedorismo sustentável dos produtores, cooperativas e empresas – explica Ming Liu, coordenador executivo do Projeto Organics Brasil.

De acordo com o coordenador, em um ano com a Copa do Mundo e grande exposição da imagem do Brasil, a prioridade é mostrar os diferenciais dos produtos orgânicos brasileiros.

– Nosso país tem este potencial de trazer ao mercado suas historias e seus produtos, que na maioria dos casos já é orgânico por natureza. No mercado internacional vemos que os consumidores valorizam os produtos dos biomas, como o açaí na Europa e nos Estados Unidos e; mais recente; a erva mate no Japão – diz Ming Liu.

Ministério Público quer suspender registro de agrotóxico com carbendazim no Brasil

Fungicida é usado para pulverização de culturas de citrus, grãos e tratamento de sementes é proibido nos Estados Unidos

(Fundecitrus suspendeu uso da substância após o embargo pelos Estados Unidos de 20 carregamentos de suco concentrado com níveis de carbendazim acima do máximo tolerado)
 
O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) entrou com ação na Justiça para suspender o registro de agrotóxicos formulados com carbendazim no Brasil. Segundo o MPF, a proibição do uso do fungicida deve ser adotada até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua o processo de reavaliação da toxicidade do princípio ativo, "considerado nocivo à saúde humana por diversos estudos científicos".

O fungicida é registrado no Ministério da Agricultura para pulverização das culturas de citros, algodão, feijão, soja e trigo, além do tratamento de sementes de algodão, feijão, milho e soja. No caso dos citros, o uso do produto para controle da pinta preta foi suspenso no início do ano passado pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por produtores e indústrias, após o embargo pelos Estados Unidos de 20 carregamentos de suco concentrado com níveis de carbendazim acima do máximo tolerado pelas autoridades norte-americanas.

O MPF/DF, ao defender a suspensão do carbendazim, argumenta que o fungicida é proibido nos Estados Unidos e faz parte do programa de revisão de substâncias da União Europeia.

– Aqui, a última avaliação do ingrediente foi realizada pela Anvisa em 2002. Desde então, centenas de novas pesquisas apontaram riscos na ingestão do produto, que pode causar danos aos sistemas endócrino, hepático e reprodutor – diz o MPF.

Na ação, o MPF cita que o uso do carbendazim é associado a doenças de pele, problemas no fígado, diminuição da produção de espermatozoides, infertilidade, malformações fetais, distúrbios hormonais e câncer.

Segundo o MPF/DF, a própria Anvisa reconhece a necessidade de reavaliar os riscos da substância, mas informou que só fará a análise depois de concluir a reavaliação de outros 14 ingredientes ativos, previstos na Resolução RDC 10/2008, mas não há data prevista para o término dos trabalhos.

– A inércia da autarquia coloca em risco a saúde da população brasileira – dizem os procuradores, que defendem o princípio da precaução.

– Para que a saúde seja efetivamente tutelada, devem ser aplicadas pelo Estado, de acordo com as suas capacidades, medidas preventivas onde existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis. Não será utilizada a falta de certeza científica total como razão para o adiamento de medidas eficazes diz na ação o procurador da Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.

Exposição Internacional do Cavalo Árabe começa nesta quinta, dia 12

O evento aberto ao público irá reunir criadores e animais de todo o país

(Evento terá a presença de criadores de outros países)
 
Nesta quinta, dia 12, a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA)  realizará em Avaré (SP), a 20ª Exposição Internacional do Cavalo Árabe, que vai até domingo, dia 15. O evento será aberto ao público e contará, ainda, com a presença de criadores de outros países, que buscam na exposição brasileira os melhores exemplares da raça Árabe.

Essa exposição terá apresentação dos animais durante quatro dias, o que acaba sendo uma prévia para a Exposição Nacional, o maior evento da raça, que será realizada em novembro. Durante a 20ª edição da Internacional serão realizadas mais três competições: a Breeders' Cup, a Copa Brasil de Criadores e o Circuito ANCAF de 3 Tambores.

A Breeders’ Cup é uma das competições mais esperadas e sua premiação é uma das mais almejadas por todos os criadores, pois é uma oportunidade para mostrarem o resultado de seus programas de criação.

Nessa categoria, os animais que competem na prova de Halter – onde é avaliada a conformação, a estrutura e a movimentação de cada um deles - devem ter de 6 a 36 meses e nunca terem sido vendidos ou transferidos, apenas criados e expostos pelo mesmo proprietário.

A Exposição Internacional contará com os tradicionais julgamentos de Halter e de Performance - provas nas quais é analisado o condicionamento do animal sob o comando do cavaleiro ou condutor. Juízes brasileiros e estrangeiros serão os responsáveis pela avaliação dos animais, entre eles, Jay Constanti e Terry Holmes, ambos dos Estados Unidos; Jerzy Zbyszewski (George Z), da Polônia; Jorge Concaro, da Argentina, e Luiz Eduardo Moreira Caio, do Brasil.

Já na Copa Brasil de Criadores o cavalo deve ser treinado no próprio haras e os apresentadores não podem ter vínculos com Centros de Treinamento. Assim, essa competição estimula o surgimento de novos apresentadores e incentiva uma maior participação no Circuito Brasileiro de exposições. Os animais são premiados com os títulos de Ouro, Prata e Bronze.

>>> Baixe a programação completa do evento <<<

Produção de milho na China deve ser recorde, mas não afetará possível demanda por grãos do Brasil

Segundo o consultor de mercado Liones Severo, o consumo do país asiático tem crescido de 7% a 8% ao ano, o que não limitaria a procura pelo grão

(Exportação de milho para China ainda não está autorizada)
 
Estimativa do Centro Nacional de Informação de Óleos e Grãos da China apontou que a produção de milho deve crescer em 4,6%, na comparação com a safra de 2012. Isso deve totalizar 215 milhões de toneladas do grão.

A notícia poderia não soar bem para os brasileiros, que esperam pelo início das exportações de milho para a China. No entanto, o consultor de mercado Liones Severo aponta que o recorde de produção chinesa não deve afetar a demanda pelo grão.

– O consumo do país asiático tem crescido de 7% a 8% ao ano, o que não limitaria a procura pelo grão.

No Estados Unidos, já há filas de navios esperando pelo milho dos Estados Unidos – afirma.

O diretor da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, Sérgio Mendes, garante que as negociações para abertura do mercado chinês estão avançadas.

– O Brasil ainda não exporta milho para a China. O que já houve foi uma ou outra exportação no passado, mas não chegava a encher um navio. Formalmente, a exportação brasileira não está autorizada.

Segundo Mendes, o processo de liberação fitossanitária já está ocorrendo há um ano e foi intensificada nos últimos seis meses. O próximo passo para a negociação é uma reunião da ANEC com a secretaria de Assuntos Internacionais. A data para o encontro ainda não foi marcada. 

Preços do milho caem nos portos brasileiros na última semana

Pressão para baixo se deve a início da colheita nos EUA e desvalorização do dólar

(Números do Cepea indicam que valores do milho seguem firmes na maioria das regiões do Brasil pesquisadas)
 
As cotações do milho estão caindo nos portos brasileiros, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP). Os números do Cepea também indicam que os valores do milho seguem firmes na maioria das regiões pesquisadas.

A pressão para baixo dos preços do milho nos portos nacionais se deve ao início da colheita nos Estados Unidos e à desvalorização recente da moeda norte-americana. De acordo com o Cepea, essa queda nos portos pode ser repassada às cotações no interior do país nos próximos dias.

Entre 2 e 9 de setembro, o Indicador Esalq/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP), subiu 0,62%, com a saca de 60 quilos cotada a R$ 25,68 nessa segunda-feira, dia 9. Se considerados os negócios também em Campinas, mas cujos prazos de pagamento são descontados pela taxa de desconto NPR, o preço médio à vista foi de R$ 25,22 a saca de 60 quilos na quinta-feira, com alta de 0,5% em sete dias.

Quanto às exportações, o volume embarcado em agosto, de 3,05 milhões de toneladas de milho, foi de recorde para o mês, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterio (Secex). O preço médio foi de US$ 231,90 a tonelada, que, considerando-se a média mensal do dólar a R$ 2,3456, o valor recebido pelo exportador foi de R$ 32,63ª a saca. Na parcial de 2013, já foram embarcadas 12,2 milhões de toneladas, equivalentes a 62% das exportações de todo o ano de 2012.

Relatório da USDA: aumenta porcentagem de lavouras nos EUA em condições ruins

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, dia 9, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) aumentou a porcentagem de lavouras de milho em condições ruins e muito ruins no país na temporada 2013/2014. O USDA estima que 17% das lavouras norte-americanas estão em condições ruins e/ou muito ruins e 54% estão em condições boas e/ou excelente.

Apesar das revisões nos últimos relatórios, o cenário é diferente do verificado na temporada passada. Em 2012/2013, neste mesmo período, 52% das lavouras de milho estavam em condições ruins ou muito ruins, enquanto 22% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes.

Analista de mercado afirma que momento é propício para venda de soja

Em entrevista ao programa Mercado e Companhia, Ênio Fernandes aponta que a escassez de chuva nos Estados Unidos estimula altas no mercado futuro

(Analista diz que chance de errar a venda neste momento é muito pequena)
 
Os mapas meteorológicos indicam escassez de chuva na região produtora de grãos nos Estados Unidos e estimulam altas no mercado futuro. Na Bolsa de Chicago, a volta do feriado é marcada por ganhos superiores a US$ 0,40 nos contratos de soja. Milho e trigo também sobem. O analista de mercado Ênio Fernandes afirma que o momento é propício para os produtores começarem a vender a soja.

– Para quem tem soja disponível, colhida, guardada, a chance de errar a venda é muito pequena, porque tem pouco estoque, os preços já estão altos e o mercado interno vai exercer pressão de compra. Para quem vai plantar, para a soja do ano que vem, poucas vezes se vendeu no porto a R$ 70,00, R$ 65,00. O câmbio também está bom.

Fernandes recomenda que os sojicultores que pretendem comercializar o grão futuro acompanhem de perto o clima diariamente.

– Nos próximos dias que não marcar chuva, (o produtor) pode fazer suas posições volume a volume. Ele tem que ficar focado em clima nos próximos 10, 12 dias – sugere.

As projeções climáticas indicam que não deve chover de forma consistente nos Estados Unidos. Segundo Fernandes, o mercado vai permanecer em alta até o momento em que ocorrer uma precipitação mais forte nos Estados do oeste.

– Quando cair uma chuva, o mercado vai ceder, até lá, não – enfatizou.

Segundo ele, os próximos movimentos serão sempre fortes, para cima ou para baixo. 

Produtores de soja querem apoio do governo para padronizar os critérios de classificação de grãos

No Brasil, não há regras estabelecidas na classificação do produto

(Segundo os sojicultores, é o governo que deve ditar as normas de classificação dos grãos)
 
Os produtores de soja querem ajuda do governo federal para padronizar os critérios de classificação de grãos. Eles reclamam da falta de transparência das empresas na hora de descontar o produto considerado de baixa qualidade. Embora a soja tenha sido a principal responsável pelo aumento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, que cresceu 3,9%, produtores ainda perdem na venda para as trends. No Brasil, não há regras estabelecidas na classificação do produto, o que faz com que as empresas compradoras criem seus próprios critérios.

A situação foi discutida em Brasília, com a presença de representantes dos Estados Unidos e da Argentina.

Os dois países, que com o Brasil são competidores na venda de soja e outros grãos, trouxeram exemplos do sistema que aplicam. Um método que determina como avaliar o grão e dar o desconto ao vendedor.

Para o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja Mato Grosso (Aprosoja/MT), Marcelo Duarte, a dificuldade no caso do Brasil é a falta de transparência entre as trends.

– O que a gente está pleiteando é que esses descontos sejam feitos de forma também similar entre as empresas. Não idênticos, é obvio, porque cada empresa vai ter seu custo. Algumas empresas podem definir, por exemplo, que ela vai cobrar um pouquinho mais se a soja estiver mais úmida, outra vai cobrar mais se for impura. Mas queremos que isso esteja claro. Que as empresas publiquem para que os produtores não tenham surpresa – destaca Duarte.

Os produtores de soja querem agora expor o problema e pedir apoio do governo. O setor pretende se reunir com o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, levando os exemplos das práticas usadas na Argentina e nos Estados Unidos. Segundo os sojicultores, é o governo que deve ditar as normas de classificação dos grãos.

– Uma das saídas seria uma norma privada, e outra coisa seria a legislação que é um pouco mais complicada, precisaria ter um consenso e principalmente vontade política – disse o diretor executivo Aprosoja, Fabrício Rosa.

Proximidade de colheita nos EUA e demanda limitada pressionam para baixo preço de grãos na Ásia

Expectativa de queda afasta importadores asiáticos do mercado

(Safra norte-americana deve crescer neste ano à medida que as principais regiões produtoras se recuperam da seca do ano passado)
 
Os preços dos grãos no mercado asiático devem sofrer pressão para baixo nesta semana. A provável queda se deve à proximidade da colheita nos Estados Unidos e à demanda limitada. Importadores asiáticos começaram a se afastar do mercado em meio à expectativa de queda dos preços.

Os Estados Unidos estão se preparando para a colheita dos grãos que foram plantados na primavera (do hemisfério norte). A produção deve crescer este ano à medida que as principais regiões produtoras se recuperam da grave seca do ano passado.

– Produtores e tradings estão tentando se livrar de seus estoques da safra anterior, aumentando a oferta no mercado à vista antes da próxima safra – disse o vice-gerente geral da corretora Okato Shoji, Kaname Gokon.

Operadores e analistas esperam que os preços da soja caiam abaixo de US$ 13 o bushel neste mês. A projeção para os preços do milho e do trigo é de queda de 15 a 20 centavos de dólar por bushel.

Na semana passada, os preços subiram devido a preocupações com o clima seco nos Estados Unidos.

Chuvas leves se movimentaram na direção oeste através das grandes planícies norte-americanas. De acordo com relatório da consultoria Lachstock, os mercados terão uma ideia melhor do impacto do calor da semana passada quando as condições das lavouras forem atualizadas nesta terça-feira, dia 3 de setembro, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Exportações de milho dos Estados Unidos caíram 60% na quarta semana de agosto

No entanto, para a safra 2013/2014, foram negociadas 674 mil toneladas para entrega futura, aumento de 55,1%, frente às 434,5 mil toneladas da terceira semana

(Maior comprador dos EUA foi o Japão, que adquiriu 30 mil toneladas)
 
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que o país embarcou 36,2 mil toneladas de milho na última semana, o que significa uma queda 60% em relação à semana anterior. O maior comprador foi o Japão, que adquiriu 30 mil toneladas.

Para a safra 2013/2014, no entanto, foram negociadas 674 mil toneladas para entrega futura, aumento de 55,1%, frente às 434,5 mil toneladas da terceira semana. O México negociou a compra de 317,6 mil toneladas e o Japão, de 138,2 mil toneladas.

Projeção do dólar
A projeção do valor do dólar comercial no final de 2013 foi elevada pela quarta semana consecutiva, passando de R$ 2,32 para R$ 2,36, informou nesta segunda, dia 2, a Safras e Mercado. A expectativa para 2014, segundo dados do Focus, é que o dólar feche o ano a R$ 2,40, taxa maior que a de R$ 2,38, divulgada na semana passada.

Os economistas mantiveram a projeção para a Selic (taxa básica de juros) para o final deste ano em 9,50% ao ano. Já a projeção para 2014 foi elevada de 9,50% para 9,75%.

A projeção para o superávit da balança comercial em 2013 caiu, pela sétima semana consecutiva, passando de US$ 3,40 bilhões para US$ 3 bilhões. A expectativa para 2014 foi reduzida de US$ 9 bilhões para US$ 8 bilhões nesta segunda.

Nas contas externas brasileiras, a projeção de déficit da conta corrente de 2013 foi mantida em US$ 77 bilhões. A estimativa para 2014, por outro lado, foi elevada, passando de US$ 78,55 bilhões para déficit de US$ 78,90  bilhões.

Quebra na safra de grãos norte-americana pode ser maior que o esperado, diz Aprosoja

Representantes da comitiva brasileira observam que, se não chover dentro de uma semana, a produtividade de soja pode ser mais afetada do que a do milho

(Soja ainda precisa de mais chuvas durante a formação de grãos para garantir uma boa produtividade)
 
Uma comitiva da Aprosoja está nos Estados Unidos para acompanhar a safra de grãos do país e conhecer novas tecnologias e processos internacionais que possam ser aplicados na realidade da produção mato-grossense. Na última terça, dia 27, a equipe visitou a primeira fazenda no país, na divisa dos Estados de Indiana e Illinois.

Na propriedade, considerada grande produtora de grãos, são cultivados mais de 3,8 mil hectares entre soja e milho pelo o produtor Ollie Dorn, seus dois filhos e mais quatro funcionários em tempo integral. O produtor Ricardo Arioli, que acompanha a comitiva desde a primeira edição, há seis anos, contou que o milho nessa fazenda está se desenvolvendo bem, apesar da seca que se prolonga por 10 dias.

– Parece que o milho não será afetado, mesmo que esta seca continue por mais alguns dias como está previsto.

No entanto, a caminho de Champaign, foram vistas várias lavouras de milho com problemas de desenvolvimento devido à seca, como folhas enroladas, espigas pequenas, áreas mais amareladas e manchas em alguns talhões.

– Isso mostra que os problemas são localizados e que a falta de chuvas afetou algumas lavouras mais do que outras – explicou Arioli. De acordo com os jornais locais, este é o segundo mês de agosto mais seco da história.

Na quarta, foram visitadas mais duas fazendas, além da visita ao Laboratório Nacional de Pesquisa de Soja, que fica na Universidade de Illinois e é mantido pela Associação dos Produtores de Soja do Estado. Nessas lavouras, segundo os produtores, foi possível perceber que a soja visualmente está muito boa.

– A sensação dos produtores é de que se a seca continuar por mais uma semana, a produtividade da soja será mais afetada do que o milho – disse Arioli.

Como a soja e o milho foram plantados mais tarde do que o normal, a soja ainda precisa de mais chuvas durante a formação de grãos para garantir uma boa produtividade. Boa parte do milho já se encontra com a produtividade definida, pois durante a polinização o clima transcorreu bem com umidade e temperatura.

Outro problema que os produtores americanos temem é que possa ocorrer geada mais cedo, o que poderia causar algumas perdas. Segundo Arioli, a percepção é de que a safra americana poderá ter uma quebra maior do que o esperado e divulgado até agora e que ainda há muitas incertezas a respeito dos números finais da safra.

– Enquanto isso, o mercado continuará nervoso. Esta será uma safra de fortes emoções, mas também cheia de oportunidades – finalizou. 

Produção global de ração deve crescer até 2% em 2013

Aumento deve ser influenciado pelo bom desempenho de segmentos de bovinos de leite e aquicultura

(Expectativa é de crescimento do setor de proteína animal, o que puxaria a demanda por ração)
 
A produção global de ração deve crescer entre 1% e 2% este ano, influenciada pelo bom desempenho de segmentos de bovinos de leite e aquicultura, projetou nesta quarta, dia 28, o presidente da Federação Internacional da Indústria de Ração (Ifif, na sigla em inglês), Mario Cutait, no Salão Internacional de Avicultura, em São Paulo.

Segundo Cutait, a expectativa é de crescimento do setor de proteína animal, o que puxaria a demanda por ração.

– Temos certeza de que vamos produzir mais. Agora o que precisamos é de avanços em questões regulatórias. Nós estamos fazendo um trabalho de harmonização regulatória global, e precisamos de uma participação maior do Brasil – salientou.

Segundo ele, os custos de produção estão mais favoráveis do que em anos anteriores.

– Os preços do milho e da soja aparentemente estão se acalmando – destacou.

Para Cutait, é muito cedo para avaliar se a valorização recente dos grãos, por causa do clima seco e quente em regiões produtoras dos Estados Unidos, representa uma mudança de tendência.

– Ninguém toma decisão de estratégia em virtude da mudança de nível de preço de uma semana ou de um mês. O que se pode dizer é que hoje temos um cenário melhor de preços e custos para o setor de ração – assinalou.

A indústria de proteína ainda deve demorar para se recuperar totalmente dos prejuízos dos últimos dois anos com a elevação dos preços das commodities. Sobre o câmbio, ele destacou que as consequências da valorização do dólar ante as principais moedas ainda são incertas.

– Temos que esperar estabilizar isso, por enquanto há muita turbulência, é difícil ver quem é mais afetado em termos de países e ingredientes. O que nos preocupa muito é a inflação dos alimentos, porque muitos países estão com seu poder aquisitivo cortado – disse.

Na avaliação de Cutait, o cenário de demanda até o fim do ano é favorável.

– A gente vê a Europa e os EUA se estabilizando, e a China com crescimento menor, mas crescendo. A América Latina também cresce – assinalou.

Para o coordenador de inteligência de mercado da Associação das Indústrias de Alimentação Animal da América Latina e do Caribe (FeedLatina), Marcel Joineau, o mercado de ração latino-americano tem uma base interna de consumo forte, o que deve compensar em parte a frágil retomada do crescimento global.

– Este ano não deve ser muito diferente do ano passado. Projetamos um crescimento de 1% até 3%, dependendo da economia como um todo – apontou.

De acordo com a Feedlatina, em 2012, a produção de ração da América Latina (incluindo dados de México, Caribe, Américas Central e do Sul) totalizou 138 milhões de toneladas. Conforme Joineau, o México deve reduzir a produção de frangos este ano e importar mais, mas essa demanda pode ser atendida em parte pelo Brasil. Ele salientou, ainda, que as tendências de crescimento populacional e aumento do poder aquisitivo em mercados emergentes são benéficas para a indústria de ração latino-americana.

– A América Latina tem de se preparar cada vez mais para externar essa produção e atender ao aumento de demanda mundial – disse.

Regulação

Durante o painel Regulatórios de Insumos para Rações, realizado na manhã desta quarta foram debatidas legislações para insumos e rações no Brasil e na América Latina. A diretora executiva da Feedlatina, Flavia Ferreira de Castro, ressaltou a importância da participação da indústria latino-americana do Programa Feed and Food Seguro Latinoamerica. Ela assinalou que a harmonização de procedimentos regulatórios entre os países da região é fundamental para aumentar o fluxo de comércio.

Lavouras de soja e milho dos EUA apresentam muita irregularidade

Produtor do Iwoa acredita em perdas de 8% a 12% na safra americana por causa do clima

(Regiões que produzem grãos estão com cores vermelhas e alaranjadas, o que indica proximidade dos 40ºc)
 
Ao percorrer os Estados americanos produtores de grãos, fica claro como as lavouras estão em diferentes momentos. Há produção de milho com aparência seca, há lavouras bem desenvolvidas e há propriedades com o grão em estágio pouco avançado de crescimento. Para a soja, a situação é semelhante e também não há regularidade nas lavouras. O clima, que já era o foco, agora se tornou ainda mais relevante e pode mudar totalmente o que pensavam os agricultores do Meio-Oeste dos Estados Unidos.

A produtora rural, Khristie Wilson, de Ohio, afirmava ainda na quinta passada, dia 22, que o clima não deveria atrapalhar a produção que foi feita sem atrasos no plantio, diferentemente do que aconteceu em outros Estados americanos.

– As culturas estão melhores do que nos últimos dois anos. Nós vamos ter mais bushels para vender, mas com preços menores – afirmou Khristie Wilson.

Já em Iowa, a história foi outra. No fim de semana, o produtor John Maxwell já apostava em preços mais altos puxados por perdas nas lavouras americanas. Segundo Maxwell, o governo dos Estados Unidos está projetando produções mais elevados do que terão.

– O governo acha que terá colheita grande, mas eu não concordo, não terá preços como o ano passado. Mas quando perceberem que não tem tanto milho, os preços vão melhorar. Já a soja, está sofrendo com o clima e a falta de chuva vai interferir nos preços. Vai ter menos soja do que o USDA projetou, de 8 a 10% menos apontou Maxwell.

O clima, que sempre foi importante, agora é ainda mais relevante. Os jornais locais americanos dão destaque para as altas temperaturas. As regiões que produzem grãos estão com cores vermelhas e alaranjadas, o que indica proximidade dos 40ºc. Ou seja, o calor vai continuar e será previso acompanhar de perto como as lavouras de soja e milho vão responder às altas temperaturas.

Agricultor argentino deve reduzir área de milho e investir em soja

Preços baixos para o grão, alta dos custos, elevada carga tributária e intervenção oficial no mercado são fatores que influenciam a decisão

(Soja é a cultura de maior cultivo na Argentina, seguida do milho)
 
Prestes a iniciar o plantio da safra 2013/2014, agricultores argentinos devem reduzir a área semeada com milho e investir em soja, produto de maior liquidez. Levantamentos realizados pelas bolsas de cereais de Buenos Aires e de Rosario apontam, respectivamente, para um recuo de 3% e 10% nas lavouras do milho.

Por trás da decisão, estão os preços mais baixos para o grão, com a colheita de quase 350 milhões de toneladas de milho nos Estados Unidos, perspectiva que também desestimulará o plantio no Brasil. Mas produtores argentinos citam dificuldades extras, provocadas pela intervenção oficial no mercado.

– A realidade da Argentina é diferente da de outros países porque há muitas incertezas e distorções como as diferentes cotações do câmbio – disse o diretor executivo da Maizar, Martín Fraguío, cuja entidade reúne a cadeia produtiva do milho. Além dos preços baixos, o país convive com a alta dos custos e elevada carga tributária ocasionada pelas "retenciones", impostos cobrados sobre as exportações, de 20%.

Fraguío afirmou que os custos são pautados pela cotação do dólar paralelo, enquanto a comercialização da colheita, pelo dólar oficial, é cerca de 70% inferior.

– Isso gera muita preocupação – disse.

O cenário negativo também apresenta expectativa de que o governo possa baixar a alíquota das retenções para estimular o plantio. Em 2009, após uma forte estiagem que provocou prejuízos ao setor agropecuário e de um revés nas eleições parlamentares, a presidente Cristina Kirchner baixou a alíquota sobre as exportações de milho, de 25% para 20%.

Em 2013, não está descartado novo revés eleitoral, desta vez nas eleições parlamentares de outubro, e um clima adverso entre os produtores. Em 2012, os argentinos reduziram, significativamente, a lavoura de trigo, a ponto de faltar cereal no mercado interno no primeiro semestre. Os produtores de leite têm diminuído a produção, assim como os pecuaristas, o abate.

– Entendemos que o momento é ótimo para baixar as retenções sobre o milho porque, se a produção cair, o impacto na economia será muito maior do que está sendo com a queda do trigo – opinou.

Licenças

Para o setor, o governo poderia reduzir as retenções para 15% e liberar licenças para exportação.

– O milho precisa ser liberado urgentemente das licenças de importação e das retenções – afirmou o empresário Gustavo Grobocopatel, da empresa Los Grobo, uma das gigantes argentinas.

O primeiro plantio do milho ocorre entre setembro a outubro e o segundo, chamado de safra tardia, é realizado em dezembro. Essa segunda implantação responde por cerca de 40% da área cultivada com o cereal. Na safra anterior, esse porcentual representava 35% e, em 2010/2011, apenas 10%.

– Este salto foi possível graças ao uso de tecnologia que possibilita altos rendimentos – observou Fraguío.

O milho é o segundo maior cultivo da Argentina, depois da soja. A cotação do cereal n sexta, dia 23, era de US$ 171 a tonelada, enquanto para maio de 2014 a indicação chegava a US$ 160 a tonelada, considerando a produção norte-americana. A bolsa de Buenos Aires estimou a área de milho em 3,460 milhões de hectares.

Rendimento
Estudo da Associação de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (Acrea) revelou que, por todos os problemas mencionados anteriormente, "o milho só é competitivo em 25% da superfície plantada, principalmente nas zonas próximas aos portos ou indústrias". No resto do país, "a equação apresenta resultados que não cobrem os custos de produção e de aluguel dos campos". Em um campo de Rosario, por exemplo, com aluguel de US$ 280 o hectare, o produtor teria de obter um rendimento de 9.500 quilos/ha ou acima deste volume para ter lucro.

Ao contrário do Brasil, onde a soja avança firme sobre a área do milho, na Argentina a substituição acontece, mas em menor intensidade. O produtor Néstor Roulet, que foi vice-presidente de Confederações Rurais Argentinas (CRA), divulgou um estudo segundo o qual agricultor com terras próprias e rendimento médio de 2.550 quilos de soja por hectare perde US$ 20,62 por hectare devido aos elevados custos e impostos. Já em terras alugadas, o saldo negativo seria de US$ 132,41/ha.

– O setor está deixando de ser rentável e isso se reflete nas áreas de cultivo que não aumentam como deveriam aumentar – afirmou Roulet.

Pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Econômicos e Negociações Internacionais da Sociedade Rural Argentina (SRA) mostrou que os números são negativos para os produtores de trigo, cuja safra se encontra em andamento, de milho e soja.

– Considerando custos de estrutura, mesmo para as áreas altamente produtivas, como no norte da província de Buenos Aires, verificamos margens negativas de US$ 173/ha no caso do trigo, se o rendimento for de 3.500 quilos/ha; US$ 23/ha para a soja com rendimentos de 2.800 quilos/ha; e US$ 23/ha para o milho com rendimento de 7.500 quilos/ha – destaca o estudo.

Independentemente das dificuldades, a área que o milho perder será ocupada pela soja.

– Mesmo com a soja chegando perto dos US$ 300/t ainda é mais vantajoso para o produtor do que produzir milho a US$ 160/t – comentou o analista de grão, Javier Buján. As bolsas ainda não divulgaram estimativa para a safra da oleaginosa na Argentina.

O presidente SRA , Luis Miguel Etchevehere, disse que o governo comemora 100 milhões de toneladas de grãos produzidos na última colheita, mas não reconhece que suas políticas equivocadas impedem os produtores de investir tudo que podem e de chegar a uma produção de US$ 120 milhões de toneladas de um ano para o outro.

Setor de máquinas e implementos agrícolas comemoram e esperam bater recorde na Expointer 2013

Empresas esperam superar os R$ 2 bilhões em vendas do ano passado

(Empresas estão comemorando o crescimento vivido pelo setor no RS)
 
As empresas produtoras de máquinas e implementos agrícolas estão comemorando o crescimento vivido pelo setor no Rio Grande do Sul. A maior parte delas prevê bater os recordes de venda com relação ao ano passado, quando foi superado os R$ 2 bilhões.

Para Jair Servat, gerente de vendas da John Deere, a recuperação do setor como um todo no Estado teve seu início a partir da Expointer no ano passado. Servat explicou que as vendas dos contratos firmados em setembro de 2012, durante a feira, com taxas de juros reduzidas a 2,5% tiveram as entregas feitas em janeiro. A partir dai o segmento também foi impulsionado pelas altas nos preços dos grãos, originada pela seca nos Estados Unidos, e a falta de mão-de-obra no campo.

– Os produtores estão buscando tratores e colheitadeiras grandes por conta da dificuldade de encontrar mão-de-obra. Nesse ano, as vendas já cresceram na ordem de 30%. Em matéria de opções de bancos e financiamento, o RS é o melhor lugar. O estado tem dinheiro – explicou.

Servat estima vendas de 20% a 30% maiores que na feira do ano passado.

– Foi espetacular no ano passado, mas vamos trabalhar para superar o recorde – disse.

Leandro Bérgamo, gerente regional da New Holand, também espera uma boa feira. A meta da empresa é de crescimento de 5% a 8% em relação às vendas do ano passado.

 – O crédito está bom e o RS tem uma boa demanda de máquinas para produção de grãos. Também há segmentos específicos como o mercado de tabaco e hortifruticultura, e isso é muito bom – afirmou Bérgamo.

Exportação e agricultura familiar

A Stara, que tem sede em Não-Me-Toque (RS), no noroeste do Estado, vê também um bom momento econômico e a feira como uma oportunidade para incrementar vendas para a agricultura familiar.

– Falta mão-de-obra no campo e a agricultura familiar está buscando profissionalização. Por isso, a agricultura familiar tem buscado cada vez mais tecnologia. Oferecemos agricultura de precisão para esses pequenos produtores que querem se profissionalizar – revelou Orlando Francisco Mandelli, gerente da região Sul da Stara.

Márcio Elias Fülber, diretor comercial da Stara, contou ainda que a Expointer também é uma ocasião para encontro com possíveis importadores de seus produtos. Segundo Fülber, visitantes estrangeiros já compraram equipamentos da empresa no ano passado e em 2013 isso deve se repetir.
                         
– A exportação é um foco importante. Atualmente, exportamos para mais de 35 países. Para o nosso estande esse ano virão visitantes da África do Sul, Zâmbia, Moçambique, Venezuela, Colômbia, Bolívia e Chile. A expectativa é boa – declarou ao portal da Expointer.

Eduardo Copetti, gerente de desenvolvimento de mercado da Semeato, considera o mercado de máquinas agrícola bastante aquecido no Rio Grande do Sul. No semestre, o crescimento da empresa foi superior a 15%, mas o gerente não faz estimativas específicas para a feira.

– Os preços dos grãos devem nos trazer uma feira boa – resumiu.

Analista de mercado alerta que Brasil deve ser rápido nas exportações de milho

Ivan Wedekin destaca que o país precisa avançar nas vendas para o exterior antes da colheita do cereal dos Estados Unidos, que deve iniciar em setembro e outubro

(De janeiro a julho deste ano, Mato Grosso já exportou cinco milhões de toneladas de milho)
 
O analista de mercado Ivan Wedekin, alertou para a necessidade de os brasileiros avançarem nas exportações do milho antes que os Estados Unidos iniciem a colheita do grão, por volta de setembro e outubro.

– No mercado interno, o que os produtores estão fazendo é avançar as exportações enquanto não chega a colheita norte-americana. Em setembro e outubro, inicia a safra dos EUA e eles vão recuperar um pedaço das exportações.

Wedekin elogiou a posição do Brasil como exportador do cereal, mas afirmou que o grande desafio do setor é a logística.

– O Brasil tem que ser muito rápido nas exportações de milho esse ano e mais rápido ainda, infelizmente, na construção de infraetsuruta, para que não fique dependente. Hoje, quase 70% das exportações de Mato Grosso têm que ir pra fora do país pelo Porto de Santos (SP) e pelo Porto de Paranaguá (PR), com mais de dois mil quilômetros de estradas, muitas vezes em precárias condições – alertou.

De janeiro a julho deste ano, o Estado de Mato Grosso, um dos maiores produtores nacionais, já exportou cinco milhões de toneladas de milho. Em todo o ano de 2012, o total foi de nove milhões de toneladas. A segunda safra deste ano cresceu três milhões de toneladas. Se todo o volume for dedicado às vendas para o exterior, o Estado pode fechar o ano com 12 milhões de toneladas exportadas, o que significa embarcar cerca de 1,5 milhão de toneladas por mês, aponta Wedekin.

Seara embarca primeiro lote de carne de frango para o México, informa Ubabef

Mercado mexicano foi aberto ao Brasil no fim do mês passado, após a crise de gripe aviária do país

(Empresas brasileiras poderão exportar ao México 300 mil toneladas de carne de frango sem tarifa de importação)
 
A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) informou que a Seara fez nesta quarta, dia 21, o primeiro embarque de carne de frango para o México, sem especificar o volume exportado. O mercado mexicano foi aberto ao Brasil no fim do mês passado, após a crise de gripe aviária do país.

Empresas brasileiras poderão exportar ao México 300 mil toneladas de carne de frango sem tarifa de importação. De acordo com a Ubabef, se o México demandar toda a cota disponível, vai se posicionar entre os cinco maiores consumidores da carne de frango brasileira.

– O México nunca abriu o mercado para o Brasil, por causa do acordo comercial com o Nafta (tratado de livre comércio entre Estados Unidos, Canadá e México). Como o Brasil tem acordo só com Cuba e Haiti, ficava de fora do mercado – disse o presidente executivo da Ubabef, Francisco Turra.

Com o acordo sanitário entre os dois países, a expectativa da Ubabef é de que o mercado siga aberto ao produto brasileiro, de modo permanente. O Brasil deve produzir 12 milhões de toneladas de carne de frango este ano. De acordo com Ricardo Santin, diretor de Mercados da Ubabef, as exportações devem alcançar 4 milhões de toneladas.

Produção de soja dos EUA pode superar 90 milhões de toneladas em 2013, dizem produtores e autoridades do país

Apesar do atraso no plantio, safra deve ser a maior dos últimos três anos

A produção norte-americana de soja no ano-safra 2013/2014 deve superar 90 milhões de toneladas pela primeira vez em três anos, apesar do atraso no plantio e de temperaturas fora do normal nas últimas semanas, disseram nesta quarta, dia 21, produtores e autoridades do setor durante uma conferência internacional de grãos.

– As temperaturas nas principais áreas produtoras estão mais elevadas na última semana e há previsão de que continuarão assim no curto prazo, o que ajudará a safra a se desenvolver – diz Randy Mann, presidente do Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos.

Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu em quase 5% a estimativa para produção doméstica de soja no ano comercial que começará em 1º de setembro, para 88,6 milhões de toneladas, citando uma produtividade menor que a esperada inicialmente.

Em muitas regiões produtoras do norte de Iowa, de Illinois e Minnesota, as temperaturas - que há dias estavam abaixo do normal em torno de 21ºC - agora estão em 32,2ºC, o que deve beneficiar a formação de vagens, comenta o executivo-chefe do conselho, Jim Sutter.

Os EUA são o maior produtor de soja do mundo, mas na temporada atual perderam o primeiro lugar no ranking de exportação para o Brasil. Os norte-americanos tiveram que importar quase 1 milhão de toneladas em 2012/2013, depois que uma severa estiagem reduziu o rendimento das lavouras e encolheu os estoques domésticos para 3,4 milhões de tonelada, segundo dados divulgados no último relatório mensal do USDA.

– Ainda restam seis semanas antes do início da colheita e ainda podemos ter uma safra superior a 90 milhões de toneladas – afirma Mann, que cultiva milho em uma área de cerca de 1,8 mil acres (728 hectares) em sua propriedade em Kentucky.

Drew Lerner, um meteorologista da World Weather, no Kansas, prevê que haverá calor suficiente até o fim de agosto ou início de setembro para atrasar em uma ou duas semanas a chegada das geadas em algumas partes do cinturão produtor.

Sem geadas precoces, o potencial de perdas em decorrência do atraso no plantio será compensado e a produção pode ficar acima de 90 milhões de toneladas, avalia Sharon Covert, que produz soja e milho em 2.400 acres (971 ha) em Tiskilwa, no Estado de Illinois.

– Nem todos os produtores plantaram soja tardiamente e estamos esperando produtividades de até 50 bushels por acre em nossa fazenda, enquanto a média para o Estado de Ohio deve ficar em 47 bushels por acre – conta Daniel Corcoran, proprietário de 2,4 mil acres em Piketon, Ohio.

A estimativa oficial do USDA para produtividade média da safra 2013/2014 ficou em 42,6 bushels por acre no levantamento apresentado em 12 de agosto, mas o presidente do Conselho de Exportação de Soja afirma que as temperaturas mais altas em setembro podem resultar em uma média nacional de 44 bushels por acre.