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Classificatória de Bagé revela novos classificados à decisão do Freio de Ouro

Reconhecida como um dos polos mais tradicionais na criação de cavalos Crioulos, a cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, recebeu a sexta etapa classificatória do circuito 2016 do Freio de Ouro. A prova, realizada entre os dias 9 e 12 de junho no parque da Associação Rural do município, habilitou mais oito conjuntos à decisão na Expointer e teve entre os seus destaques o presença de novos criadores e ginetes entre os premiados.

Depois de um começo equilibrado, no dia 9 de junho, com a avaliação morfológica dos 38 machos e 39 fêmeas participantes dessa semifinal, a prova teve alternância de posições entre as etapas funcionais. Sempre sob baixas temperaturas, naturais do clima típico da região da campanha gaúcha nesse período do ano, a disputa foi acirrada até o fim, beneficiada pela qualidade estrutural das pistas, e do gado oriundo da estância Santa Leontina, do criador Carlos Mário Suñe.

Entre as fêmeas, categoria é julgada por Álvaro Dumoncel, Lauro Varela Martins e Leonardo Alberton Ardenghy, chamou a atenção a arrancada impressionante de El Barquero 04 Patagonia, que saltou da 34ª posição na primeira etapa para a liderança desde as primeiras etapas funcionais e encerrou a prova na primeira colocação com a nota 20,515. A fêmea, de propriedade de Ricardo Kroef, foi conduzida por Fabrício Barbosa, eleito o Ginete Destaque da categoria.

“Foi uma prova competitiva, grande, com um clima excelente e um gado de altíssima qualidade. Destaque enorme à égua que venceu, um animal de uma sensibilidade incrível, bem conduzida e com uma funcionalidade impressionante. Acho que o grande diferencial foi justamente essa sintonia entre o animal e o ginete, que se entenderam muito bem”, disse Álvaro Dumoncel, jurado das fêmeas.

Para Kroef, o resultado mostrou que é possível apostar na funcionalidade. “Essa é uma grande comemoração da raça Crioula. Nós sempre acreditamos muito no potencial dessa égua, apesar de ser um animal de uma morfologia não tão privilegiada. Isso é um incentivo àqueles criadores que investem em função. Acho que é um acerto da ABCCC em realizar uma prova em que todos os animais tem a mesma condição de vencer. Vamos ver se na final do Freio conseguimos repetir esse bom desempenho”, afirmou o proprietário.

Entre os machos, julgados por Ciro Manoel Canto de Freitas, Daniel de Souza Mello e Francisco Martins Bastos Sobrinho, a vitória de Lanceiro II de Santa Edwiges foi resultado da persistência, do equilíbrio e da superação. Lanceiro, de Daniel Anzanello, Luis Ricardo e Vanessa Maccaferri, foi montado por Milton Castro, que se recupera de uma fratura no pé e foi eleito o Ginete Destaque dos machos.

“Essa prova, assim como as outras classificatórias, foi de alto nível. O cavalo que venceu é um animal lindo, que não errou e ganhou porque foi o melhor. Além disso, foi um grande resultado para o Milton que é um ídolo para todos nós, uma referência e a sua superação tem que ser aplaudida de pé. É realmente um ginete de ouro”, comentou Francisco Bastos Sobrinho, jurado dos machos.

Para o paulista Luis Maccaferri, integrante da parceria de expositores do animal, a conquista foi a comprovação de que a aposta no animal foi correta. “O cavalo já se mostrava uma promessa boa, por ser filho de dois animais de comprovada qualidade. E também pelo Milton, que é um grande profissional e um ícone como ginete. Nós ficamos na torcida e acho que Deus estava do nosso lado”, disse.

A prova foi supervisionada pelo técnico da ABCCC, Daniel Rossato Costa e contou com o apoio do Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos de Bagé. A próxima etapa do circuito acontece em Araranguá, Santa Catarina, entre os dias 23 e 26 de junho. O Freio de Ouro conta com o patrocínio de Ipiranga, Massey Ferguson e Ford, além do apoio da Supra.

Resultado

Fêmeas
1º Lugar
El Barquero 04 Patagonia, filha de Capanegra Jacarta e Capanegra Iguaria; criador e expositor Ricardo Galicchio Kroef, Cabanha El Barquero, Porto Alegre/RS
Ginete: Fabricio Barbosa
Nota: 20,515

2º Lugar
SC Verônica, filha de Destaque da Boa Vista e SC Pitanga; criador Carlos Santos Silveira de Ávila e expositor Artur Terra e Inácio Terra, Estância Tamanca, Santa Vitória do Palmar/RS
Ginete: Marcos Silveira
Nota: 19,442

3º Lugar
Quermesse de Santa Thereza, filha de Cotizado Chico e Mutreta de Santa Thereza; criador e expositor Rodolfo Belmonte Móglia, Estância Santa Maria, Bagé/RS
Ginete: Pedro Móglia
Nota: 19,394

4º Lugar
Hortênsia do Ribeirão Bonito, filha de Delegado do Ribeirão Bonito e SJ Ofensiva; criador Arison Jung e expositor Sandro Sakata, Cabanha Villarreal, Colombo/PR
Ginete: Jonatan Teixeira
Nota: 19,217

Machos
1º Lugar
Lanceiro II de Santa Edwiges, filho de Rodopio de Santa Edwiges e Víbora de Santa Edwiges; criador Daniel Anzanello e expositor Daniel Anzanello e Luis Ricardo e Vanessa Maccaferri, Cabanha Santa Edwiges e Estância Ferri, São Lourenço do Sul e Tatui/SP
Ginete: Milton Castro
Nota: 19,738

2º Lugar
Esteio JB de Palermo, filho de Arunco JB de Palermo e KVK Carpincha; criador Otto Jayme Beckert e expositor Alexandre Sandri, Cabanha Potro Sem Dono, Itajaí/SC
Ginete: Claudio Correia
Nota: 19,670

3º Lugar
Urânio do Itaó, filho de Desafio de Santa Edwiges e La Gringa do Infinito; criador Cássio Souza Bonotto e expositor Everson Luciano da Rosa, Cabanha Estribeira, Novo Hamburgo/RS
Ginete: Adriano A. Streck
Nota: 19,380

4º Lugar
Quero Mesmo do Boeiro Branco, filho de Comandante da Velho Pedro e Harpa do Boeiro Branco; criador e expositor Bráulio Dinarte da Silva Pinto, Cabanha Boeiro Branco, Itaqui/RS
Ginete: João Furtado
Nota: 19,270

Seminário Cooplantio destaca inserção da mulher no gerenciamento de propriedades rurais no segundo dia de evento

Na mesa redonda "A mulher na Agricultura Atual e o Futuro", produtoras contaram como superaram as dificuldades e hoje comandam com eficiência suas propriedades

(O 28º Seminário da Cooplantio segue até quarta, dia 5)
 
O papel da mulher na gestão de propriedades rurais e na evolução do agronegócio foi destaque no segundo dia do28º Seminário Cooplantio, realizado em Gramado (RS). Na mesa redonda "A mulher na Agricultura Atual e o Futuro", realizada na manhã desta terça, dia 4, produtoras e administradoras rurais dividiram suas experiências de gestão com as centenas de pessoas que participam do evento.

Mediada pela jornalista Tânia Carvalho, a conversa teve a participação de Renata Zaffari Ariolli, engenheira agrônoma e produtora rural em Erechim (RS); Fernanda Viacelli Falcão, engenheira agrônoma e produtora rural em Passo Fundo (RS); e Helena Schmidt, produtora e administradora rural em Santa Vitória do Palmar (RS).

Ao contar um pouco de suas histórias, as produtoras revelaram que a determinação de fazer suas propriedades terem êxito é um ponto em comum entre elas. Em um ambiente predominantemente dominado por homens, as três conseguiram mostrar que as mulheres também podem gerir com eficiência.

Renata Ariolli administra um haras e fazenda de 1,3 mil hectares em Erechim. A propriedade familiar produz sementes destinadas, em sua totalidade, à Cooplantio. No verão, são produzidos soja e milho, e o no inverno, trigo e aveia branca. A propriedade cria também cavalos, bovinos e ovinos.

A inserção da mulher no trabalho da propriedade da família de Renata cresceu com a necessidade de mão de obra. Ela explica que é grande a dificuldade para manter empregados no campo, e para isso, sua família optou por investir na empregabilidade familiar e, consequentemente, no trabalho feminino também.

– Nesse contexto, porque não inserir também a mulher? Com a inserção da família no trabalho da propriedade, conseguimos uma baixa rotatividade e um melhor desempenho.

Renata conta que no começo de seu trabalho na fazenda teve medo do preconceito por ser mulher e ser jovem. O relacionamento com os colaboradores, muitos deles homens, e a necessidade de resultados também a preocupavam. Mas todas as dificuldades foram ultrapassadas, e ela credita esse sucesso na gestão, também, às suas características como mulher.

– As características que fazem a mulher manter família, emprego e outras funções, ajudam também no gerenciamento da propriedade.

Fernanda Falcão também teve medo, no início, de comandar as propriedades da família – em Primavera do Leste (MT) e no Rio Grande do Sul – e todos os funcionários, que em sua maioria são homens. Ela, no entanto, superou os obstáculos e venceu. Em Mato Grosso, a família tem 3,8 mil hectares onde são produzidos grãos.

Segundo Fernanda, para manter uma empresa familiar e fazer tudo funcionar com eficiência, é necessário pensar como uma empresa e não como família.

– Quando você tem uma empresa familiar, antes de ser filha ou irmã, você tem metas, você tem que ser profissional. Os diferenciais da mulher, segundo ela, também podem ajudar a gerir os negócios com qualidade.

Helena Schmidt administra uma empresa familiar com o marido e os filhos em Santa Vitória do Palmar. A família tem 2,2 mil hectares e possui ainda uma área de domínio que passa de quatro mil hectares. Na área, são produzidos grãos, além de pecuária de leite e de corte.

Quando Helena começou na administração do campo, o Brasil passava por problemas econômicos. De uma área de mil hectares a família baixou para 400 hectares. Para cortar gastos, dispensaram todas as chefias da propriedade. Ela e o marido assumiram, então, toda a gerência da fazenda e, aos poucos, foram crescendo novamente. Para ela, o sucesso da atividade familiar e da mulher no campo está aliado à união familiar, porém, sem nunca perder o foco.

– O papel da mulher do campo está em encontrar o meio termo para o tão desejado equilíbrio – finalizou Helena.