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Incêndio atinge fábrica de laticínios em Imigrante

Bombeiros de quatro cidades ajudaram no combate às chamas
Incêndio atinge fábrica interditada pela Leite Compen$ado em Imigrante

Um incêndio atingiu na madrugada desta segunda a Laticínios Hollmann em Imigrante, no Vale do Taquari. A empresa - que fica na localidade de Seca Baixa - estava fechada desde julho em recuperação judicial.

Conforme a Brigada Militar (BM) de Imigrante, os policiais militares perceberam, em ronda de rotina, o início do fogo em paletes que estavam em frente ao prédio à 1h45min.

Bombeiros de Estrela, Teutônia e Bombeiros Voluntários de Imigrante e Colinas apagaram as chamas que destruíram a parte interna da fábrica. O incêndio, porém, não chegou ao escritório e às caldeiras. Não havia ninguém na empresa e não há relatos de feridos.


Fonte: Agrolink

Ministério Público gaúcho pede informações sobre recall de leite da marca Pavlat

Ministério da Agricultura informou que o produto pode ter sido fraudado, com adição de substâncias como clorito, sacarose e citrato

(Produto apresentava resultado desconforme para o parâmetro FQ 043)
 
A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre remeteu, na última sexta, dia 16, um ofício à empresa WK Alimentos do Brasil Ltda., localizada em Paverama, solicitando informações sobre notícia de recall em leite UHT integral, marca Pavlat, com fabricação datada em 4 de julho de 2013 e validade em 4 de novembro do mesmo ano, Lote 17C1.

O Ministério Público gaúcho tomou conhecimento através de informação do Ministério da Agricultura de que o produto apresentava resultado desconforme para o parâmetro FQ 043 - Índice Crioscópico. Tal resultado pode indicar possível fraude no produto pela adição de produtos como clorito, sacarose e citrato, por exemplo, com o intuito de mascarar a possível adição de água.

O Ministério da Agricultura determinou o sequestro cautelar de toda a produção referente ao leite cru impróprio e a imediata realização de recall dos lotes de produtos que já tinham sido expedidos ao mercado de consumo.

A Promotoria também solicitou informações à Delegacia de Polícia de Dom Pedrito e à própria empresa WK sobre uma consumidora daquele município que teria ingerido leite com possível presença de água sanitária.

Em maio deste ano, o Ministério Público Estadual desencadeou a Operação Leite Compen$ado, que denunciou a adulteração no leite com formol, ureia e água contaminada. O esquema pode ter adulterado até 100 milhões de litros de leite em 12 meses. A Pavlat não estava entre as marcas que tiveram lotes retirados do comércio.

Ministério da Agricultura negocia com empresas no RS redução de horário para recebimento de leite cru

Objetivo é evitar a ocorrência de adulterações nos produtos, como as recentemente identificadas nos transportadores, que culminaram na Operação Leite Compen$ado

(Redução do período de recebimento da matéria-prima pode servir para aprimorar a fiscalização e a melhorar o controle de qualidade das empresas)
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) definiu uma agenda com a cadeia produtiva do leite do Rio Grande do Sul para combater a fraude na produção, transporte e/ou industrialização do produto. O objetivo é evitar a ocorrência de adulterações em qualquer um dos elos da cadeia, como a recentemente identificada nos transportadores do produto e que culminou na Operação Leite Compen$ado, realizada com apoio do Ministério Público Estadual. Uma medida a ser adotada é a otimização da inspeção através da redução do horário do recebimento de leite cru em estabelecimentos sob fiscalização federal (SIF). 

A Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento  (SFA/RS) verificou que grande parte dos estabelecimentos que recebe leite cru no Estado trabalha 24 horas, mas na grande maioria dos casos não existe fluxo de caminhões que motive essa jornada. Vistorias realizadas pela equipe de inspeção em horário noturno revelaram que, em alguns casos, os técnicos das empresas que realizam as análises para recepção do leite cru são menos preparados. A redução do período de recebimento da matéria-prima pode servir para aprimorar a fiscalização e a melhorar o controle de qualidade das empresas.

Nas investigações realizadas pelo Ministério Público durante a Operação Leite Compen$ado foram encontradas evidências de que os fraudadores se utilizavam da amplitude do horário para internalizar o leite cru fraudado na ausência da fiscalização. Por isso, será solicitado a todas as empresas do Rio Grande do Sul um reestudo e uma redução do horário de recebimento do leite cru.

Visando garantir a melhoria da qualidade do leite e promover ações de educação em defesa agropecuária, a SFA/RS está atuando em conjunto com o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindlat), a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Entre outras ações decorrentes da parceria, está a confecção de um folder com orientações detalhadas sobre as condições em que o leite deve ser entregue e transportado até a indústria. O material já começou a ser distribuído para produtores durante a Expoleite, realizada em Esteio no mês passado. Com apoio das empresas de leite, haverá distribuição aos produtores junto com a nota fiscal de pagamento do produto.

Em conjunto com o Sindilat, ainda será organizado um workshop sobre procedimentos laboratoriais para fiscais e agentes de inspeção da Divisão de Defesa Agropecuária da SFA/RS, Secretaria de Agricultura e técnicos de controle de qualidade das empresas. O objetivo é harmonizar os procedimentos relacionados à qualidade do leite. Ainda conforme a agenda, a SFA/RS poderá realizar coletas de amostras de leite UHT oferecidos com preços muito baixos nos grandes mercados.

Ministério Público desarticula novos núcleos fraudadores de leite no Rio Grande do Sul

Nesta quarta, dia 22, foram cumpridos seis mandados de prisão e sete de busca e apreensão em três municípios do Norte do Estado

(Seis mandados de prisão e sete de busca e apreensão foram cumpridos em Rondinha, Boa Vista do Buricá e Horizontina)

O Ministério Público do Rio Grande do Sul desencadeou na manhã desta quarta, dia 22, a Operação Leite Compen$ado II, que investiga um esquema criminoso responsável pela adulteração do leite in natura, através da adição de água e ureia, contendo formol. Foram cumpridos seis mandados de prisão e sete de busca e apreensão em Rondinha, Boa Vista do Buricá e Horizontina, municípios do Norte do Estado.

De acordo com o Promotor de Justiça Mauro Rockenbach, a segunda fase daOperação Leite Compen$ado, que iniciou no último dia 8 de maio, tem o objetivo de estancar a fraude de adulteração do leite em outros dois núcleos no Rio Grande do Sul.

Em Rondinha, os mandados de prisão preventiva expedidos foram contra os empresários transportadores de leite Antenor Pedro Signor e Adelar Roque Signor, e o funcionário de ambos, Odirlei Fogalli. Em Horizontina, contra o empresário e vereador Larri Lauri Jappe. Segundo Rockenbach, a renovação do pedido de prisão contra Jappe foi motivada pela comprovação através de escutas telefônicas de que existia o risco de ele fugir do país.

Também foi decretada, novamente, a prisão de Daniel Riet Villanova, já recolhido no Presídio Estadual de Espumoso desde a primeira fase da operação. Segundo Rockenbach, foi possível apurar a sua associação também com os fraudadores de Rondinha. Todos foram presos.

Em Rondinha, na propriedade onde funcionava a transportadora, foram encontrados três caminhões, com capacidade para armazenar 18 mil litros de leite cada um. O leite apreendido era armazenado ao lado de latas de cerveja, sacos de adubo e ração para animais. No local, a polícia encontrou poços artesianos que podem ter sido usados para diluir o leite. Também foram apreendidas notas fiscais que comprovaram a compra de mais de 50 quilos de ureia.

Somente no município, 11 laudos do Ministério da Agricultura, entre os meses de fevereiro e maio deste ano, confirmaram a presença de formol no leite cru, somando um total de 113 mil litros impróprios para o consumo da população. Todo o produto tinha como destino a Confepar, uma união de cooperativas agropecuárias do norte do Paraná.

De acordo com Rochenback, desde fevereiro deste ano a empresa estava ciente de que o leite cru recebido dos postos de resfriamento no Rio Grande do Sul nos quais houve detecção de formol não deveria ser utilizado na produção de leite UHT e pasteurizado. No entanto, ainda não é possível atestar se a medida foi cumprida. 

– Quem deve responder isso é a empresa – observou o promotor.

Segundo Rochenback, os novos lotes adulturados já foram retirados dos pontos de venda.  O leite aprendido será analisado por técnicos do Ministério da Agricultura. A previsão é de que os resultados dos testes sejam divulgados em até três dias. 

Núcleos
Mauro Rockenbach esclareceu que todos os núcleos agiam de forma independente. No entanto, a fórmula utilizada para adicionar ureia ao leite era a mesma. Ele também adiantou que não há condições de apurar a quantidade do produto adulterado consumido pela população.

– A indústria é quem deve responder a esse questionamento – entende o promotor de Justiça. As primeiras notas fiscais apreendidas em Rondinha comprovam a aquisição de 50 quilos de ureia.

Fraude
As investigações do Ministério Público tiveram início em fevereiro deste ano e comprovaram que empresas gaúchas de transporte de leite adulteraram o leite cru entregue para a indústria. Uma das formas de adulteração identificadas é a da adição de uma substância semelhante à ureia e que possui formol em sua composição. A adulteração consiste no crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios, previsto no artigo 272 do Código Penal.

A simples adição de água, com o objetivo de aumentar o volume, acarreta perda nutricional, que é compensada pela adição da ureia – produto que contém formol em sua composição – e é considerado cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A fraude foi comprovada através de análises químicas do leite cru, onde foi possível identificar a presença do formol, que mesmo depois dos processos de pasteurização, persiste no produto final. Com o aumento do volume do leite transportado, os "leiteiros" lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro.

INFORMAÇÕES DO MP DO RS

 

Mapa destrói seis toneladas de leite em pó adulterado no Rio Grande do Sul

Lideranças do Ministério se reunirão com representantes da cadeia produtiva do leite para debater mudanças nos transportes de laticínios na quarta, dia 22

(Incineração foi realizada nessa segunda)

Fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) queimaram 6,2 toneladas de leite em pó nessa segunda, dia 20, em Taquara (RS). O leite em pó foi produzido a partir de leite cru onde foi detectada a presença de formol, resultado da Operação Leite Compen$ado.

Cerca de 318 mil litros de leite cru foram apreendidos em três postos de refrigeração no Rio Grande do Sul. Parte deste insumo foi utilizado para produzir leite em pó – para cada dez litros de leite cru, se faz cerca de um quilo do produto em pó. Do total retido, em cerca de 28 mil litros apresentaram indícios de fraude e eram oriundos de dois entrepostos interditados no dia 8 de maio deste ano. Os problemas foram detectados em 7,5 mil litros da empresa Líder Alimentos, em Crissiumal (RS), e de 20,8 mil litros da Marasca, que fica em Selbach (RS).

Do volume apreendido pertencente às empresas Líder e Marasca, serão destruídas 4,1 toneladas e 2,12 toneladas de leite em pó, respectivamente. Em relação à primeira empresa, o produto adulterado (7,5 mil litros) foi misturado com o leite do silo do posto em Crissiumal, totalizando 33 mil litros que foram transformados em leite em pó.

Reunião para discutir mudanças

Como a adulteração do produto ocorreu durante o processo do transporte, as autoridades do Ministério da Agricultura vão se reunir na próxima quarta, dia 22, com representantes da cadeia produtiva do leite, em Brasília, para discutir mudanças na relação das indústrias de laticínios com as transportadoras.

De acordo com o ministro do Mapa, Antônio Andrade, será apresentada a proposta para que as empresas alterem o pagamento pelo frete do produto, baseando-se na distância percorrida e não no volume transportado. A medida sugestiva é necessária porque o tema é tratado no âmbito comercial, o que foge da legislação referente à inspeção sanitária.

O Ministério também pesquisa como adotar novos parâmetros para a análise da quantidade de ureia no leite – uma vez que a substância faz parte da composição natural do produto. A intenção é aprimorar o sistema de inspeção do Programa Nacional de Combate à Fraude no Leite.

A Superintendência Federal de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (SFA/RS) ainda aguarda as demais análises das amostras do leite cru apreendido. A partir delas, serão definidos os destinos dos demais lotes que estão cautelarmente apreendidos em uma empresa que auxilia as ações do Mapa.

MAPA

 

Justiça aceita denúncia contra 13 pessoas por leite adulterado

Acusados responderão por adulteração de alimentos e formação de quadrilha

(Denunciados adulteraram leite in natura, mediante a adição de água e ureia)
 
Treze dos 14 acusados pela Operação Leite Compen$ado tiveram as denúncias aceitas pela Justiça no Rio Grande do Sul. Em Guaporé, duas pessoas serão citadas em inquérito movido pelo Ministério Público do Estado, e em Ibirubá, 11. Os promotores que atuaram no caso afirmam que, no período entre dezembro de 2012 a maio de 2013, os denunciados associaram-se para adulterar o leite in natura, mediante a adição de água e ureia, que contém formol, substância considerada cancerígena, em sua composição. Eles responderão por adulteração de alimentos e formação de quadrilha.

O produtor rural Arcídio Cavalli foi excluído do processo. O juiz Ralph Moraes Langanke considerou que a ureia que o agricultor adquiriu no período foi entregue nas propriedades rurais que tem na região para ser usada como fertilizante.

Em Guaporé, no nordeste do Estado, a Justiça aceitou denúncia do Ministério Público Estadual contra dois empresários que teriam montado esquema de adulteração do leite idêntico, mas sem conexões com o de Ibirubá. As ações penais tramitarão sob segredo de Justiça. O Ministério Público pode oferecer denúncia contra um terceiro grupo de fraudadores, da região de Horizontina, no oeste do Rio Grande do Sul, nesta semana.

Entenda o caso

O Ministério Público do Rio Grande do Sul, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Receita Estadual e da Brigada Militar, deflagrou, no dia 8 de maio, a Operação Leite Compen$ado, que apura, desde 2012, a adulteração de leite no Estado. A investigação apontou que cinco empresas de transporte de leite adicionavam água e ureia, que tem formol em sua composição, para dar mais volume às mercadorias. Com o aumento do volume do leite transportado, os atravessadores lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru. O MP suspeita que o esquema possa ter adulterado até 100 milhões de litros nos últimos 12 meses. As marcas que tiveram lotes de leite suspensos do mercado são Italac, Bom Gosto/Líder, Mu-Mu, Latvida, Hollmann, Goolac e Só Milk.

 

Câmara do Leite apresenta propostas para evitar fraudes no setor no Rio Grande do Sul

Entre as medidas, está a adesão pelo Estado da Instrução Normativa que regulamenta a produção, identidade e qualidade do leite

(Operação Leite Compen$ado constatou fraude de adulteração de leite no RS)

A Câmara Setorial do Leite no Rio Grande do Sul se reuniu nessa segunda, dia 13, na sede da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) para avaliar o prejuízo sofrido pela cadeia produtiva do leite em função dos episódios recentes de adulteração do produto no Estado.

O secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, propôs um conjunto de medidas que visam evitar a ocorrência de fraudes. Entre elas, a necessidade de reforçar as equipes de fiscalização, o que pode ocorrer mediante a contratação emergencial ou efetivação do concurso já aprovado para a Defesa Agropecuária do Estado.

Outro ponto sugerido pelo secretário foi a adesão, pelo Estado, da Instrução Normativa nº. 62, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que, por meio de normas técnicas mais rigorosas regulamenta a produção, identidade e qualidade do leite.

Também foi proposto o aumento do crédito presumido em contrapartida à adesão das indústrias que atuam com fiscalização estadual ou municipal ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). O crédito deveria ser usado para que estes laticínios investissem na melhoria das suas plantas industriais.

Outras medidas devem ser negociadas internamente no governo e com os integrantes da Câmara Setorial, na expectativa de que possam ser anunciadas na abertura da Expoleite, marcada para o próximo dia 16, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).

Para o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, estes eventos prejudicam todo o setor, uma vez que passa a haver descrédito por parte do consumidor e, por outro lado, demonstram com clareza que o Estado precisa avaliar o sistema como um conjunto, como acontece nas Câmaras Setoriais, principalmente no que se refere às questões de sanidade e inspeção.

– Precisamos virar a página e resgatar a credibilidade do setor. O nosso sentimento é de construir uma reação forte para comprovar a qualidade do nosso leite", assegurou o secretário.

O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat/RS), Wilson Zanatta, defendeu que não houve negligência por parte da indústria, já que eram exigidos 21 testes, mas somente a partir de 18 de fevereiro que o teste específico para detecção do formol passou a ser cobrado pelo Ministério Público.

Para Gilberto Piccinini, representante da Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Ocergs), é necessário ter serenidade "essa é a oportunidade que temos para corrigir os erros e pensar o futuro. Ao invés de destacar culpados, precisamos aproveitar o momento para organizar a cadeia".

Entenda o caso
O Ministério Público do Rio Grande do Sul, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Receita Estadual e da Brigada Militar, deflagrou na quarta, dia 8, a Operação Leite Compen$ado, que apura, desde 2012, a adulteração de leite no Estado. A investigação apontou que cinco empresas de transporte de leite adicionavam água e ureia, que tem formol em sua composição, para dar mais volume às mercadorias. Com o aumento do volume do leite transportado, os atravessadores lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru. O MP suspeita que o esquema possa ter adulterado até 100 milhões de litros nos últimos 12 meses. As marcas que tiveram lotes de leite suspensos do mercado são Italac, Bom Gosto/Líder, Mu-Mu, Latvida, Hollmann, Goolac e Só Milk. A operação resultou em 13 mandados de busca e, até o momento, sete pessoas permanecem presas.

GOVERNO DO RIO GRANDE DO SUL

 

MP-RS interroga um dos principais suspeitos de adulterar leite

Sete pessoas continuam presas, entre elas, o empresário que prestará depoimento nesta segunda, na cidade de Guaporé (RS)

 
(Volume de leite trabalhado pelo suspeito no período de um ano é de cerca de 43 milhões de litros, segundo promotor)
 
O Ministério Público do Rio Grande do Sul vai interrogar na tarde desta segunda, dia 13, um dos principais empresários suspeitos de envolvimento no esquema de adulteração de leite, com adição de água e um composto com formol, investigado pela Operação Leite Compen$ado, deflagrada na última quarta, dia 8. Segundo o promotor Mauro Rockembach, a denúncia deve ser entregue à Justiça até quinta, dia 16, mas ainda não há definição do número de participantes no esquema.

Sete pessoas continuam presas, entre elas, o empresário que prestará depoimento nesta segunda, na cidade de Guaporé (RS).

– Com certeza, ele é um dos principais envolvidos. O volume de leite trabalhado por ele no período de um ano é elevadíssimo, cerca de 43 milhões de litros. Além de transportar o leite cru do produtor ao posto de resfriamento, instalado em sua propriedade, ele adulterava [o produto] e analisava a qualidade. Em seguida, aproveitava-se do relaxamento de algumas empresas no controle de qualidade para entregar à indústria um leite com substância cancerígena – explicou, ressaltando que não há indícios de participação criminal das fabricantes de leite no esquema.

O promotor enfatizou que a fraude não se espalhou para outras regiões do país porque foi descoberta em uma fase considerada inicial. Segundo as investigações, a adulteração ocorria há cerca de um ano.

O Ministério Público estima que as empresas investigadas transportaram cerca de 100 milhões de litros de leite entre abril de 2012 e maio de 2013. Do total, o órgão acredita que 1 milhão de quilos de ureia contendo formol tenham sido adicionados, com o objetivo de aumentar o volume do leite transportado e consequentemente o lucro sobre o preço do leite cru.

– Era um esquema grande que tivemos a felicidade de pegar no início, a tempo de alertar as autoridades e a fiscalização para essa situação grave. Corríamos o risco de ele circular pelo país e então perderíamos o controle da fraude – destacou, ao acrescentar que novos depoimentos serão tomados na quarta, dia 15.

Além das investigações criminais, quatro inquéritos civis para apurar a responsabilidade das empresas de leite tramitam na Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor. Com o objetivo de fiscalizar a qualidade do leite produzido no Rio Grande do Sul, o órgão vai cruzar as informações levantadas pelo MP-RS com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e de entidades estaduais de fiscalização, como o Centro Estadual de Vigilância e Saúde e a Vigilância Sanitária Estadual. De acordo com o MP, as empresas de leite serão chamadas para uma reunião, no órgão, nos próximos dias.

Na sexta, dia 10, o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, tranquilizou os brasileiros em relação ao consumo de leite, alegando que as adulterações descobertas no produto fabricado no Rio Grande do Sul foram resultado de uma fiscalização eficiente do ministério.

Apesar de o ministério atestar que não há falha no monitoramento, técnicos da pasta se reunirão com representantes da cadeia produtiva do leite com o objetivo de estudar alternativas para melhorar os mecanismos de controle. Um dos encontros será no dia 22, em Brasília. Entre os pontos que o ministério discutirá com o setor privado está a possibilidade de o transporte de leite ser remunerado por quilometragem e não pela quantidade do produto.

Segundo balanço do Ministério da Agricultura, até o fim da semana passada foram recolhidos cerca de 600 mil litros de leite que já haviam passado pelo processo de industrialização e chegado ao mercado. Desses, dois lotes totalizando 28 mil litros do produto registraram presença de formol.

Entenda o caso
O Ministério Público do Rio Grande do Sul, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Receita Estadual e da Brigada Militar, deflagrou na quarta, dia 8, a Operação Leite Compen$ado, que apura, desde 2012, a adulteração de leite no Estado. A investigação apontou que cinco empresas de transporte de leite adicionavam água e ureia, que tem formol em sua composição, para dar mais volume às mercadorias. Com o aumento do volume do leite transportado, os atravessadores lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru. O MP suspeita que o esquema possa ter adulterado até 100 milhões de litros nos últimos 12 meses. As marcas que tiveram lotes de leite suspensos do mercado são Italac, Bom Gosto/Líder, Mu-Mu, Latvida, Hollmann, Goolac e Só Milk. A operação resultou em 13 mandados de busca e, até o momento, sete pessoas permanecem presas.

AGÊNCIA BRASIL