A partir de agora, porém, as lavouras começam a entrar na fase de floração e ficam sensíveis às baixas temperaturas
(Cultura do trigo vem se desenvolvendo muito bem no Rio Grande do Sul)
A cultura do trigo
vem se desenvolvendo muito bem no Rio Grande do Sul. O clima ameno, com
baixa umidade, boa luminosidade e noites frias tem propiciado ótimas
condições para o crescimento do grão em todas as regiões produtoras.
Segundo técnicos e agricultores, há algum tempo as lavouras não
apresentavam aspecto visual e potencial produtivo tão bom.
Informações coletadas pela Emater/RS-Ascar indicam que o aspecto
sanitário é considerado excelente na maioria dos casos, com as lavouras
apresentando coloração verde intenso e bom perfilhamento. No momento, os
agricultores intensificam a aplicação de nitrogênio em cobertura e o
controle de invasoras e moléstias. A partir de agora, o clima deverá ser
a maior preocupação dos triticultores, tendo em vista o aumento
gradativo do percentual de lavouras que começam a entrar nas fases de
elongação/floração, consideradas sensíveis à baixa temperatura e às
geadas. O total de lavouras nesse estágio chega a 4%.
Outras culturas
Canola
As condições climáticas continuam beneficiando a canola, mesmo com os
danos causados a algumas lavouras pelas geadas ocorridas no final do
mês de julho, determinando o abortamento de flores. Mesmo assim, em
geral, a cultura segue nas fases de desenvolvimento vegetativo e
floração, apresentando, ainda, um bom padrão de lavoura e um bom
potencial produtivo, mantendo-se acima das estimativas iniciais. O valor
de referência para negócios está em R$ 58,00 por saca (equivalente ao
preço da soja).
Bananas
No Litoral Norte, os bananais estão em produção, com frutos
apresentando boa qualidade. Não foram registradas perdas ocasionadas
pelas baixas temperaturas. A colheita na região é realizada ao longo do
ano.
Em todos os meses do ano há formação de brotação, surgimento e
desenvolvimento de novos cachos, colheita e comercialização. No momento,
os agricultores reclamam da forma de classificação da banana de
segunda, que reduz em 50% o valor recebido. Da mesma forma, o peso das
caixas é fator de descontentamento entre os agricultores. A
comercialização está com a alta dos preços nos principais mercados do
país, com isso houve reação positiva na cotação do mercado local. A
cotação de preços pagos ao produtor na região do Litoral Norte é
considerada boa, com os seguintes valores: banana prata, R$ 24,00 a
caixa com 20 quilos (kg) do produto de primeira qualidade e R$ 12,00
para a banana de segunda qualidade; banana caturra (nanica), R$ 12,00 a
caixa com 20 kg para produto de primeira qualidade e R$ 6,00 para banana
de segunda.
Pêssegos
O somatório das condições climáticas das duas últimas semanas - a
intensidade e qualidade do frio, a alta e prolongada insolação,
gradativa subida da temperatura e, no final, chuvas de media/alta
intensidade, propiciaram condições para o desenvolvimento da florada de
diversas variedades de pêssegos. A variedade Chimarrita, material
semiprecoce e a mais plantada na região da Serra, encontra-se em
florescimento pleno, mesmo nos locais de maior altitude em que é
cultivada. Em localidades de mesoclima mais quente, como o Vale do Rio
Caí, as cultivares mais precoces já apresentam frutos nos seus primeiros
estágios de crescimento. Na região Sul, os produtores fazem a limpeza
dos pomares e intensificam a poda. Seguem os tratamentos fitossanitários
da fase de floração nos pomares cultivados com variedades mais
precoces. O frio, até o momento, é favorável à cultura do pêssego.
Rebanho bovino
O rebanho bovino de corte gaúcho, quando mantido exclusivamente no
campo nativo, está perdendo peso devido à redução da oferta de
alimentos, pois estas espécies forrageiras naturais estão queimadas
pelas baixas temperaturas e fortes geadas que ocorreram no período na
maioria das regiões produtoras do Estado. Por outro lado, os animais
mantidos em pastagens cultivadas, especialmente nas áreas de gramíneas
anuais de inverno, como aveia e azevém, ou confinados, apresentam bom
ganho de peso. As condições sanitárias dos animais, de maneira geral,
continuam satisfatórias, pois predominaram períodos caracterizados pelas
baixas temperaturas, porém associadas com baixos teores de umidade,
condições pouco favoráveis à proliferação de doenças e parasitas,
especialmente verminoses e carrapatos.