Sistema São Mateus também diminui oscilações de produtividade devido às variações do clima
(Sistema São Mateus também diminui oscilações de produtividade devido às variações do clima)
A Embrapa está adaptando o sistema de produção Integração
Lavoura-Pecuária (iLP) para regiões com solos arenosos, pouco favoráveis
à produção de grãos. Batizado de Sistema São Mateus (SSMateus), nome da
fazenda parceira do projeto há cinco anos em Selvíria, Mato Grosso do
Sul, o método já mostra viabilidade econômica. Selvíria fica na Região
do Bolsão Sul-Mato-Grossense, uma das menos desenvolvidas do Estado
Mateus Arantes, produtor da Fazenda São Mateus, já vinha adotando a
agricultura e a pecuária, mas sofria com as oscilações de produtividade
devido às variações do clima. Com a adoção do novo Sistema, que se
baseia em tecnologias já existentes, mas adequadas à realidade do
produtor e ao ambiente da região, há um melhor desenvolvimento das
plantas, por haver um aprofundamento do sistema radicular das culturas
e, com isso, um maior aproveitamento da água das chuvas no solo.
– Isso faz com que, mesmo em terras arenosas como as daquela Região,
que são classificadas como inadequadas para a produção de grãos,
possamos ter boas produtividades. Outro fator positivo é que o Sistema
também viabiliza economicamente a recuperação das áreas com pastagens
degradadas, incluindo a produção de grãos", explica o pesquisador da
Embrapa Júlio Cesar Salton.
Tradicionalmente, os outros modelos de iLP iniciam a sequência de
rotação pela agricultura, para depois incorporar a pastagem. No
SSMateus, a sequência começa pela pastagem. Com o início da rotação pela
pastagem, há tempo adequado para que os corretivos reajam no solo, o
sistema radicular da pastagem construa uma estrutura de solo favorável à
manutenção de umidade e forneça a palha necessária para o Plantio
Direto da soja.
Segundo o pesquisador, a adoção de um sistema como esse pode
representar a viabilidade de uma propriedade, principalmente por
existirem propriedades com baixa rentabilidade devido a pastagens
degradadas. Um levantamento realizado na Região do Bolsão
Sul-Mato-Grossense, mostra que há cerca de 3 milhões de hectares com
aptidão para o Sistema São Mateus.
– Se adotarmos esse modelo ou similar em apenas um terço desses
hectares, haverá um impacto econômico positivo de cerca de R$ 1,5
bilhão. Isso pode dinamizar a economia da Região e do Estado – ressalta
Salton.
Durante os cinco anos, o SSMateus foi comparado a outros
sistemas utilizados na Fazenda e em outras propriedades da região. Nesse
período, ocorreram os chamados veranicos, períodos sem chuva, em três
anos. Salton afirma que nos sistemas tradicionais, praticamente não
houve produção de soja. Já no Sistema São Mateus, houve produção em
todos os anos, com produtividade média de 50 sacas de soja por hectare.
Na pecuária a diferença entre sistemas tradicionais e o SSMateus é ainda
maior.
– O sistema tradicional da Fazenda, apesar de não ser degradado,
resulta em cinco a seis arrobas de carne por hectare/ano. Já o Sistema
São Mateus, logo no primeiro ano da rotação da pastagem após a soja,
chegou a produção média de até 20 arrobas de carne por hectare/ano –
ressalta Salton.
Outros benefícios do SSMateus são redução de perdas por erosão,
eliminação do alumínio tóxico no perfil do solo, melhoria na estrutura
física do solo, redução de perdas de água por evaporação e maior
capacidade das plantas em absorver água do solo em profundidade.
Produtores rurais, técnicos e demais interessados no Sistema, terão a
oportunidade de conhecer mais sobre o Sistema nesta semana, nos dias 27
e 28 de junho, na Expotrês 2013, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O
público ouvirá os depoimentos de pesquisadores da Embrapa, Júlio Cesar
Salton e Ademir Hugo Zimmer, e do produtor da Fazenda, Mateus Arantes.