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Os Mirins - Baile de Candieiro

 
Camisa branca lenço colorado
E uma bota nova e calça de riscado
Pelos cabelos muita brilhantina
Que tem bate coxa no salão da esquina

E vou chegando meio ressabiado
Pelo lusco-fusco desse candieiro
E no entreveiro busco a tal morena
Por quem me deixei assim enfeitiçado

E já nos tocamos pro meio do baile
E mais uma volta e uma volta e meia
Toca mais um xote mais uma vaneira
Que eu mostro o meu valor

E eu me apeio pelo seu cangote
E o seu perfume me deixando tonto
Mais uma volteada que eu não abro mão
De quem é o meu amor

(Ah, meu candieiro
Se apagas teu lume agora
Eu pego esta flor de morena
Encilho o meu pingo e me vou mundo afora)

Pepeu Gomes - Barbearia de Campanha


Logo que chega a crescente
O oficial competente
Vai se enchendo de alegria
Ceva uma mate topetudo
E espera os melenudos
Pra afeitar a freguesia

Num estilo bem vaqueano
Vai recebendo os paisanos
Na porta da barbearia

O corte é sempre igual
Pois cabeça de bagual
Não precisa de vaidade
Usa "o meio cabeleira"*
Que agrada as estancieiras
E as moças da cidade

E o barbeiro Zé Tragano
Dia a dia, ano a ano
Se desdobra como pode...
Barbeando o Dr. Assis
Cortou a ponta do nariz
Pra emparelhar o bigode

Barbearia de campanha
Marca antiga e tradição
O serviço é macanudo
Ajeitando os tabacudo
Para os bailes do rincão (2x)

A navalha cortadeira
Chega juntar varejeira
De tanto sangue coalhado
Aparando as costeletas
Deu um taio na bochecha
Do filho do delegado

Por isso não se assustemo!
...é bom pra sair o veneno!
...volte sempre! Obrigado...

"Vendo couro e vendo lã"
"Fiado é só amanhã"
Assinado: a gerência...
A plaqueta no espelho
Pendurada junto ao relho
Agradece a preferência

Nunca falta um guaipeca
E um vadio lambendo "séca"
Até a hora de fechar...
Depois de passar a vassoura
Da uma afiada na tesoura
Pra a amanhã recomeçar

Barbearia de campanha
Marca antiga e tradição
O serviço é macanudo
Ajeitando os tabacudo
Para os bailes do rincão (2x)

João de Almeida Neto - Florêncio Guerra E Seu Cavalo


(Florêncio afiou a faca para sangrar seu cavalo
Florêncio afiou a faca para sangrar seu cavalo
Florêncio afiou a faca para sangrar seu cavalo)

Florêncio guerra das guerras do tempo em que seu cavalo
Pisava estrelas nas serras pra chegar antes dos galos
Florêncio afiou a faca pensando no seu cavalo
Florêncio afiou a faca pensando no seu cavalo

Parceiros pelas lonjuras na calma das campereadas
Um barco em tardes serenas um tigre numa porteira
Pechando boi pelas primaveras sem mango sem nazarenas

O patrão disse a Florêncio que desse um fim no matungo
Quem já não serve pra nada não merece andar no mundo
A frase afundou no peito e o velho não disse nada
E foi afiar uma faca como quem pega uma estrada

Acharam Florêncio morto por cima do seu cavalo
Alguém que andava no campo viu o centauro sangrado
Caídos no mesmo barro voltando pra mesma terra
Que deve tanto ao cavalo e tanto a Florêncio guerra!


Chasque Pra Don Muñoz

Amigo Érbio Munhoz
Meu chasque não tem floreios
Eu uso bombacha larga
E um chapéu de metro e meio
Botas de garrão de potro
Laço, pealo e gineteio
E me sustento pachola
Da serventia do arreio

Por voltas que a vida faz
Para açoitar um cristão
Ando cortado dos trocos
Freio e pelego na mão
Sem um cavalo de lei
Pra visitar meu rincão
O nosso Caiboaté Grande
Que trago no coração

(A Tia Maria me disse
Que tua tropilha é de lei
E o José Rodrigues Ramos
Confirmou quando eu pensei
Em te pedir um cavalo
Nesses versos que criei
Pra cantar em São Gabriel
Querência que sempre amei)

Entrega pro Tio Adir
Lá na Costa do Lageado
E diz pra Enilda e Sivinha
Que eu chegarei afogado
Num borrachão de saudade
Do tamanho do meu pago
E a Negra Juci me espere
Com um chimarrão bem cevado

Don Érbio guarde consigo
Que um dia arranco do peito
E pago esta obrigação
Que me deixa satisfeito
O pêlo é da tua conta
Baio, rosilho, eu aceito
Que o velho Moacir Cabral
Me fez assim por direito

(A Tia Maria me disse
Que tua tropilha é de lei
E o José Rodrigues Ramos
Confirmou quando eu pensei
Em te pedir um cavalo
Nesses versos que criei
Pra cantar em São Gabriel
Querência que sempre amei)

Cantar Galponeiro

Meu verso é rio de águas claras correndo para o remanso
É igual a um potro manso se andar garboso e faceiro
Faz tempo que é meu parceiro pois é meu verso que acalma
As penas da minha alma nas horas de desespero

(O meu cantar galponeiro traz a marca da querência
E aprova de uma existência cevada no mate amargo
E quem aceita o encargo de campeiro cantador
Sabe que é fiador da memória do seu pago)

Quem não renega as origens é cerno de corunilha
Plantado numa coxilha palanque por vocação
Esta xucra devoção expressa através do verso
Participa do universo sem desgarrar do seu chão

Meu verso carrega o timbre do sentimento nativo
E cada rima é um estribo onde se afirma a consciência
E nesta busca de essência meu canto é quase sagrado
Porque projeta um legado além da minha existência