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Agricultura em região tropical sem agrotóxicos é impossível, diz presidente da Embrapa

Mauricio Antonio Lopes fez apresentação no Brazil Summit 2013, organizado pelo grupo The Economist

O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Antonio Lopes, afirmou nesta quinta, dia 24, que é "praticamente impossível" ter uma produção sem defensivos agrícolas em uma região tropical.

– Fazer agricultura na região tropical sem o uso de insumos como defensivos é praticamente impossível – avaliou, em apresentação no Brazil Summit 2013, organizado pelo grupo The Economist.

De acordo com Lopes, é necessário levar em conta que em muitas regiões do país a agricultura é realizada durante o ano inteiro.

– Fica muitas vezes a percepção de que o Brasil usa muito agrotóxico, quando se compara com países de clima temperado que têm período de produção muito mais restrito.

Ele ressaltou que o uso racional é uma preocupação da Embrapa, mas reforçou que a questão é analisada em uma perspectiva mais ampla, levando em conta a região tropical e a natureza da produção.

– Temos de ter todo o cuidado com o uso racional e inteligente desse recurso – ponderou.

Para Lopes, muitas crenças sobre o agronegócio já estão sendo "desmistificadas", como a ideia, segundo ele, de que a agricultura destruiu a Amazônia, o que seria uma visão errada na sua percepção.

– Nós acabamos de ter uma discussão complexa, que foi o Código Florestal, e eu acho uma discussão muito corajosa por parte do Brasil – ressaltou.

Controle da helicoverpa pode começar no campo, diz pesquisador da Embrapa

Crébio José Ávila destaca que o produtor precisa realizar o monitoramento desde os ovos, larvas, pupas e adultos

(Produtor precisa fazer o monitoramento)
 
O pesquisador e entomologista da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), e também integrante da Comissão Organizadora do 13º Siconbiol, Crébio José Ávila, destaca que o controle da helicoverpa pode começar no campo.
1 - Como o produtor identifica a lagarta de Helicoverpa armigera? Como ela se diferencia visualmente das outras lagartas? O produtor pode realizar essa identificação ou é somente em laboratório?

Crébio - O produtor pode identificar no campo. Tendo uma lupa de bolso, é suficiente para ele separar essas lagartas. As lagartas da subfamília Heliothinae possui três espécies que nos confundem. Uma é a Heliothis virescens, que é a lagarta-das-maçãs; a outra é a Helicoverpa zea, ou lagarta-da-espiga-do-milho; e a terceira é a Helicoverpa armigera. No caso de separar a Heliothis da Helicoverpa é muito fácil: basta olhar na inserção da base dos pelos, no quarto segmento da lagarta. Se houver espinho na base do pelo, é a Heliothis virescens. Se não tiver espinho na base do pelo, será Helicoverpa: Helicoverpa zea ou Helicoverpa armigera. No caso da Helicoverpa armigera, tem uma característica muito importante: no quarto segmento da lagarta - que é o primeiro segmento abdominal - existem algumas estruturas escurecidas no pelo, como se fosse o formato de cela. Outra característica é que ela possui grande quantidade de pelos brancos sobre o corpo da lagarta. Tem também um aspecto coriáceo, mais endurecido quando se passa o dedo sobre a lagarta. Mas a confirmação segura realmente é uma lupa de laboratório para fazer a triagem correta da identificação da espécie.

2 - Quais são as boas práticas agrícolas que o produtor rural deve adotar para evitar a proliferação de pragas?

Crébio - Para evitar qualquer tipo de praga, basicamente, o produtor deve adotar as práticas agrícolas, inseridas no Manejo Integrado de Pragas, o MIP. Uma das primeiras ações que deve ser fazer no MIP é o monitoramento das pragas, seja de ovos, lagartas ou adultos, para se ter subsídios para tomada de decisão para se realizar o controle no momento certo. Já a aplicação de inseticida ou produto biológico deve ser realizada somente quando for necessária para o controle ideal das pragas no tempo correto. Práticas, como por exemplo, uso de fungicidas devem ser evitadas, porque os fungicidas interferem no controle biológico, prejudicando o manejo de pragas.

3 - Quais têm sido as ações da Embrapa como um todo e parceiros em pesquisas para o controle da helicoverpa?

Crébio - O Ministério da Agricultura, incumbiu e envolveu a Embrapa para propor um estudo, um plano de ação emergencial do manejo dessa praga. Durante o mês de abril, reuniram-se em Brasília mais de 30 entomologistas e durante três dias foi preparado um plano emergencial para o manejo dessa praga em diferentes sistemas de cultivo do Brasil. Esse documento foi elaborado e está disponível no site da Embrapa para quem quiser consultar. É um documento orientador básico do manejo emergencial dessa praga. Depois a Embrapa mesmo fez ações de divulgação, de transferência de tecnologia como forma de workshop na Bahia, em Mato Grosso do Sul nós temos várias ações de transferência de tecnologia, várias palestras informando consultores e assistência técnica sobre como identificar a praga e o potencial de dano da praga. A Embrapa também está se organizando em pesquisa por meio de arranjo e de portfólio de projeto, para criar uma rede de pesquisa para desenvolver ações e soluções de manejo dessa praga.

4 - Como o agricultor deve realizar o processo de amostragem?

Crébio - Pode ser feita a amostragem de adulto, ovos, lagartas, pupas. São todas formas biológicas do inseto para se ter a informação do potencial de danos que esse inseto possa estar causando na área. No caso de adultos, podem ser usadas armadilhas luminosas na lavoura para coletar adulto, ou também podem ser instaladas armadilhas de feromônios. É o feromônio sexual da praga que vai atrair e capturar adultos. No caso da armadilha luminosa, ela coleta, além da helicoverpa, muitos outros adultos e fica até um pouco difícil fazer a triagem e separação. No caso da armadilha com feromônio, vai se capturar praticamente indivíduos helicoverpa e alguns indivíduos Heliothis que estão no meio, portanto é uma forma mais seletiva para coletar. No caso de ovos, lagartas e pupas, é preciso fazer inspeções visuais. No caso de ovos, olhar as plantas; no caso de lagartas, olhar as plantas ou usar o pano de batida; e pupas fazer amostragem no solo. O pano de batida é realmente o mais utilizado na parte área das plantas para avaliar lagartas.

5 - Até o momento, qual é a indicação de Manejo Integrado de Pragas para a H.armigera?

Crébio - Tem que se usar ações do Manejo Integrado de Pragas. O principal seria o monitoramento - ovos, larvas, pupas e adultos - e isso vai servir de subsídio para tomar decisão de táticas de controle. Hoje, já existe ação como Manejo Integrado de Pragas para helicoverpa o controle biológico, que pode ser natural ou aplicado. O primeiro ocorre naturalmente e, logicamente, pode-se favorecer esse controle biológico natural quando se usa inseticidas seletivos, quando se usa ações com que façam que esses indivíduos se multipliquem no ambiente naturalmente. Ou o controle biológico aplicado, em que se libera os inimigos naturais para o controle das formas da helicoverpa. Existe, por exemplo, uma vespinha do gênero Trichogramma, que coloca seu ovo no ovo da helicoverpa. Em vez de nascer uma lagartinha, vai nascer uma outra vespinha. Esse é um controle biológico muito importante. Existem também um grande número de parasitoides que parasitam as lagartas. Por exemplo, nessa safra 2013, na safrinha, 50% das lagartas coletadas na região de cascavel no Paraná estava parasitado por um parasitoide da família Tachinidae. Isso está evidenciando e mostrando o potencial que tem o controle. Existe controle também com ações de manejo integrado que é o controle cultural. Por exemplo, o calendário de plantio: se o produtor faz um plantio de forma concentrada e a janela de plantio seja mais estreita possível, é muito importante para reduzir a infestação da praga na cultura da soja, na cultura do algodão. O vazio sanitário também é muito importante, que é aquele período em que não se deve deixar plantas vegetando para não se constituir a ponte verde para o desenvolvimento da praga. O vazio sanitário é de extrema importância como estratégia de manejo. Existe também a possibilidade de controle de pupa com nematoide entomopatogênico. E, por último, a ferramenta emergencial que nós temos usado é o controle químico que funciona razoavelmente muito bem para helicoverpa se você aplica no momento certo e na dose correta.

6 - A helicoverpa realmente é resistente às plantas transgênicas que expressam a toxina Bt? 

Crébio - Isso não está muito conhecido ainda, essas informações para nossas condições brasileiras não estão esclarecidas, porque essa praga é relativamente nova em nossa região. A Bt funciona muito bem, no caso da soja, em um complexo de pragas, no caso da lagarta-da-soja, da falsa-medideira, broca-das-axilas. Mas, no caso de helicoverpa, existem alguns trabalhos já mostrando que ela tem, talvez não controle, mas ela tem uma supressão sobre a população de lagartas. Eu acredito, basicamente, que a soja Bt vai ser uma ferramenta importante também que vai contribuir para o manejo da helicoverpa. Se ela não der o controle satisfatório, esperado como observado com outras pragas, ela vai causar alguma supressão e vai contribuir de maneira positiva para o manejo.

7 - Qual a mensagem o senhor deixa para o produtor sobre o controle de pragas, especialmente em relação à helicoverpa?

Crébio - É que o produtor tem que ter consciência que estamos diante de um grande problema. Essa praga realmente tem um poder de destruição muito grande e nós temos que ter consciência disso para tomar as ações. A segunda mensagem é que somente nós vamos conseguir manejar essa praga se seguirmos os preceitos e filosofias do manejo integrado. O manejo integrado é o que vai garantir a produtividade do produtor e a sustentabilidade do agroecossistema.

Embrapa simula desenvolvimento de helicoverpa em cultivos preferenciais da praga

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros

(Praga está presente em mais de 10 Estados do país)
 
No início de 2013, a Helicoverpa armigera havia sido constatada em três Estados brasileiros. Atualmente, já está confirmado em mais de 10. É considerada uma praga exótica de importância econômica que demanda esforços de contenção, controle e pesquisa. Conforme os pesquisadores, já foram iniciadas ações pelas secretarias de Agricultura dos Estados onde a praga já foi notificada e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que consideram as estratégias de controle propostas pela Embrapa para ações emergenciais.

A Embrapa também identificou trabalhos desenvolvidos no exterior, em fase de aperfeiçoamento, necessários para conhecer melhor o comportamento e a dinâmica da praga no ambiente brasileiro e até oferecer futuras opções para ampliar a disponibilidade de alternativas para o controle do inseto, com menor impacto ambiental. Entre os trabalhos já desenvolvidos, a Embrapa Meio Ambiente disponibilizou, em junho, resultados de trabalhos do Laboratório de Quarentena “Costa Lima” (LQC), o único no Brasil credenciado pelo Mapa  para introduzir inimigos naturais e outros benéficos para o controle de pragas e outros fins científicos.

De acordo com a avaliação da equipe do LQC, as estratégias de manejo integrado de controle do inseto também devem estar fundamentadas em estudos prospectivos de estimativas das durações das fases imaturas de desenvolvimento da helicoverpa em localidades brasileiras, considerando o período de safra do cultivo atacado. É necessário determinar a provável quantidade de gerações da praga por ciclo das plantas hospedeiras preferenciais, bem como os períodos mais favoráveis à maior disponibilidade de ovos, lagartas, pupas (estas últimas enterradas no solo) e de mariposas (fase adulta), fundamentando a identificação da melhor estratégia de controle para cada fase de desenvolvimento do inseto.

– Dados disponibilizados para acesso público por instituições de pesquisa e de assistência técnica do Estado de São Paulo possibilitaram ao LQC ranquear os maiores produtores de milho, algodão, tomate, feijão e soja, como também identificar condições climáticas desses municípios – disse a pesquisadora da equipe da Embrapa Meio Ambiente, Maria Conceição Pessoa.

Entre os dez maiores produtores de cada cultivo, a pesquisadora Jeanne Marinho Prado, também da equipe do LQC, informa que foram identificados municípios com maior produção e número de cultivos hospedeiros principais do inseto, muitos dos quais com esses plantios durante a maior parte do ano em função dos seus diferentes períodos.

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros preferenciais, motivo pelo qual o trabalho do LQC priorizou estimar gerações de helicoverpa nessas áreas.

Na área sudoeste do Estado, Itapeva foi identificada como grande produtor de milho, tomate, algodão, soja e feijão. Maria Conceição explica que as características climáticas e de períodos de plantios dos cultivos foram utilizados para simular o potencial desenvolvimento da praga em soja, feijão, tomate, milho e algodão na região sudoeste do Estado, considerando as necessidades térmicas das diferentes fases do ciclo de desenvolvimento da praga já realizado pela equipe.

O mesmo método possibilitou identificar outra área de produção expressiva de soja ao norte do Estado, localizada na região de Barretos, pertencente a um dos grandes polos agroindustriais do estado, bem como outras áreas produtoras de cultivos hospedeiros preferenciais da praga, tais como aquelas pertencentes à regional de Orlândia.

– Outras potenciais contribuições do LQC seriam a busca exploratória na fauna nativa brasileira (bioprospecção) ou introdução de insetos ou microrganismos exóticos para pesquisa de potenciais bioagentes de controle, visando subsidiar ações para planos de manejo integrado do inseto – salienta o pesquisador Luiz Alexandre de Sá.

Cultivares de uva para processamento de sucos são apresentadas na Expointer

Técnico da Embrapa afirma que produção da fruta está crescendo em regiões tropicais do país

(No evento, foram apontadas as principais características das uvas utilizadas na produção de sucos)
 
O Centro Nacional de Pesquisa de Uva e Vinho (CNPUV) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) promoveram, na manhã deste sábado, a apresentação “Cultivares de Uva para Processamento de Sucos”. A atividade ocorreu no auditório do Pavilhão da Agricultura Familiar, na Expointer.

Na ocasião, foram apontadas as principais características das uvas americanas – Isabel, Concord, Bordô e Niágara Rosada –, tradicionalmente utilizadas na produção de sucos, além das metas e resultados do Programa de Melhoramento Genético de Uva para a elaboração de sucos. Criado com o objetivo de desenvolver novas cultivares que contribuam para a competitividade e sustentabilidade da cadeia produtiva, o projeto tem conseguido também aumentar a produtividade para aproximadamente 23 a 30 toneladas de uvas por hectare.

– A serra gaúcha continua sendo a principal produtora de uvas para a elaboração de sucos. Há alguns anos, porém, tem crescido a produção em regiões tropicais, como no Paraná, Mato Grosso, Goiás e Vale do Rio São Francisco – diz o técnico da Embrapa Uva e Vinho Adriano Mazzardo.

As novas cultivares brasileiras de uvas para sucos resultantes do programa são: desde 2000, a BRS Rúbea, decorrente do cruzamento das uvas Bordô e Niágara Rosa; a Corcord Clone 30, mutação da Concord original; e a Isabel Precoce, mutação da Isabel original; desde 2004, a BRS Cora, obtida do cruzamento Muscat Belly A e BRS Rúbea; desde 2006, a BRS Violeta, do cruzamento BRS Rúbea e IAC 1398-21; desde 2008, a BRS Carmem, híbrida surgida do cruzamento de BRS Rúbea e Muscat Belly; e, a mais recente, de 2012, BRS Magna, resultante do cruzamento BRS Rúbea e IAC 1398-21.

Helicoverpa armigera no Manejo Integrado de Pragas de Milho


    O cultivo de milho pode ser atacado por diferentes espécies de inseto desde o plantio até próximo à colheita. No entanto, algumas espécies merecem maior atenção por parte dos agricultores devido ao local de ataque. É o caso, por exemplo, das espécies que atacam as partes reprodutivas da planta, como o complexo de insetos denominados “lagartas”. A espécie mais tradicional e reconhecida como a mais importante é a lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea. No entanto, nas espigas é também possível ser encontrada a lagarta-pequena, Dichomeris famulata, a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda e a broca da cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis. À exceção da H. zea e D. famulata, que são intimamente associadas à espiga, as outras espécies podem ocorrer em outras partes da planta, como folhas e colmos.

    O controle tradicional das espécies que atacam as espigas é dificultado pela localização das lagartas, geralmente protegidas dentro da espiga, sob as palhas. Quando o controle é através da pulverização com produtos químicos, além da baixa eficiência, há sempre o risco de eliminação de agentes de controle biológico e contaminação ambiental. Além do mais, a pulverização depende da disponibilidade de equipamentos apropriados que possibilitem a aplicação sobre plantas de tamanho elevado, incluindo, além da aplicação tratorizada, a aplicação via água de irrigação ou até mesmo a aplicação aérea. Tais equipamentos não são disponíveis para grande parte dos agricultores brasileiros e, portanto, nesta situação a pulverização não é feita. A ausência de inseticidas permite ao longo do tempo, a colonização de insetos benéficos específicos que acabam por reduzir a população da praga a níveis insuficientes para causar danos econômicos. É o caso, por exemplo, do parasitóide de ovos do gênero Trichogramma que pode atingir taxas de parasitismo acima de 70% em ovos de H. zea (“lagarta-da-espiga”). Outros agentes de controle biológico, também importantes e complementares, incluem a tesourinha, Doru luteipes e o percevejo Orius. Ambos são normalmente encontrados na espiga do milho.

    Recentemente, uma nova espécie de praga foi identificada no Brasil atacando entre outras espécies vegetais, o milho, a soja e o algodão, notadamente no Oeste da Bahia com grande severidade, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos. A espécie em questão, conhecida cientificamente como Helicoverpa armigera é muito próxima da lagarta-da-espiga, H. zea, não sendo ambas facilmente separadas visualmente. É uma espécie muito severa em países da Ásia, África e Austrália. Tem como hospedeiro, além dos cultivos já mencionados, o sorgo granífero; painço; girassol; cereais de Inverno, como trigo, aveia, cevada e triticale; linhaça; grão de bico; feijão; e culturas hortícolas, como cerejas, tomate, pepino e frutas cítricas. 

    O que torna a praga importante e severa é o fato de possuir alta mobilidade, polifagia e alta taxa de reprodução. Um problema agravante ao manejo da praga tem sido também o desenvolvimento da resistência aos inseticidas, já documentado na literatura, especialmente em relação a piretróides sintéticos, embora já haja registro de resistência a outros grupos de inseticidas, como carbamatos e organofosforados. 

    Como a espécie H. zea, os ovos de H. armigera são geralmente postos sobre o “cabelo” do milho. Ao eclodir as larvas consomem os grãos em desenvolvimento e, além deste dano direto, é comum ocorrer infecções bacterianas secundárias. As larvas também podem se alimentar das folhas do cartucho, das folhas mais desenvolvidas e do pendão.

    O ciclo de vida do inseto é em torno de um mês, o que permite a existência de várias gerações anuais e contínuas especialmente nas áreas mais quentes. Ocorrem seis estágios larvais e a larva quando completamente desenvolvida chega a 35-40 mm de comprimento. A pupa é marrom escura, com 14-18 mm de comprimento, com superfície lisa, arredondada, tanto anterior como posteriormente, com dois espinhos paralelos na ponta posterior.

MANEJO DA PRAGA

    A fase de ovo é crucial no ciclo de vida de H. armigera uma vez que alta taxa de mortalidade é verificada nesta fase. A literatura mundial tem relatado acima de 88% de mortalidade de ovos de H. armigera, principalmente nos primeiros três dias de oviposição. Esta taxa de mortalidade pode chegar a 95% de mortalidade, considerando-se a fase de ovo e os primeiros estágios larvais. O principal agente de controle biológico para liberação em nível de campo para o controle de ovos de diversas espécies de Lepidoptera é o Trichogramma, um inseto diminuto, porém com alta eficiência no controle das pragas. Além desta eficiência, já existe disponibilidade comercial em diferentes países, incluindo o Brasil. A liberação deste agente de controle biológico deve estar associada com armadilha contendo feromônio sexual que, ao ser utilizado no campo, serve para detectar a chegada da mariposa na área alvo e indicar a época de liberação. A armadilha, bem como o feromônio sexual, já está disponível no mercado internacional.

    O correto manejo das pragas de milho necessariamente deve considerar a possibilidade de liberação de Trichogramma tanto para o controle da lagarta-do-cartucho, como para o controle do complexo de Helicoverpa. O alto índice de parasitismo natural de ovos da “lagarta-da-espiga” indica a adaptação da espécie no agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera. Na realidade, muito se tem pesquisado no Brasil mostrando a importância dos agentes de controle biológico das diferentes espécies de insetos fitófagos associados ao milho. Tanto em áreas de produção onde se utiliza o milho convencional, como em áreas onde há utilização de milho Bt a importância de insetos (parasitóides e predadores) e de microrganismos como tática essencial no manejo integrado não pode deve negligenciada. 


    A introdução de uma nova espécie de praga no sistema agrícola brasileiro mostra a importância de se ter rotineiramente o Manejo Integrado como princípio fundamental, de tal modo que o produtor possa rapidamente adequar medidas que também sejam eficientes, econômicas e ambientalmente adequadas para reduzir a população da nova praga a níveis não econômicos.  Obviamente, as demais espécies de insetos fitófagos não devem ser negligenciadas por conta do aparecimento de novas pragas. Todo o conhecimento gerado pelas Instituições de Pesquisa deve ser normalmente entendido e utilizado para reduzir a probabilidade de haver prejuízos aos produtores e à sociedade como um todo.

Embrapa defende Manejo Integrado de Pragas e uso de inimigos naturais para combater Helicoverpa

Chefe da Embrapa Milho e Sorgo, Antônio Álvaro Corsetti Purcino, aconselha a utilização de feromônios para atrair as lagartas durante monitoramento

(Documento da Embrapa para controlar a Helicoverpa está disponível na internet)
 
O chefe da Embrapa Milho e Sorgo, Antônio Álvaro Corsetti Purcino, afirmou nesta sexta, dia 30, que o monitoramento é um dos passos principais para combater a Helicoverpa armigera, que tem causado prejuízos bilionários nas plantações de soja, milho e algodão, e afetado outras 17 culturas, como a do tomate e a do pimentão. Ele defende o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e a utilização de inimigos naturais nas lavouras.

– Estamos distribuindo um boletim técnico que trata do manejo integrado em lavouras e faz recomendações de como o produtor pode controlar a Helicoverpa, utilizando também cultivares transgênicas eficientes e inseticidas eficientes – diz Purcino.
 
Leia o documento oficial da Embrapa com ações emergenciais contra Helicoverpa

Purcino alerta para a necessidade de os agricultores realizarem inspeções nas lavouras com mais frequência, utilizando feromônios liberados pelo Ministério da Agricultura, um composto químico que atrai a lagarta através de um odor. De acordo com o especialista, o tratamento deve iniciar após a detecção do nível básico de infestação, que é de três mariposas por metro quadrado de voo à noite.

– Quando atinge esse nível de infestação, você deve usar técnicas de controle – aconselha o chefe da Embrapa Milho e Sorgo.

Purcino ressalta que um dos problemas atuais é que as lavouras infectadas estão muito fechadas, com espaçamentos pequenos entre as plantas.

– É difícil que a aplicação do veneno atinja a praga nesse estágio porque a lagarta fica protegida dentros dos frutos [na vagem da soja, no algodão ou na espiga do milho]. O inseticida, usado por pulverização ou por via aérea, não consegue atingir a praga, que precisa receber uma certa quantia mínima de agrotóxico para ser controlada. O aparecimento da mariposa no campo deve ser sempre monitorado.

A Helicoverpa armigera é resistente a vários inseticidas e se alimenta de cerca de 20 culturas no Brasil. O especialista alerta que é necessário não só utilizar o agrotóxico, mas aplicá-lo com as técnicas corretas.

Fepagro vai testar vacina argentina contra tristeza parasitária bovina

De forma experimental, 270 mil vacinas já foram comercializadas no país vizinho

(Vacinas serão usadas no combate à tristeza parasitária)
 
A Secretaria da Agricultura, por meio da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), deve assinar em breve termo de cooperação com a empresa CGE, da Argentina, para estudar vacina que promete melhores resultados no combate à tristeza parasitária.

Em reunião nesta quarta, 28, no gabinete do secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, durante a 36ª Expointer, a empresa pediu apoio ao secretário. Se aprovada pelos técnicos, ainda este ano começará a ser aplicada, por meio dos programas estaduais, nos animais do Estado.

– Tem um futuro muito promissor. Vamos fazer os testes necessários e, de acordo com as resultados práticos, atestaremos a eficácia da vacina – disse Mainardi.

De forma experimental, 270 mil já foram comercializadas num dos Estados do país vizinho. Criada em parceria com instituto de pesquisa semelhante à Embrapa, já tem apresentado melhoria dos rebanhos, segundo Manoel García Solá, da empresa Litoral Biológicos, vinculada ao grupo CGE.

Segundo Danilo Reimheimer, diretor-presidente da Fepagro, uma vez que vacina não tenha tanta eficácia no rebanho gaúcho, a segunda fase será ainda mais interessante para o governo. A ideia, diz ele, seria trocar microrganismos entre a fundação e a empresa na busca de criar algo em conjunto e que, como fruto, ambos compartilhem de royalties.

Há pelo menos 30 anos, a Fepagro estuda o mesmo tema. Possui banco de microrganismos que poderiam ser testados com os da empresa argentina.

Embrapa cria tecnologia para detectar adulteração de alimentos por meio de ressonância magnética

Pesquisador espera que aparelho esteja disponível em até dois anos para o consumidor

(Tecnologia de ressonância magnética já possibilita identificar a quantidade de açúcar em uma fruta)
 
A tecnologia de ressonância magnética que permite o diagnóstico de diversos tipos de traumas e doenças também já possibilita identificar a quantidade de açúcar em uma fruta ou se um alimento, como o leite, foi adulterado. A partir da inovação, o consumidor poderá saber se uma fruta está doce ou azeda sem precisar experimentar o produto antes de levar para casa.

O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Carlos, e permite analisar de forma rápida e sem destruir ou estragar os alimentos e até mesmo identificar se sucos de frutas, leite e azeite estão adulterados. De acordo com o criador do aparelho, o bioquímico Luiz Alberto Colnago, a ressonância magnética nuclear pode ser usada em supermercados para garantir a qualidade do produto ao consumidor.

– Se a gente for a um supermercado, frutas, nozes, queijos, qualquer material desses pode ser analisado. E também aqueles alimentos embalados em plástico ou vidro – afirma Colnago.

O aparelho funciona medindo a composição química de um alimento. O equipamento também pode ser ajustado para avaliar o teor de álcool no vinho ou o de gordura em sementes de amendoim ou carnes e embutidos.

A limitação da tecnologia são os pacotes metálicos, latas e embalagens tetra pak, que impedem a leitura do conteúdo do alimento. A análise dos alimentos é feita de forma contínua, em um equipamento semelhante a uma esteira, o que possibilita certificar a qualidade de uma grande quantidade de produtos ao mesmo tempo.

Uma empresa argentina, parceira da Embrapa, patenteou parte da invenção do equipamento. De acordo com o pesquisador, em até dois anos a tecnologia pode estar disponível diretamente ao consumidor e, assim, evitar que produtos falsificados ou sem qualidade sejam comercializados.

Embrapa apresenta nova cultivar de uva, a BRS Núbia

Variedade da fruta tem como característica principal o fato de demandar menos mão-de-obra para manejo do cacho

(BRS Núbia é uma importante evolução na produção nacional de uva preta de mesa com sementes)
 
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou uma nova cultivar de uva, a BRS Núbia, uva preta de mesa com sementes. A nova variedade tem entre seus principais atributos a necessidade de menor mão-de-obra no cultivo e sua uniformidade de cor, destaca o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho João Dimas Garcia Maia, um dos coordenadores do Programa de Melhoramento Genético de Uva da Embrapa – no âmbito do qual a BRS Núbia foi desenvolvida.

Em relação ao primeiro aspecto, ela tem como característica principal o fato de demandar menos mão-de-obra para manejo do cacho. Quanto à cor, sob condições de clima quente (subtropical, tropical úmido ou semiárido), para as quais é indicada, a nova cultivar expressa bem a coloração preta, apresentando uma uniformidade apreciada pelo consumidor.

A BRS Núbia é uma importante evolução na produção nacional de uva preta de mesa com sementes. Segundo Dimas, até o momento, a única cultivar desse tipo produzida em maior escala no país é a Brasil, uma mutação genética espontânea a partir da variedade Benitaka. A Brasil, porém, apresenta pouca expressão de cor quando a maturação coincide com épocas com altas temperaturas e em produtividades elevadas, condições sob as quais sua coloração fica em um meio-termo entre o preto e o vermelho. Afora isso, o cultivo dela exige grande mão-de-obra para manejo do cacho.

A pesquisadora Patricia Ritschel, coordenadora do Programa de Melhoramento Genético de Uva, ressalta que o grande tamanho de baga da nova cultivar, com média de 24 milímetros por 34 milímetros, é obtido sem a utilização de reguladores de crescimento, como as giberelinas. Ou seja, a opulência das bagas de BRS Núbia alinha-se à perspectiva de produção mais sustentável.

A nova cultivar se destaca, ainda, pelos índices de substâncias benéficas à saúde, pelo fato de apresentar ciclo mais curto do que a Brasil – o que resulta também em economia na aplicação de fungicidas – e pela boa aptidão para conservação pós-colheita.

A BRS Núbia foi testada em áreas de validação em Jales (noroeste paulista), Petrolina (PE, no Vale do Submédio São Francisco), Marialva (norte do Paraná) e Jaíba (norte de Minas Gerais), em propriedades de produtores e empresas parceiros. Pelo bom desempenho observado, é recomendada para todas essas regiões. Ela é resultante do cruzamento entre as cultivares Michele Palieri e Arkansas 2095, realizado em 2000, em Bento Gonçalves (RS).

Presença de substâncias benéficas à saúde
Os atributos da BRS Núbia passam também pela maior presença de substâncias benéficas à saúde. Em comparação à Benitaka, a nova variedade da Embrapa apresenta um teor de antocianinas totais cinco vezes maior e um Índice de Polifenóis Totais (IPT) aproximadamente 60% maior. Os níveis das substâncias foram determinados na película de uvas das duas cultivares produzidas no norte do Paraná.

Sanidade do material

A cultivar BRS Núbia foi testada para detecção de infecções virais. Nesse processo de indexação foram considerados alguns dos principais vírus que compõem as doenças do ‘enrolamento da folha’ e do ‘complexo rugoso’ da videira. Os testes diagnósticos foram baseados na técnica de hibridização molecular.

A metodologia é muito sensível e permite detectar o ácido nucleico viral em plantas infectadas, as quais são descartadas do processo de formação de material propagativo de sanidade superior. Assim, somente as plantas identificadas como sadias foram usadas como matrizes para obtenção do material propagativo da BRS Núbia.

DF possui o melhor touro para produção de leite do Centro-Oeste

Pequena propriedade se destaca pela genética qualificada

(Uísque é considerado o melhor animal para produção de leite do Centro-Oeste)
 
Uma pequena propriedade do núcleo rural Tabatinga, na região de Planaltina, no Distrito Federal, é o local de nascimento de um dos destaques da alta genética bovina: após avaliações rigorosas da Embrapa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), feitas por meio do teste de progênie, o touro Uísque foi considerado o melhor animal para produção de leite do Centro-Oeste e o sétimo no Brasil, além de ser o primeiro colocado como nova opção, ou seja, que não gera consanguinidade.

A fazenda Hermínia, atendida pela Emater-DF, atua desde 1983 na criação de gado leiteiro. Os proprietários, Paulo Horta e Lindalva Horta, possuem mais de 110 animais, entre touros, vacas e novilhas das raças gir e girolando. O carro-chefe da fazenda é a produção de genética.

– Já que nossa propriedade é pequena, temos que ser grandes na tecnologia – observa o produtor.
Atualmente, o teste da progênie é feito pela Embrapa, junto com a Associação Brasileira de Criadores de Gir Leiteiro. Trata-se de uma rigorosa avaliação científica de nível nacional, que classifica os animais que têm maior potencial de gerar vacas com maior produção de leite que a média dos rebanhos. As vacas são inseminadas artificialmente com o sêmem do touro e as filhas que nascem e são avaliadas nas suas diversas lactações — por isso, a avaliação pode levar até oito anos.

O programa já testou 451 touros em mais de 18 mil novilhas. O exame abrange todos os estados brasileiros. Paulo Horta explica que a terceira lactação é a que melhor indica o potencial de produção leiteira. Atualmente, suas vacas produzem, em média, 12 litros de leite por dia, que é um índice bastante expressivo.

Estudos da Embrapa apontam cautela na antecipação da semeadura de soja em Mato Grosso do Sul

Resultados mostram que o cultivo na região sul do Estado é considerado de risco devido à ocorrência frequente de veranicos e estiagens

(Embrapa pede cautela na antecipação da semeadura de soja em Mato Grosso do Sul)
 
Em julho, o Ministério da Agricultura (Mapa) divulgou o período do zoneamento agrícola de riscos climáticos para a cultura da soja, que permanece a partir de 1º de outubro para safra 2013/2014.
Segundo o Mapa, o produtor rural que semear a soja antes do período do zoneamento agrícola sofrerá algumas consequências, entre elas o não acesso a algumas políticas agrícolas, como o seguro da lavoura e o Programa Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC).

Como a antecipação da semeadura é uma das reivindicações do setor produtivo, pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste realizaram estudos baseados no balanço hídrico sequencial diário de dados. São cálculos que estimam a umidade do solo a partir de dados históricos de 35 anos da estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste. O objetivo foi analisar os valores médios de água disponível no solo em três épocas de semeadura: 15 de setembro, 1º de outubro e 15 de outubro.

Durante a apresentação dos estudos, realizada em uma reunião na Embrapa Agropecuária Oeste em Dourados (MS), o pesquisador Carlos Ricardo Fietz explicou que a análise foi realizada com cultivares de soja de ciclo semiprecoce, as mais utilizadas na região sul de Mato Grosso do Sul.

De acordo com as pesquisas, "a disponibilidade de água no solo da região na semeadura em 15 de setembro não apresentou diferença estatística em relação a 1º de outubro, mas foi inferior a 15 de outubro", diz a Circular Técnica 22, escrita pelos pesquisadores Carlos Ricardo Fietz, Rodrigo Arroyo Garcia, Éder Comunello e Danilton Luiz Flumignan.

Seguindo o que o Zoneamento Agrícola preconiza, que leva em consideração os parâmetros de clima, solo e de ciclos de cultivares, os resultados dos estudos demonstram que o cultivo da soja na região sul de Mato Grosso do Sul é considerado de risco, inclusive em semeaduras realizadas em períodos recomendados pelo zoneamento agrícola, "devido à ocorrência frequente de veranicos e estiagens", apontou Fietz.

Além disso, os tipos de solos argilosos predominantes da região, com características de arenosos, armazenam pouca água, e agravam ainda mais a situação. Por isso, o que a pesquisa preconiza é que o produtor sempre adote práticas que reduzam os riscos de deficiência hídrica, como a semeadura no período recomendado pelo zoneamento agrícola e o uso do Sistema Plantio Direto na palha.

– São atitudes que podem reduzir os índices, mas somente com o uso da irrigação a deficiência hídrica poderá ser plenamente evitada. Portanto, a irrigação da soja é tecnicamente viável na região sul de Mato Grosso do Sul, mas somente em caráter complementar – enfatizou Fietz.

A conclusão dos estudos também mostra que "em condições de sequeiro, a semeadura de soja em setembro, época que geralmente há menor disponibilidade hídrica, deve ser realizada com muita cautela e somente quando os solos estiverem com condições satisfatórias de umidade". Não esquecendo a recomendação do zoneamento agrícola.

Pesquisa da Embrapa busca soluções para combater Helicoverpa armigera

Além de atacar lavouras de algodão, milho e soja, a praga tem sido identificada em frutos de tomate, pimentão e quiabo, em diversas regiões do país

(Manejo inapropriado, com uso abusivo de agrotóxicos, foi um dos fatores que contribuíram para a crescente incidência da praga)
 
As lagartas do gênero Helicoverpa vêm provocando prejuízos significativos em várias culturas agrícolas em diferentes regiões brasileiras. Até pouco tempo, a Helicoverpa zea era a principal representante da subfamília Heliothinae e tida como praga secundária na horticultura. Ela ataca principalmente a ponta da espiga do milho, a maçã do algodoeiro ou os frutos do tomateiro, porém, sem causar perdas na produção, haja vista, a ação efetiva de inimigos naturais. Em algumas situações, como final da safra de milho ou do algodão a praga se deslocava das lavouras velhas e restos culturais para os cultivos de hortaliças, principalmente de tomateiro, ocasionando o broqueamento de frutos já em fase avançada de desenvolvimento.

>> Confira o Manejo Integrado de Pragas (MIP) Emergencial da Helicoverpa, elaborado pela Embrapa
No entanto, recentemente foi confirmada a ocorrência de Helicoverpa armigera no país. Os primeiros focos dessa nova praga foram registrados em 2011 no oeste baiano, com altas infestações em lavouras de algodoeiro, soja, feijão e milho. Agora, essa praga já pode ser encontrada em várias localidades de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e do Distrito Federal, atacando inclusive frutos de tomate, pimentão e quiabo.

A armigera preocupa a cadeia produtiva do tomateiro em seus diferentes segmentos (tomate tutorado para mesa, tomate rasteiro para processamento industrial e produção orgânica), uma vez que se mostra muito mais agressiva que H. zea (lagarta-da-espiga do milho) e as lagartas do complexo Spodoptera (lagarta militar) é polífaga (se alimenta de diversas espécies vegetais cultivadas e silvestres), pode se adaptar a diferentes condições ambientais e não é facilmente controlada com inseticidas químicos sintéticos.

A distinção entre H. armigera e H. zea, com base tanto nas mariposas adultas como nas lagartas, é muito difícil a olho nu e requer conhecimentos muito específicos de suas estruturas reprodutivas para confirmação da espécie. No momento, o uso de ferramentas de biologia molecular mostra-se indispensável para tal tarefa.

Com o objetivo de desenvolver ações conjuntas, com base na cadeia de produtos mais vulneráveis à H. armigera, pesquisadores da área de entomologia de algumas Unidades da Embrapa formaram uma linha de frente para o enfrentamento do problema. As Unidades Hortaliças (Brasília-DF), Cerrados (Planaltina-DF), Soja (Londrina-PR) e Algodão (Campina Grande-PB) estão atuando de forma integrada e com a perspectiva de identificar pontos em comum, visando o compartilhamento de estratégias e experiências de manejo da praga-alvo nas respectivas culturas trabalhadas pelas unidades nas diversas regiões brasileiras.

As discussões tiveram como base o documento "Ações emergenciais propostas pela Embrapa para o manejo integrado da Helicoverpa spp.", formulado a partir do encontro entre entomologistas da empresa de pesquisa e representantes de produtores e instituições ligadas ao setor produtivo.

A Embrapa considera que o aumento das populações de lagartas do gênero Helicoverpa, principalmente o crescimento abusivo reportado na Bahia, e consequentes prejuízos aos sistemas de produção foram ocasionados por um processo cumulativo de práticas de cultivo inadequadas. O plantio sucessivo de espécies vegetais hospedeiras (milho, soja e algodão) em áreas muito extensas e contíguas, junto com um manejo inapropriado com uso abusivo dos agrotóxicos (http://www.embrapa.br/alerta-helicoverpa/), associado a condições climáticas favoráveis estão entre as principais causas desse desequilíbrio ecológico. Isso também parece ocorrer em várias outras regiões onde tal praga agora chama a atenção de produtores e consultores técnicos.

O grupo de pesquisadores da Embrapa, que vem acompanhando e articulando ações relacionadas ao enfrentamento da H. armigera, esteve reunido nos dias 12 e 13 de junho para a troca de experiências e a proposição de táticas de controle desta praga dentro da filosofia do manejo integrado de pragas (MIP), as quais poderão respaldar em breve os trabalhos de elaboração de um programa nacional de manejo da Helicoverpa.

Com relação ao desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, o pesquisador Miguel Michereff Filho informou que uma das primeiras ações envolveu o levantamento da situação da tomaticultura na região do Distrito Federal e de Goiás. Os resultados não foram nem um pouco animadores, principalmente para os produtores de tomate de mesa.

– Como nesse setor qualquer dano reduz o valor de venda, a infestação vem provocando grandes prejuízos, que podem ser atribuídos, em boa parte, à falta de informações técnico-científicas e de manejo adequado desta nova praga por cerca de 80% dos produtores – registrou Miguel.

No Brasil, ainda não há inseticidas registrados para a H. armigera na cultura do tomateiro, o que torna a convivência e o manejo desta praga ainda mais crítica para as próximas safras, principalmente em Goiás. Apesar disso, há grande expectativa no desenvolvimento tecnológico na área de controle biológico, envolvendo o emprego da vespinha parasitoide de ovos (Trichograma spp.), de inseticidas biológicos a base da bactéria Bacillus thuringiensis (produtos com mistura das subespécies kurstaki e azawai) ou à base de vírus que matam lagartas, os quais poderão ser utilizados tanto na produção convencional como na orgânica. Portanto, o uso de inseticidas seletivos em favor dos inimigos naturais será indispensável para o sucesso no controle da praga. Outro grande reforço para a implementação das táticas de controle é o monitoramento de adultos (mariposas machos) de H. armigera pelo emprego de armadilhas iscadas com feromônio sexual sintético (produto ainda não registrado no Brasil).

A nova tecnologia reduzirá as dificuldades encontradas pelos produtores com o uso de armadilhas luminosas (fontes de energia elétrica no campo, influência da lua cheia na atração das mariposas e confusão na identificação dos insetos descamados) e permitirá que medidas de controle (inseticidas químicos, biológicos e parasitoides de ovos) sejam utilizadas de forma mais efetiva contra a praga. Soluções técnicas existem e o problema gerado pela H. armigera na agricultura brasileira poderá ser resolvido nos próximos anos, desde que haja o empenho de toda a sociedade.

Embrapa adapta Integração Lavoura Pecuária a solos arenosos

Sistema São Mateus também diminui oscilações de produtividade devido às variações do clima

(Sistema São Mateus também diminui oscilações de produtividade devido às variações do clima)
 
A Embrapa está adaptando o sistema de produção Integração Lavoura-Pecuária (iLP) para regiões com solos arenosos, pouco favoráveis à produção de grãos. Batizado de Sistema São Mateus (SSMateus), nome da fazenda parceira do projeto há cinco anos em Selvíria, Mato Grosso do Sul, o método já mostra viabilidade econômica. Selvíria fica na Região do Bolsão Sul-Mato-Grossense, uma das menos desenvolvidas do Estado

Mateus Arantes, produtor da Fazenda São Mateus, já vinha adotando a agricultura e a pecuária, mas sofria com as oscilações de produtividade devido às variações do clima. Com a adoção do novo Sistema, que se baseia em tecnologias já existentes, mas adequadas à realidade do produtor e ao ambiente da região, há um melhor desenvolvimento das plantas, por haver um aprofundamento do sistema radicular das culturas e, com isso, um maior aproveitamento da água das chuvas no solo.

– Isso faz com que, mesmo em terras arenosas como as daquela Região, que são classificadas como inadequadas para a produção de grãos, possamos ter boas produtividades. Outro fator positivo é que o Sistema também viabiliza economicamente a recuperação das áreas com pastagens degradadas, incluindo a produção de grãos", explica o pesquisador da Embrapa Júlio Cesar Salton.

Tradicionalmente, os outros modelos de iLP iniciam a sequência de rotação pela agricultura, para depois incorporar a pastagem. No SSMateus, a sequência começa pela pastagem. Com o início da rotação pela pastagem, há tempo adequado para que os corretivos reajam no solo, o sistema radicular da pastagem construa uma estrutura de solo favorável à manutenção de umidade e forneça a palha necessária para o Plantio Direto da soja.

Segundo o pesquisador, a adoção de um sistema como esse pode representar a viabilidade de uma propriedade, principalmente por existirem propriedades com baixa rentabilidade devido a pastagens degradadas. Um levantamento realizado na Região do Bolsão Sul-Mato-Grossense, mostra que há cerca de 3 milhões de hectares com aptidão para o Sistema São Mateus. 

– Se adotarmos esse modelo ou similar em apenas um terço desses hectares, haverá um impacto econômico positivo de cerca de R$ 1,5 bilhão. Isso pode dinamizar a economia da Região e do Estado – ressalta Salton.

Durante os cinco anos, o SSMateus foi comparado a outros sistemas utilizados na Fazenda e em outras propriedades da região. Nesse período, ocorreram os chamados veranicos, períodos sem chuva, em três anos. Salton afirma que nos sistemas tradicionais, praticamente não houve produção de soja. Já no Sistema São Mateus, houve produção em todos os anos, com produtividade média de 50 sacas de soja por hectare. Na pecuária a diferença entre sistemas tradicionais e o SSMateus é ainda maior.

– O sistema tradicional da Fazenda, apesar de não ser degradado, resulta em cinco a seis arrobas de carne por hectare/ano. Já o Sistema São Mateus, logo no primeiro ano da rotação da pastagem após a soja, chegou a produção média de até 20 arrobas de carne por hectare/ano – ressalta Salton.

Outros benefícios do SSMateus são redução de perdas por erosão, eliminação do alumínio tóxico no perfil do solo, melhoria na estrutura física do solo, redução de perdas de água por evaporação e maior capacidade das plantas em absorver água do solo em profundidade.

Produtores rurais, técnicos e demais interessados no Sistema, terão a oportunidade de conhecer mais sobre o Sistema nesta semana, nos dias 27 e 28 de junho, na Expotrês 2013, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O público ouvirá os depoimentos de pesquisadores da Embrapa, Júlio Cesar Salton e Ademir Hugo Zimmer, e do produtor da Fazenda, Mateus Arantes.