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ABCCC discute avaliações com jurados

Encontro inédito debateu decisões das provas em busca de minimizar erros

(Reunião debateu atuações dos jurados no circuito 2013)
 
Na última sexta, dia 9, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) reuniu-se com os jurados da lista um, que atuaram nas classificatórias do Freio de Ouro 2013, para uma revisão das avaliações. O encontro, realizado na sede da Associação em Pelotas (RS), promoveu o primeiro debate de uma medida instituída com a intenção de se tornar um foro permanente.

Tomando como base vídeos das próprias provas, a reunião discutiu as decisões tomadas pelos jurados em cada semifinal da seletiva, sem, no entanto, desabonar a soberania das suas escolhas em pista.

A entidade ressaltou também que o erro eventual faz parte de qualquer atividade jurisdicional, porém, que existe a preocupação em minimizá-los. Apesar do assunto delicado, a reunião mostrou que é possível uma cobrança, uma vez que todos os jurados aceitaram discutir abertamente suas atuações.

Para o jurado Roberto Martins Crespo, a reunião possibilitou uma importante equalização de juízos.

– O encontro foi um marco dentro a raça. Foi um grande passo da ABCCC e permitiu uma afinação de critérios, tanto morfológicos quanto funcionais. Foi importante para termos um retorno dos julgamentos e fazermos uma auto-avaliação, de acordo com as regras da ABCCC – afirmou Crespo.

O quorum também foi questionado quanto à profissionalização dos julgamentos e respondeu de maneira unânime. Nenhum dos 35 presentes, de um total de 39 jurados da lista um, se mostrou interessado em receber remuneração para atuar. Todas as opiniões convergiram no sentido de que os jurados atuais já agem com profissionalismo, e de que pode haver cobrança mesmo sem pagamento.

Assembleia aprova alterações no regulamento

(Votação reuniu criadores da sede da Associação em Pelotas)
A Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), reuniu seus associados para Assembleia Geral Extraordinária, na manhã de segunda-feira 24 de junho, na qual foram votadas propostas de alteração ao regulamento de Registro Genealógico. As mudanças foram sugeridas pela superintendência e pelo Conselho Deliberativo Técnico (CDT) da entidade de forma a adequar o seu regulamento ao documento unificado da Federação Internacional (FICCC).
A Assembleia, realizada na sede da ABCCC em Pelotas, teve início às 9h, em segunda chamada, com 65 presenças que no total representaram 112 votantes. A mesa central foi composta pelo presidente da ABCCC, Mauro Ferreira, o vice-presidente Técnico, Mário Suñe, a primeira secretária, Elisabeth Lemos, e mais dois membros convidados: o ex-presidente da entidade, João Manoel Costa e o integrante do Conselho de Planejamento, Frederico Wolf.
 
Na abertura do evento o presidente saudou os presentes e afirmou que a ABCCC tem motivos para se orgulhar do seu regulamento, já que este norteou a reformulação dos documentos na Argentina e Uruguai, os quais deverão adotar o regulamento brasileiro praticamente na íntegra. Também salientou que as propostas colocadas em debate já foram levadas ao conhecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e receberam parecer favorável.
 
O órgão do governo, inclusive, deverá receber nos próximos dias as decisões da Assembleia junto ao aval do CDT, para dar procedimento à homologação. De acordo com o superintendente do Registro Genealógico da ABCCC, Rodrigo Teixeira, a ideia é que já na Expointer – quando deverá ocorrer uma nova reunião entre os representantes dos países da FICCC, o regulamento já esteja aprovado.
 
O que foi votado

As alterações, algumas bastante simples e que na realidade ajustam o regulamento à proposta internacional e às novas tecnologias utilizadas na raça, foram em sua grande maioria aprovadas sem ressalvas. Entretanto, no item que se refere à revisão dos garanhões de cujo sêmen seja importado, ficou acordado que a ABCCC irá promover uma gira técnica na Argentina e Uruguai a fim de coletar amostras para o exame de DNA de reprodutores de interesse dos criadores brasileiros.
 
Algumas das mudanças aprovadas, entre outras, se referem à: a atuação em conjunto do superintendente substituto do SRG, o uso por esse de assinatura digital, a definição de sufixo ou prefixo, a não aceitação de produtos oriundos de clonagem, a opção do comunicado de morte ser feito através dos técnicos e a expedição de documento de produto importado para animais nacionalizados. Leia aqui a íntegra do documento com as alterações em vermelho.
 
Outra alteração votada na ocasião, gerada pela atual condição do regulamento da associação argentina que autoriza o uso de sêmen de garanhões mortos, precisou ser colocada em debate. Como os argentinos deixaram fora de cogitação tirar essa prerrogativa do seu registro, restou à brasileiros e uruguaios a opção de adaptarem-se à nova regra.
 
O tema gerou o debate mais intenso da manhã, com a exposição de diferentes posicionamentos por parte dos criadores presentes. Na decisão, mais uma vez, a Assembleia manteve a sua tradição de legislar para a frente e deliberou o seguinte: Após a morte de um garanhão, serão dele aceitas até 120 padreações (ou 150 para animais com Registro de Mérito, dependendo da sua situação no momento da morte), sem limite de tempo.
 
Como a proposta original sugeria o número máximo de 100 padreações, o tópico – com os números estabelecidos pela Assembleia - volta para a avaliação do CDT. Se reprovado, ficam valendo as 100 padreações como teto. A decisão está em vigor a partir da data da Assembleia em diante e não é retroativa, ou seja, vale somente para os reprodutores mortos a partir de agora.
 
O presidente da ABCCC fez uma avaliação positiva da Assembleia e comentou o encontro. “Acredito que a raça cresce com esses debates. A votação foi tranquila com os criadores expondo o seu ponto de vista”, diz Ferreira. “Tenho certeza que o CDT vai ser sensível ao que ficou pendente e vamos unificar o regulamento com os países vizinhos, materializando a razão de ser da FICCC”.