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Produção de peixes em Mato Grosso do Sul pode chegar a 36 mil toneladas em 2013

Atualmente o Estado ocupa a 16ª colocação no ranking nacional de produção de pescados, com uma produção de 19 mil toneladas

(Produção vai ter crescimento de quase 100% já em 2013)
 
Com o lançamento do edital que ampliará a lamina d’água destinada à produção de peixes em Selvíria, Aparecida do Taboado e Paranaíba, Mato Grosso do Sul elevará o volume produzido por ano de 19 mil toneladas para aproximadamente 36 mil toneladas, aumento de 89,5%. A expectativa é do Ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, que lançou na Governadoria de Mato Grosso do Sul, no dia 8 de agosto, os editais de licitação para a cessão onerosa e não onerosa de áreas aquícolas nos reservatórios da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira.

As áreas ofertadas serão destinadas aos pequenos, médios e grandes produtores interessados em produzir tilápia, pintado, cachara, pacu, piracanjuba e tambacu. Ao todo serão cinco parques aquícolas com 52 áreas não onerosas e 11 onerosas. Juntas somam mais de 91 hectares de lâmina d’água com capacidade para produzir mais de 17 mil toneladas por ano de pescado e gerar de forma direta cerca de 270 empregos.

Atualmente o Estado ocupa a 16ª colocação no ranking nacional de produção de pescados. De acordo com o diretor secretário da Federação da Agricultura e Pecuária (Sistema Famasul), Ruy Fachini, para o acréscimo da produção é preciso também elevar o número de capacitações do setor.

– Quando nos referimos ao aumento de volume de pescado, remetemos imediatamente na geração de empregos e na mão de obra qualificada que o mercado deve exigir. As estatísticas das capacitações serão alteradas positivamente, principalmente na divisa com São Paulo – afirma Fachini, referindo-se aos cursos ministrados pelos instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS).

Em 2013 serão capacitados cerca de 250 piscicultores e trabalhadores do setor por meio do curso de implantação e manejo básico de piscicultura oferecido pelo Senar/MS. E para atender ao aumento da demanda a instituição, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), desenvolverá o curso de piscicultor, com 160 horas de capacitação.

Quanto a instalação dos tanques em Mato Grosso do Sul, o ministro Marcelo Crivella, divulgou o investimento de R$ 25 milhões na compra de máquinas para escavação e manutenção.

– Apesar do potencial brasileiro para a produção, continuamos a importar peixes. A capacidade dos piscicultores dessa região é extraordinária e será investido o que for preciso para alavancar o setor – finalizou o ministro.

Embrapa adapta Integração Lavoura Pecuária a solos arenosos

Sistema São Mateus também diminui oscilações de produtividade devido às variações do clima

(Sistema São Mateus também diminui oscilações de produtividade devido às variações do clima)
 
A Embrapa está adaptando o sistema de produção Integração Lavoura-Pecuária (iLP) para regiões com solos arenosos, pouco favoráveis à produção de grãos. Batizado de Sistema São Mateus (SSMateus), nome da fazenda parceira do projeto há cinco anos em Selvíria, Mato Grosso do Sul, o método já mostra viabilidade econômica. Selvíria fica na Região do Bolsão Sul-Mato-Grossense, uma das menos desenvolvidas do Estado

Mateus Arantes, produtor da Fazenda São Mateus, já vinha adotando a agricultura e a pecuária, mas sofria com as oscilações de produtividade devido às variações do clima. Com a adoção do novo Sistema, que se baseia em tecnologias já existentes, mas adequadas à realidade do produtor e ao ambiente da região, há um melhor desenvolvimento das plantas, por haver um aprofundamento do sistema radicular das culturas e, com isso, um maior aproveitamento da água das chuvas no solo.

– Isso faz com que, mesmo em terras arenosas como as daquela Região, que são classificadas como inadequadas para a produção de grãos, possamos ter boas produtividades. Outro fator positivo é que o Sistema também viabiliza economicamente a recuperação das áreas com pastagens degradadas, incluindo a produção de grãos", explica o pesquisador da Embrapa Júlio Cesar Salton.

Tradicionalmente, os outros modelos de iLP iniciam a sequência de rotação pela agricultura, para depois incorporar a pastagem. No SSMateus, a sequência começa pela pastagem. Com o início da rotação pela pastagem, há tempo adequado para que os corretivos reajam no solo, o sistema radicular da pastagem construa uma estrutura de solo favorável à manutenção de umidade e forneça a palha necessária para o Plantio Direto da soja.

Segundo o pesquisador, a adoção de um sistema como esse pode representar a viabilidade de uma propriedade, principalmente por existirem propriedades com baixa rentabilidade devido a pastagens degradadas. Um levantamento realizado na Região do Bolsão Sul-Mato-Grossense, mostra que há cerca de 3 milhões de hectares com aptidão para o Sistema São Mateus. 

– Se adotarmos esse modelo ou similar em apenas um terço desses hectares, haverá um impacto econômico positivo de cerca de R$ 1,5 bilhão. Isso pode dinamizar a economia da Região e do Estado – ressalta Salton.

Durante os cinco anos, o SSMateus foi comparado a outros sistemas utilizados na Fazenda e em outras propriedades da região. Nesse período, ocorreram os chamados veranicos, períodos sem chuva, em três anos. Salton afirma que nos sistemas tradicionais, praticamente não houve produção de soja. Já no Sistema São Mateus, houve produção em todos os anos, com produtividade média de 50 sacas de soja por hectare. Na pecuária a diferença entre sistemas tradicionais e o SSMateus é ainda maior.

– O sistema tradicional da Fazenda, apesar de não ser degradado, resulta em cinco a seis arrobas de carne por hectare/ano. Já o Sistema São Mateus, logo no primeiro ano da rotação da pastagem após a soja, chegou a produção média de até 20 arrobas de carne por hectare/ano – ressalta Salton.

Outros benefícios do SSMateus são redução de perdas por erosão, eliminação do alumínio tóxico no perfil do solo, melhoria na estrutura física do solo, redução de perdas de água por evaporação e maior capacidade das plantas em absorver água do solo em profundidade.

Produtores rurais, técnicos e demais interessados no Sistema, terão a oportunidade de conhecer mais sobre o Sistema nesta semana, nos dias 27 e 28 de junho, na Expotrês 2013, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O público ouvirá os depoimentos de pesquisadores da Embrapa, Júlio Cesar Salton e Ademir Hugo Zimmer, e do produtor da Fazenda, Mateus Arantes.