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Não é preciso terra para produzir

Produtor adota sistema semi-hidropônico para cultivar frutas e verduras


Dico e Édila: produtores não precisam mais trabalhar agachados

Preparar canteiros para cultivar frutas e verduras está deixando de fazer parte da rotina do produtor rural Valdemiro Felizardo Efel, o Dico, 44 anos, que está trocando o sistema convencional pelo semi-hidropônico.

Após 25 anos de trabalho na terra, Dico conheceu o sistema em Caxias do Sul e no ano passado investiu no semi-hidropônico para cultivar produtos como alface, rúcula, morango, tempeiros e tomate em sua chácara no Poço Comprido, onde divide as tarefas com sua esposa Édila Freitas Cruz, 31.

As plantas são cultivadas dentro de calhas plásticas com um substrato composto por cinza, casca de arroz e materiais orgânicos, que é usado no lugar da terra. A adubação é feita com fertirrigação, com os nutrientes para a planta sendo fornecidos através da água.

Neste sistema, a muda pode ser usada por três anos, observa Dico. Ele atesta ainda que a incidência de doenças é menor e com isso quase não usa agrotóxicos nos produtos que abastecem duas redes de mercados em Cachoeira do Sul.

Embrapa simula desenvolvimento de helicoverpa em cultivos preferenciais da praga

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros

(Praga está presente em mais de 10 Estados do país)
 
No início de 2013, a Helicoverpa armigera havia sido constatada em três Estados brasileiros. Atualmente, já está confirmado em mais de 10. É considerada uma praga exótica de importância econômica que demanda esforços de contenção, controle e pesquisa. Conforme os pesquisadores, já foram iniciadas ações pelas secretarias de Agricultura dos Estados onde a praga já foi notificada e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que consideram as estratégias de controle propostas pela Embrapa para ações emergenciais.

A Embrapa também identificou trabalhos desenvolvidos no exterior, em fase de aperfeiçoamento, necessários para conhecer melhor o comportamento e a dinâmica da praga no ambiente brasileiro e até oferecer futuras opções para ampliar a disponibilidade de alternativas para o controle do inseto, com menor impacto ambiental. Entre os trabalhos já desenvolvidos, a Embrapa Meio Ambiente disponibilizou, em junho, resultados de trabalhos do Laboratório de Quarentena “Costa Lima” (LQC), o único no Brasil credenciado pelo Mapa  para introduzir inimigos naturais e outros benéficos para o controle de pragas e outros fins científicos.

De acordo com a avaliação da equipe do LQC, as estratégias de manejo integrado de controle do inseto também devem estar fundamentadas em estudos prospectivos de estimativas das durações das fases imaturas de desenvolvimento da helicoverpa em localidades brasileiras, considerando o período de safra do cultivo atacado. É necessário determinar a provável quantidade de gerações da praga por ciclo das plantas hospedeiras preferenciais, bem como os períodos mais favoráveis à maior disponibilidade de ovos, lagartas, pupas (estas últimas enterradas no solo) e de mariposas (fase adulta), fundamentando a identificação da melhor estratégia de controle para cada fase de desenvolvimento do inseto.

– Dados disponibilizados para acesso público por instituições de pesquisa e de assistência técnica do Estado de São Paulo possibilitaram ao LQC ranquear os maiores produtores de milho, algodão, tomate, feijão e soja, como também identificar condições climáticas desses municípios – disse a pesquisadora da equipe da Embrapa Meio Ambiente, Maria Conceição Pessoa.

Entre os dez maiores produtores de cada cultivo, a pesquisadora Jeanne Marinho Prado, também da equipe do LQC, informa que foram identificados municípios com maior produção e número de cultivos hospedeiros principais do inseto, muitos dos quais com esses plantios durante a maior parte do ano em função dos seus diferentes períodos.

Áreas ao norte e a sudoeste de São Paulo concentram municípios com pelo menos quatro cultivos hospedeiros preferenciais, motivo pelo qual o trabalho do LQC priorizou estimar gerações de helicoverpa nessas áreas.

Na área sudoeste do Estado, Itapeva foi identificada como grande produtor de milho, tomate, algodão, soja e feijão. Maria Conceição explica que as características climáticas e de períodos de plantios dos cultivos foram utilizados para simular o potencial desenvolvimento da praga em soja, feijão, tomate, milho e algodão na região sudoeste do Estado, considerando as necessidades térmicas das diferentes fases do ciclo de desenvolvimento da praga já realizado pela equipe.

O mesmo método possibilitou identificar outra área de produção expressiva de soja ao norte do Estado, localizada na região de Barretos, pertencente a um dos grandes polos agroindustriais do estado, bem como outras áreas produtoras de cultivos hospedeiros preferenciais da praga, tais como aquelas pertencentes à regional de Orlândia.

– Outras potenciais contribuições do LQC seriam a busca exploratória na fauna nativa brasileira (bioprospecção) ou introdução de insetos ou microrganismos exóticos para pesquisa de potenciais bioagentes de controle, visando subsidiar ações para planos de manejo integrado do inseto – salienta o pesquisador Luiz Alexandre de Sá.

Helicoverpa armigera no Manejo Integrado de Pragas de Milho


    O cultivo de milho pode ser atacado por diferentes espécies de inseto desde o plantio até próximo à colheita. No entanto, algumas espécies merecem maior atenção por parte dos agricultores devido ao local de ataque. É o caso, por exemplo, das espécies que atacam as partes reprodutivas da planta, como o complexo de insetos denominados “lagartas”. A espécie mais tradicional e reconhecida como a mais importante é a lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea. No entanto, nas espigas é também possível ser encontrada a lagarta-pequena, Dichomeris famulata, a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda e a broca da cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis. À exceção da H. zea e D. famulata, que são intimamente associadas à espiga, as outras espécies podem ocorrer em outras partes da planta, como folhas e colmos.

    O controle tradicional das espécies que atacam as espigas é dificultado pela localização das lagartas, geralmente protegidas dentro da espiga, sob as palhas. Quando o controle é através da pulverização com produtos químicos, além da baixa eficiência, há sempre o risco de eliminação de agentes de controle biológico e contaminação ambiental. Além do mais, a pulverização depende da disponibilidade de equipamentos apropriados que possibilitem a aplicação sobre plantas de tamanho elevado, incluindo, além da aplicação tratorizada, a aplicação via água de irrigação ou até mesmo a aplicação aérea. Tais equipamentos não são disponíveis para grande parte dos agricultores brasileiros e, portanto, nesta situação a pulverização não é feita. A ausência de inseticidas permite ao longo do tempo, a colonização de insetos benéficos específicos que acabam por reduzir a população da praga a níveis insuficientes para causar danos econômicos. É o caso, por exemplo, do parasitóide de ovos do gênero Trichogramma que pode atingir taxas de parasitismo acima de 70% em ovos de H. zea (“lagarta-da-espiga”). Outros agentes de controle biológico, também importantes e complementares, incluem a tesourinha, Doru luteipes e o percevejo Orius. Ambos são normalmente encontrados na espiga do milho.

    Recentemente, uma nova espécie de praga foi identificada no Brasil atacando entre outras espécies vegetais, o milho, a soja e o algodão, notadamente no Oeste da Bahia com grande severidade, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos. A espécie em questão, conhecida cientificamente como Helicoverpa armigera é muito próxima da lagarta-da-espiga, H. zea, não sendo ambas facilmente separadas visualmente. É uma espécie muito severa em países da Ásia, África e Austrália. Tem como hospedeiro, além dos cultivos já mencionados, o sorgo granífero; painço; girassol; cereais de Inverno, como trigo, aveia, cevada e triticale; linhaça; grão de bico; feijão; e culturas hortícolas, como cerejas, tomate, pepino e frutas cítricas. 

    O que torna a praga importante e severa é o fato de possuir alta mobilidade, polifagia e alta taxa de reprodução. Um problema agravante ao manejo da praga tem sido também o desenvolvimento da resistência aos inseticidas, já documentado na literatura, especialmente em relação a piretróides sintéticos, embora já haja registro de resistência a outros grupos de inseticidas, como carbamatos e organofosforados. 

    Como a espécie H. zea, os ovos de H. armigera são geralmente postos sobre o “cabelo” do milho. Ao eclodir as larvas consomem os grãos em desenvolvimento e, além deste dano direto, é comum ocorrer infecções bacterianas secundárias. As larvas também podem se alimentar das folhas do cartucho, das folhas mais desenvolvidas e do pendão.

    O ciclo de vida do inseto é em torno de um mês, o que permite a existência de várias gerações anuais e contínuas especialmente nas áreas mais quentes. Ocorrem seis estágios larvais e a larva quando completamente desenvolvida chega a 35-40 mm de comprimento. A pupa é marrom escura, com 14-18 mm de comprimento, com superfície lisa, arredondada, tanto anterior como posteriormente, com dois espinhos paralelos na ponta posterior.

MANEJO DA PRAGA

    A fase de ovo é crucial no ciclo de vida de H. armigera uma vez que alta taxa de mortalidade é verificada nesta fase. A literatura mundial tem relatado acima de 88% de mortalidade de ovos de H. armigera, principalmente nos primeiros três dias de oviposição. Esta taxa de mortalidade pode chegar a 95% de mortalidade, considerando-se a fase de ovo e os primeiros estágios larvais. O principal agente de controle biológico para liberação em nível de campo para o controle de ovos de diversas espécies de Lepidoptera é o Trichogramma, um inseto diminuto, porém com alta eficiência no controle das pragas. Além desta eficiência, já existe disponibilidade comercial em diferentes países, incluindo o Brasil. A liberação deste agente de controle biológico deve estar associada com armadilha contendo feromônio sexual que, ao ser utilizado no campo, serve para detectar a chegada da mariposa na área alvo e indicar a época de liberação. A armadilha, bem como o feromônio sexual, já está disponível no mercado internacional.

    O correto manejo das pragas de milho necessariamente deve considerar a possibilidade de liberação de Trichogramma tanto para o controle da lagarta-do-cartucho, como para o controle do complexo de Helicoverpa. O alto índice de parasitismo natural de ovos da “lagarta-da-espiga” indica a adaptação da espécie no agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera. Na realidade, muito se tem pesquisado no Brasil mostrando a importância dos agentes de controle biológico das diferentes espécies de insetos fitófagos associados ao milho. Tanto em áreas de produção onde se utiliza o milho convencional, como em áreas onde há utilização de milho Bt a importância de insetos (parasitóides e predadores) e de microrganismos como tática essencial no manejo integrado não pode deve negligenciada. 


    A introdução de uma nova espécie de praga no sistema agrícola brasileiro mostra a importância de se ter rotineiramente o Manejo Integrado como princípio fundamental, de tal modo que o produtor possa rapidamente adequar medidas que também sejam eficientes, econômicas e ambientalmente adequadas para reduzir a população da nova praga a níveis não econômicos.  Obviamente, as demais espécies de insetos fitófagos não devem ser negligenciadas por conta do aparecimento de novas pragas. Todo o conhecimento gerado pelas Instituições de Pesquisa deve ser normalmente entendido e utilizado para reduzir a probabilidade de haver prejuízos aos produtores e à sociedade como um todo.

Governo prevê recorde para valor da produção agrícola em 2013

Número será 10,8% maior em relação ao ano passado e deve atingir R$ 275,89 bilhões, impulsionado pela colheita recorde de soja

(Produtos que mais colaboraram para o crescimento foi soja, cana e milho)
 
O valor bruto da produção (VBP) dos principais produtos agrícolas deve crescer neste ano 10,8% (R$ 26,8 bilhões) e atingir o recorde de R$ 275,89 bilhões, impulsionado pela colheita da safra recorde de soja.

Os cálculos da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos do Ministério da Agricultura projetam crescimento de 18,5% (R$ 13,037 bilhões) na renda da soja, para R$ 81,898 bilhões. A soja responde por 30% do VPB das lavouras.

Os cálculos levam em conta a estimativa de safra divulgada na véspera pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os levantamentos de preços recebidos pelos produtores feitos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

O estudo mostra que o segundo produto com maior participação no VBP agrícola é a cana-de-açúcar (17%). O Ministério da Agricultura prevê crescimento de 8,9% na renda da cana, para R$ 48,029 bilhões.

O milho ocupa o terceiro lugar, com participação de 13% no VBP. A projeção para o faturamento do milho é de crescimento de 10,5%, para R$ 36,846 bilhões.

Apesar das reclamações dos citricultores de queda na renda e da pressão dos altos estoques de passagem de suco de laranja sobre os preços, o Ministério da Agricultura prevê aumento de 46,1% no VBP da laranja, para R$ 20,637 bilhões. Para a banana, a estimativa de faturamento no ano é de R$ 10,3 bilhões, valor 10,8% superior ao do ano passado.

Entre os cereais, o arroz e o trigo apresentam perspectiva de aumento da renda dos produtores neste ano.

No caso do arroz, a estimativa é de aumento de 8,6% no faturamento, para R$ 8,072 bilhões. O trigo, cujos preços estão em patamares historicamente altos, por causa dos problemas climáticos que provocaram quebra de safra e perda de qualidade nas safras brasileira e argentina, deve ter aumento de 31% na renda, para R$ 4,165 bilhões.

Mesmo com a retração de preços nos últimos dois meses, o tomate aparece dentre os principais produtos. A estimativa do Ministério da Agricultura é de aumento de 76,7% na renda dos produtores, para R$ 10,882 bilhões. Entre os hortifrutigranjeiros também se destaca a batata-inglesa, com projeção de aumento de 35,9% na renda dos produtores, para R$ 3,577 bilhões.

Queda no faturamento
Quanto ao algodão, as previsões são de queda de 30,6% no faturamento, para R$ 8,125 bilhões, provocado pela queda de produção com a redução da área plantada. O café, cujos preços vêm sendo pressionados desde o início do ano, deve ter uma retração na renda de 27,6%, para R$ 14,059 bilhões. Os preços do café estão em queda por causa da percepção dos importadores de que o estoque remanescente e a safra atual serão suficientes para atender a demanda mundial pelo produto brasileiro.

Pesquisa da Embrapa busca soluções para combater Helicoverpa armigera

Além de atacar lavouras de algodão, milho e soja, a praga tem sido identificada em frutos de tomate, pimentão e quiabo, em diversas regiões do país

(Manejo inapropriado, com uso abusivo de agrotóxicos, foi um dos fatores que contribuíram para a crescente incidência da praga)
 
As lagartas do gênero Helicoverpa vêm provocando prejuízos significativos em várias culturas agrícolas em diferentes regiões brasileiras. Até pouco tempo, a Helicoverpa zea era a principal representante da subfamília Heliothinae e tida como praga secundária na horticultura. Ela ataca principalmente a ponta da espiga do milho, a maçã do algodoeiro ou os frutos do tomateiro, porém, sem causar perdas na produção, haja vista, a ação efetiva de inimigos naturais. Em algumas situações, como final da safra de milho ou do algodão a praga se deslocava das lavouras velhas e restos culturais para os cultivos de hortaliças, principalmente de tomateiro, ocasionando o broqueamento de frutos já em fase avançada de desenvolvimento.

>> Confira o Manejo Integrado de Pragas (MIP) Emergencial da Helicoverpa, elaborado pela Embrapa
No entanto, recentemente foi confirmada a ocorrência de Helicoverpa armigera no país. Os primeiros focos dessa nova praga foram registrados em 2011 no oeste baiano, com altas infestações em lavouras de algodoeiro, soja, feijão e milho. Agora, essa praga já pode ser encontrada em várias localidades de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e do Distrito Federal, atacando inclusive frutos de tomate, pimentão e quiabo.

A armigera preocupa a cadeia produtiva do tomateiro em seus diferentes segmentos (tomate tutorado para mesa, tomate rasteiro para processamento industrial e produção orgânica), uma vez que se mostra muito mais agressiva que H. zea (lagarta-da-espiga do milho) e as lagartas do complexo Spodoptera (lagarta militar) é polífaga (se alimenta de diversas espécies vegetais cultivadas e silvestres), pode se adaptar a diferentes condições ambientais e não é facilmente controlada com inseticidas químicos sintéticos.

A distinção entre H. armigera e H. zea, com base tanto nas mariposas adultas como nas lagartas, é muito difícil a olho nu e requer conhecimentos muito específicos de suas estruturas reprodutivas para confirmação da espécie. No momento, o uso de ferramentas de biologia molecular mostra-se indispensável para tal tarefa.

Com o objetivo de desenvolver ações conjuntas, com base na cadeia de produtos mais vulneráveis à H. armigera, pesquisadores da área de entomologia de algumas Unidades da Embrapa formaram uma linha de frente para o enfrentamento do problema. As Unidades Hortaliças (Brasília-DF), Cerrados (Planaltina-DF), Soja (Londrina-PR) e Algodão (Campina Grande-PB) estão atuando de forma integrada e com a perspectiva de identificar pontos em comum, visando o compartilhamento de estratégias e experiências de manejo da praga-alvo nas respectivas culturas trabalhadas pelas unidades nas diversas regiões brasileiras.

As discussões tiveram como base o documento "Ações emergenciais propostas pela Embrapa para o manejo integrado da Helicoverpa spp.", formulado a partir do encontro entre entomologistas da empresa de pesquisa e representantes de produtores e instituições ligadas ao setor produtivo.

A Embrapa considera que o aumento das populações de lagartas do gênero Helicoverpa, principalmente o crescimento abusivo reportado na Bahia, e consequentes prejuízos aos sistemas de produção foram ocasionados por um processo cumulativo de práticas de cultivo inadequadas. O plantio sucessivo de espécies vegetais hospedeiras (milho, soja e algodão) em áreas muito extensas e contíguas, junto com um manejo inapropriado com uso abusivo dos agrotóxicos (http://www.embrapa.br/alerta-helicoverpa/), associado a condições climáticas favoráveis estão entre as principais causas desse desequilíbrio ecológico. Isso também parece ocorrer em várias outras regiões onde tal praga agora chama a atenção de produtores e consultores técnicos.

O grupo de pesquisadores da Embrapa, que vem acompanhando e articulando ações relacionadas ao enfrentamento da H. armigera, esteve reunido nos dias 12 e 13 de junho para a troca de experiências e a proposição de táticas de controle desta praga dentro da filosofia do manejo integrado de pragas (MIP), as quais poderão respaldar em breve os trabalhos de elaboração de um programa nacional de manejo da Helicoverpa.

Com relação ao desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, o pesquisador Miguel Michereff Filho informou que uma das primeiras ações envolveu o levantamento da situação da tomaticultura na região do Distrito Federal e de Goiás. Os resultados não foram nem um pouco animadores, principalmente para os produtores de tomate de mesa.

– Como nesse setor qualquer dano reduz o valor de venda, a infestação vem provocando grandes prejuízos, que podem ser atribuídos, em boa parte, à falta de informações técnico-científicas e de manejo adequado desta nova praga por cerca de 80% dos produtores – registrou Miguel.

No Brasil, ainda não há inseticidas registrados para a H. armigera na cultura do tomateiro, o que torna a convivência e o manejo desta praga ainda mais crítica para as próximas safras, principalmente em Goiás. Apesar disso, há grande expectativa no desenvolvimento tecnológico na área de controle biológico, envolvendo o emprego da vespinha parasitoide de ovos (Trichograma spp.), de inseticidas biológicos a base da bactéria Bacillus thuringiensis (produtos com mistura das subespécies kurstaki e azawai) ou à base de vírus que matam lagartas, os quais poderão ser utilizados tanto na produção convencional como na orgânica. Portanto, o uso de inseticidas seletivos em favor dos inimigos naturais será indispensável para o sucesso no controle da praga. Outro grande reforço para a implementação das táticas de controle é o monitoramento de adultos (mariposas machos) de H. armigera pelo emprego de armadilhas iscadas com feromônio sexual sintético (produto ainda não registrado no Brasil).

A nova tecnologia reduzirá as dificuldades encontradas pelos produtores com o uso de armadilhas luminosas (fontes de energia elétrica no campo, influência da lua cheia na atração das mariposas e confusão na identificação dos insetos descamados) e permitirá que medidas de controle (inseticidas químicos, biológicos e parasitoides de ovos) sejam utilizadas de forma mais efetiva contra a praga. Soluções técnicas existem e o problema gerado pela H. armigera na agricultura brasileira poderá ser resolvido nos próximos anos, desde que haja o empenho de toda a sociedade.