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Produtores rurais comemoram o anúncio do Plano Safra, mas temem endividamento no campo

Acesso fácil ao crédito e limite alto de financiamento preocupa produtor

(Quanto mais baixo os juros, mais facilidade o produtor tem para investir)

Na Serra Gaúcha, o anúncio do Plano Safra, histórico em termos de investimentos, animou os participantes do 28º Seminário Cooplantio, que acontece em Gramado, até quarta, dia 5. Apesar do entusiasmo da notícia, alguns produtores rurais temem um endividamento no campo, por conta do acesso mais fácil ao crédito com juros mais baixos e limites de financiamento mais altos.

O produtor de grãos em Santo Augusto, no noroeste do Rio Grande do Sul, Jorge Sperotto, comemorou o anúncio, mas acredita que o governo deveria investir melhor no setor de infra-estrutura e logística.

– Nós, produtores, precisamos ser organizados. É um dinheiro fácil, que deve ser pago mesmo com juros baratos. A má qualidade dos portos e o transporte ocasionam um custo muito alto e isso reflete no preço do produto final – diz Sperotto.

O investimento de R$ 25 bilhões para a construção de novos armazéns, com juros de 3,5% agradou a engenheira agrônoma Fernanda Falcão, que planta soja no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso. Ela conta que no ano passado precisou aumentar os silos da propriedade e pagou 5,5% de juros no financiamento.

– Quanto mais baixo esse juros, mais facilidade o produtor tem para conseguir investir e construir silos e armazéns em sua propriedade, isso é um beneficio para o produtor possuir uma boa gestão e melhorar os preços das commodities – acredita Fernanda.

A indústria de sementes também deve se beneficiar com os novos investimentos do governo federal, anunciados nesta terça, dia 4. Para Leandro Pasquali, diretor de marketing de uma empresa de sementes híbridas, com atuação no Mercosul, o aumento da capacidade de armazenamento para 65 milhões de toneladas garantem mais estabilidade para as atividades dos agricultores.

– Isso vai acarretar numa diminuição no próprio custo de produção por unidade, fazendo com que o produtor tenha um custo unitário melhor, tornando cada vez mais competitivo, tanto para negociar no mercado interno, quanto no externo. Inclusive, em algumas commodities como o arroz, que já ta quase se tornando uma commoditie, de mercado externo – ressalta Pasquali.

Agrônomos debatem boas práticas de manejo de solos no 28º Seminário Cooplantio

Adubação adequada, por exemplo, pode melhorar produção e reduzir gastos nas lavouras

(Participantes mostraram práticas de manejo adequado do solo para culturas como arroz, soja, milho e trigo)
 
O manejo de solos foi tema de debate na tarde desta terça, dia 4, no 28º Seminário Cooplantio, realizado em Gramado (RS). Na ocasião, o agrônomo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ibanor Anghinoni, e o agrônomo e professor da Universidade de Passo Fundo, Pedro Escosteguy, mostraram práticas de manejo adequado do solo para culturas como arroz, soja, milho e trigo, que podem viabilizar um melhor rendimento das lavouras e a redução de gastos.

Anghonini mostrou a importância do manejo integrado na cultura de arroz orgânico e também na produção de soja de várzea – produzida inicialmente para controlar o arroz vermelho, mas que vem se mostrando como uma opção de renda nas regiões produtoras de arroz do Rio Grande do Sul. Segundo ele, com o manejo adequado do solo, pode-se diminuir os gastos com adubação.

Nas áreas plantadas com arroz, ele destacou o manejo da adubação e o consequente aumento de produtividade com a adoção dessa prática. Na soja de várzea, Anghonini chamou atenção para o manejo da água, mostrando opções como a semeadura em camalhão, a drenagem por sulcos e a irrigação para controlar a umidade do solo.

O agrônomo ainda sugeriu a integração com a pecuária como forma de diminuir o uso de adubos no solo. Para ele, o animal pode funcionar como um reciclador de nutrientes.

– Em vez de adubarmos a soja, o milho, vamos adubar as pastagens. O animal vai devolver a adubação para o solo, e pode ser que não precisemos mais adubar tanto as áreas de grãos.

Pedro Escosteguy concentrou sua palestra na adubação de soja, trigo e milho na região do Planalto. Na cultura da soja, o agrônomo destacou as boas práticas no uso de nitrogênio, como a época correta de uso e a quantidade adequada que o solo necessita.

Nas culturas de trigo e de milho, o agrônomo também alertou o produtor para o uso do nitrogênio no momento adequado, o que pode evitar aplicações desnecessárias na lavoura.

– Se temos nitrogênio disponível no solo, não precisamos fazer mais aplicações – diz.

Escosteguy mostrou ainda possibilidades de correção de solos com uso adequado de fósforo e potássio, além dos tipos corretos de adubação, como no sulco e a lanço, dependendo da característica do solo. 

Seminário Cooplantio destaca inserção da mulher no gerenciamento de propriedades rurais no segundo dia de evento

Na mesa redonda "A mulher na Agricultura Atual e o Futuro", produtoras contaram como superaram as dificuldades e hoje comandam com eficiência suas propriedades

(O 28º Seminário da Cooplantio segue até quarta, dia 5)
 
O papel da mulher na gestão de propriedades rurais e na evolução do agronegócio foi destaque no segundo dia do28º Seminário Cooplantio, realizado em Gramado (RS). Na mesa redonda "A mulher na Agricultura Atual e o Futuro", realizada na manhã desta terça, dia 4, produtoras e administradoras rurais dividiram suas experiências de gestão com as centenas de pessoas que participam do evento.

Mediada pela jornalista Tânia Carvalho, a conversa teve a participação de Renata Zaffari Ariolli, engenheira agrônoma e produtora rural em Erechim (RS); Fernanda Viacelli Falcão, engenheira agrônoma e produtora rural em Passo Fundo (RS); e Helena Schmidt, produtora e administradora rural em Santa Vitória do Palmar (RS).

Ao contar um pouco de suas histórias, as produtoras revelaram que a determinação de fazer suas propriedades terem êxito é um ponto em comum entre elas. Em um ambiente predominantemente dominado por homens, as três conseguiram mostrar que as mulheres também podem gerir com eficiência.

Renata Ariolli administra um haras e fazenda de 1,3 mil hectares em Erechim. A propriedade familiar produz sementes destinadas, em sua totalidade, à Cooplantio. No verão, são produzidos soja e milho, e o no inverno, trigo e aveia branca. A propriedade cria também cavalos, bovinos e ovinos.

A inserção da mulher no trabalho da propriedade da família de Renata cresceu com a necessidade de mão de obra. Ela explica que é grande a dificuldade para manter empregados no campo, e para isso, sua família optou por investir na empregabilidade familiar e, consequentemente, no trabalho feminino também.

– Nesse contexto, porque não inserir também a mulher? Com a inserção da família no trabalho da propriedade, conseguimos uma baixa rotatividade e um melhor desempenho.

Renata conta que no começo de seu trabalho na fazenda teve medo do preconceito por ser mulher e ser jovem. O relacionamento com os colaboradores, muitos deles homens, e a necessidade de resultados também a preocupavam. Mas todas as dificuldades foram ultrapassadas, e ela credita esse sucesso na gestão, também, às suas características como mulher.

– As características que fazem a mulher manter família, emprego e outras funções, ajudam também no gerenciamento da propriedade.

Fernanda Falcão também teve medo, no início, de comandar as propriedades da família – em Primavera do Leste (MT) e no Rio Grande do Sul – e todos os funcionários, que em sua maioria são homens. Ela, no entanto, superou os obstáculos e venceu. Em Mato Grosso, a família tem 3,8 mil hectares onde são produzidos grãos.

Segundo Fernanda, para manter uma empresa familiar e fazer tudo funcionar com eficiência, é necessário pensar como uma empresa e não como família.

– Quando você tem uma empresa familiar, antes de ser filha ou irmã, você tem metas, você tem que ser profissional. Os diferenciais da mulher, segundo ela, também podem ajudar a gerir os negócios com qualidade.

Helena Schmidt administra uma empresa familiar com o marido e os filhos em Santa Vitória do Palmar. A família tem 2,2 mil hectares e possui ainda uma área de domínio que passa de quatro mil hectares. Na área, são produzidos grãos, além de pecuária de leite e de corte.

Quando Helena começou na administração do campo, o Brasil passava por problemas econômicos. De uma área de mil hectares a família baixou para 400 hectares. Para cortar gastos, dispensaram todas as chefias da propriedade. Ela e o marido assumiram, então, toda a gerência da fazenda e, aos poucos, foram crescendo novamente. Para ela, o sucesso da atividade familiar e da mulher no campo está aliado à união familiar, porém, sem nunca perder o foco.

– O papel da mulher do campo está em encontrar o meio termo para o tão desejado equilíbrio – finalizou Helena.

Remate Virtual Devon oferece animais PO e PC

Evento ocorre dia 15 de junho, durante o Congresso Brasileiro da raça, em Gramado (RS)

O C2Rural transmite com exclusividade no dia 15 de junho, a partir das 21h, o Remate Virtual Devon. O evento, que ocorre durante o Congresso Brasileiro da raça, em Gramado (RS), coloca em oferta animais PO e PC.

O comando dos negócios é da Rédea Remates. Providencie seu cadastro com a leiloeira para que você possa dar lances durante o evento. Acesse o site, faça seu cadastro e realize bons negócios!