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Erva-Mate: Política nacional pauta encontros


A cadeia da erva-mate aguarda a realização de audiências públicas para debater o projeto de lei que institui a Política Nacional da Erva-Mate. A comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou recentemente um requerimento do deputado Afonso Hamm que prevê a realização de seminários nos municípios gaúchos de Erechim, Venâncio Aires e Arvorezinha ou Ilópolis, onde está concentrada boa parte da produção gaúcha. Os encontros devem começar em setembro, mas as datas ainda não estão definidas. o PL visa estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva por meio de parcerias entre o setores público e privado. Também devem ocorrer encontros sobre o tema em outros estados produtores e em Brasília

Fonte: Correio do Povo

Seminário na Expointer 2013 debate articulação da cadeia da erva-mate

Integração entre produtores, indústria e governo foi apontada como estratégica para atender a demandas futuras


Um seminário na manhã deste sábado na Expointer 2013 transmitido ao vivo pelo Canal Rural debateu a articulação da cadeia da erva-mate. A integração entre produtores, indústria e governo foi apontada como estratégica para atender a demandas futuras, aumento de produção e sustentação do produto, que é um dos mais tradicionais do Rio Grande Sul.

Se de um lado o setor comemora a retomada da Câmara Setorial, a criação do Fundo de Desenvolvimento e Inovação da Cadeia Produtiva da Erva-Mate do Estado (FundoMate), a valorização do preço e outras políticas do governo que contribuíram na organização da cadeia, de outro, ainda luta pela desoneração de impostos federais, como PIS e Cofins.

– O produtor se sentiu desestimulado e acabou migrando para outras culturas, como a soja – Valdir Zonin, coordenador técnico da Câmara Setorial da Erva-Mate e secretário-executivo do fundo. Durante os últimos dez anos, o valor da erva mate se manteve defasado, em torno de R$ 3 a R$ 4.

O Fundomate, criado por lei aprovada no final do ano passado, deve contar com receita anual de R$ 3,5 milhões, numa parceria entre indústria e governo. Até o final do ano, serão liberados R$ 500 mil. A estimativa é de que em quatro ou cincos anos se aumente a produção. A erva-mate leva em torno de seis anos para ser produzida de forma viável. Outra meta será avançar na certificação, possuída por somente cinco marcas atualmente.

Mercado da erva-mate vive momento de recuperação

Setor havia encolhido nos últimos anos, com redução de produtividade e área plantada

(Cenário atual é de bons lucros para os produtores da erva-mate)
 
O mercado da erva-mate vive momento de recuperação, depois de encolher nos últimos anos, com redução de produtividade e de área plantada. O cenário atual, no entanto, é de bons lucros para os produtores.

Ilópolis, no interior do Rio Grande do Sul é considerada a capital nacional da erva-mate. Na cidade de 2 mil habitantes, até os canteiros que dividem o asfalto são preenchidos com mudas da espécie. Um quinto da erva-mate produzida no Estado gaúcho sai do município. No entanto, a produtividade nos últimos anos caiu, pois o preço pago ao produtor estava muito baixo. E a área plantada também declinou, em 30%.

– Existia um excesso de oferta, à qual o consumo não correspondia. O preço então se manteve baixo – afirma o empresário Valcir Montagner.

Mas, com poucos produtores continuando na cultura da erva-mate, o mercado sofreu uma reviravolta. Com a escassez da matéria prima, a indústria passou a pagar mais pelo produto. Há sete meses, os produtores estão recebendo 150% a mais pela erva-mate produzida.

– Hoje estamos ganhando em torno de R$ 17 a arroba. É a primeira vez que conseguimos uma boa renda com a erva-mate – afirma o produtor rural Cleber Gabiatt, que diz ter persistido na atividade em épocas difíceis porque a região não oferecia muitas alternativas de plantio.

Em contrapartida, a conta ficou mais cara para a indústria. O proprietário de uma das 13 empresas de beneficiamento da erva-mate da região diz que não está conseguindo repassar os custos ao varejo.

– Um quilo da erva chegaria ao consumidor a R$ 15 ou R$ 18, e isso não é possível. Neste momento, nós precisamos buscar todas as alternativas possíveis para que se tenha um equilíbrio – Valcir Montagner.

O Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate) defende a desoneração, além de reivindicar a inclusão do produto na cesta básica.